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Enuma Elish novo

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1.026 palavras

Enuma elish quer dizer quando no alto: são as duas primeiras palavras do poema babilônico da criação, que era chamado por elas. Leonard William King, assistente no departamento de antiguidades egípcias e assírias do Museu Britânico, publicou em 1902 o texto e a tradução inglesa em The Seven Tablets of Creation. Na introdução, conta que o poema tinha cerca de novecentas e noventa e quatro linhas, repartidas em sete tabuinhas, e que era conhecido por pedaços de cópias assírias da biblioteca que Assurbanipal fundou em Nínive, de cópias babilônicas mais tardias e de exercícios de alunos de escribas. Todas as peças conhecidas estavam no Museu Britânico. O texto chegou quebrado: King põe entre colchetes o que restaura e marca o que falta. Este verbete segue só o que está lá e diz onde falta.

A primeira tabuinha começa antes dos nomes: quando no alto o céu não tinha nome, e embaixo a terra não tinha nome, Apsû, o primeiro, que os gerou, e Tiamat, a mãe dos dois, misturavam as suas águas; ao nome dela o poema antepõe um título que King traduz, por conjectura, como caos, e anota que há bons motivos para outra leitura, forma ou molde; nenhum campo estava formado, nenhum pântano se via, e nenhum deus tinha sido chamado a existir. Então os deuses são criados: Lahmu e Lahamu; depois de muito tempo, Anshar e Kishar; e Anu, filho deles. Vem também Nudimmud, cheio de sabedoria, que uma nota de King identifica com Ea. Apsû vai com o seu ministro Mummu até Tiamat e se queixa do caminho dos deuses: de dia não consegue descansar, e quer destruí-lo. Mummu o aconselha a fazer isso. Ea vê o murmúrio deles, e logo o texto se perde: faltam as linhas 68 a 82. Pelo que sobra adiante e pela tabuinha seguinte, King conclui na introdução que Ea derrubou Apsû e prendeu Mummu, mas diz que é conjectura saber se foi lutando ou com o seu encantamento puro.

Quando o texto volta, alguém cujo nome a lacuna levou incita Tiamat a vingar Apsû e Mummu, e King deduz que é Kingu, porque ela depois o promove por ter lhe dado apoio. Tiamat, também chamada Ummu-Hubur, a que formou todas as coisas, faz armas invencíveis e gera serpentes monstruosas, de dentes afiados, com veneno no corpo em vez de sangue, víboras, dragões, cães raivosos, homens-escorpião, homens-peixe: onze espécies ao todo. Põe Kingu à frente do exército, chama-o de esposo escolhido e lhe põe no peito as Tábuas do Destino. A descrição se repete quase palavra por palavra mais três vezes nas tabuinhas II e III, quando a notícia vai de Ea a Anshar, de Anshar a Gaga e de Gaga a Lahmu e Lahamu, e King lê a repetição como modo de mostrar o tamanho do inimigo. Na fala de Anshar, Anu não pôde enfrentar Tiamat, e Nudimmud teve medo e voltou. Marduk aceita a luta com uma condição: se vencer, os deuses reunidos devem pôr o destino dele acima de todos, e a palavra dele passa a decretar o destino no lugar da deles. Os deuses fazem um banquete, bebem até se embriagar e, à vontade, decretam o destino de Marduk.

Na quarta tabuinha os deuses lhe dão o reino. Para provar a força da sua palavra, põem no meio deles uma veste: Marduk fala, e ela some; fala outra vez, e ela volta. Os deuses gritam que Marduk é rei e lhe dão cetro, trono, uma insígnia de poder que King traduz provisoriamente por anel, e uma arma invencível. Ele leva arco, aljava, lança e maça, põe o relâmpago à sua frente, faz uma rede para envolver Tiamat, posta os quatro ventos para que nada dela escape, cria sete ventos e sobe ao carro da tempestade, puxado por quatro cavalos. Diante dele, Kingu se perturba. Tiamat, desafiada, fica como possuída, perde a razão, grita e recita um encantamento. Marduk estende a rede, solta no rosto dela o vento mau e, quando ela abre a boca, o empurra para dentro antes que feche os lábios; com a barriga cheia de vento, ela fica de boca aberta, e ele rasga-lhe o ventre com a lança, corta as entranhas e fura o coração. Os deuses que a ajudavam fogem, mas são cercados e presos na rede; os onze monstros são pisoteados; de Kingu, Marduk toma as Tábuas do Destino, que não eram dele por direito, sela-as e as põe no próprio peito. Depois volta a Tiamat, esmaga-lhe o crânio com a maça, corta as veias e faz o vento norte levar o sangue para lugares secretos.

Só então vem a criação do mundo. Diante do corpo, Marduk concebe um plano engenhoso: parte Tiamat em duas metades, como um peixe chato, cobre o céu com uma delas, põe tranca e vigia e manda não deixar sair as águas dela. Funda E-shara, morada à semelhança do Abismo, e põe ali Anu, Bêl e Ea. Na quinta tabuinha, fixa as estações dos grandes deuses e as estrelas do zodíaco, ordena o ano em seções, com três estrelas para cada um dos doze meses, e entrega a noite ao deus Lua, com instruções sobre as fases; depois o texto se perde. O relato de como foram criadas a terra e as plantas não está nos pedaços da quinta tabuinha conhecidos em 1902: King conjectura que estivesse ali, apoiado em Berossus e nos títulos de Marduk na sétima. Na sexta, Marduk diz a Ea que vai tomar sangue e criar o homem, para que o serviço dos deuses seja estabelecido. Fala também em osso, mas o verbo dessa parte se perdeu. Aqui a leitura varia: King traduz o meu sangue, por causa de Berossus, mas anota que a palavra também pode ser lida só como sangue. Quase todo o resto da tabuinha falta. A sétima celebra os cinquenta nomes de Marduk, dos quais King identifica vinte e cinco nos trechos recuperados da tabuinha; entre os títulos que sobraram está o de quem criou a humanidade para o perdão dos deuses cativos. Um epílogo, que segundo King provavelmente foi acrescentado depois, pede que o pai repita os nomes e os ensine ao filho.

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