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Inanna desce ao mundo dos mortos

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A descida de Inana é um poema sumério, e a tradução do ETCSL, de acesso aberto, é a base deste verbete. Do grande céu, Inana voltou o pensamento para o grande abaixo. Deixou o céu, a terra e os templos de várias cidades, e desceu ao mundo dos mortos. Levou os sete poderes divinos e se enfeitou: turbante, peruca, contas de lápis-lazúli, vestido de dama, peitoral, anel de ouro e a vara com a linha de medir. Sua ministra Ninshubur, que o ETCSL escreve Nincubura, foi atrás.

Antes de entrar, Inana deu ordens à ministra. Quando Inana tivesse chegado ao mundo dos mortos, Ninshubur devia fazer lamentações nas ruínas, tocar o tambor no santuário e percorrer as casas dos deuses, vestida como uma mendiga. Devia ir ao templo de Enlil, ao de Nanna em Ur e ao de Enki em Eridu, e pedir a cada um que não deixasse matar a filha no mundo de baixo. Inana diz que Enki conhece a planta e a água da vida e que é ele quem a fará viver de novo.

No palácio Ganzer, Inana empurrou a porta com força e gritou para o porteiro-chefe, Neti. Ele perguntou por que ela ia à terra de onde ninguém volta. Inana disse que viera pelos ritos funerários de Gudgalana, marido de sua irmã mais velha, Ereshkigal. Neti avisou a patroa. Ereshkigal bateu na coxa, mordeu o lábio e mandou trancar as sete portas e abri-las uma a uma, para que a visitante fosse despida. A cada porta, tiravam uma peça de Inana, e ela perguntava o que era aquilo. A resposta era que um poder divino do mundo de baixo se cumprira e que ela não devia abrir a boca contra os ritos.

Depois, nua e agachada, Inana fez Ereshkigal se levantar do trono e sentou nele. Os Anunas, os sete juízes, pronunciaram a sentença contra ela: o olhar da morte, a fala da ira, o grito da culpa pesada. A mulher aflita virou um cadáver, e o cadáver foi pendurado num gancho. Passados três dias e três noites, Ninshubur fez o que fora mandado. Enlil e Nanna, irados, responderam que a filha cobiçara o grande céu e também o grande abaixo, e que os poderes dali não devem ser cobiçados, porque quem os pega fica. Enki, preocupado, tirou terra da ponta das unhas e criou o kur-jara e o gala-tura, dando ao primeiro a planta da vida e ao segundo a água da vida.

Enki mandou os dois entrarem como moscas e repetirem a Ereshkigal cada gemido dela, que estava deitada, por causa dos filhos, com os ombros sem pano. Os dois fizeram Ereshkigal jurar pelo céu e pela terra. Ofereceu um rio de água e um campo de grão, e eles recusaram. Pediram o cadáver pendurado, e ela o deu. Com a planta e a água, Inana se levantou. Mas os Anunas a seguraram: quem sobe do mundo de baixo sobe sem dano? Ela devia dar um substituto. Subiu cercada de demônios, que não comem nem bebem e arrancam o filho do colo do pai.

Em Umma e em Bad-tibira, os senhores das cidades se jogaram aos pés dela, de luto, e Inana não deixou que os levassem. Também poupou Ninshubur, por ter feito tudo o que mandara. Em Kulaba, achou Dumuzid sentado no trono, com roupas magníficas. Os demônios o agarraram, e Inana o entregou a eles. Dumuzid rezou a Utu, que lhe deu mãos e pés de serpente, e ele escapou. Inana chorou o marido, e uma mosca lhe mostrou onde ele estava. Os versos finais, fragmentados na tradução, falam de meio ano para cada um; este verbete não os resume.

Veja também: Gilgámesh, o rei que procurou a vida sem fim; Enuma Elish; Perséfone, a que volta na primavera; Ziusudra e o dilúvio sumério; Inana e Enki: os poderes e o Barco do Céu; Gilgamesh e Huwawa, o poema sumério.

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