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Ziusudra e o dilúvio sumério

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A narrativa sumeriana preservada na obra A história do dilúvio (The Flood story, ETCSL 1.7.4) possui caráter fragmentário. A tradução acusa cerca de 36 linhas faltando no início e outras lacunas. No segmento A, um deus decide parar a aniquilação de suas criaturas. Ele manda o povo retornar aos seus lares. Pede cidades puras para descansar e locais de adivinhação. An, Enlil, Enki e Ninhursaja moldam os humanos de cabeça preta e criam animais.

No segmento B, a realeza desceu do céu. As cidades fundadas foram entregues aos deuses. Eridu coube a Nudimmud. Bad-tibira foi dada à Senhora. Larak foi entregue a Pabilsag. Sippar foi concedida ao herói Utu. Shuruppak foi destinada a Sud. No segmento C, muito danificado, Inana lamenta por seu povo. Enki toma conselho consigo mesmo. Os deuses juram por An e Enlil.

O texto desse trecho tem lacunas. Ziusudra era rei e sacerdote gudu. Ele agia de modo humilde e reverente. De pé diante de um muro, ele ouviu uma voz. O muro devia prestar atenção. Um dilúvio varreria a terra. A assembleia divina decidiu destruir a semente humana. A ordem de An e Enlil não podia ser revogada. O prazo da realeza foi cortado.

No segmento D, ventos e tempestades ergueram-se juntos. O dilúvio varreu a região. A enorme barca foi sacudida por sete dias e sete noites. O deus sol Utu surgiu e iluminou céu e terra. Ziusudra abriu uma abertura na barca. A luz de Utu entrou com seus raios. Ziusudra prostrou-se diante de Utu. O rei sacrificou bois e inúmeras ovelhas.

No segmento E, mais animais desembarcaram na terra. Ziusudra prostrou-se diante de An e Enlil. Os deuses o trataram bem. Eles concederam ao homem vida divina e vida eterna. O rei havia preservado os animais e a semente da humanidade. Os deuses o levaram para além do mar. Eles o assentaram em Dilmun, onde nasce o sol.

Veja também: Yu e o dilúvio; Inanna desce ao mundo dos mortos; Gilgámesh, o rei que procurou a vida sem fim; Inana e Enki: os poderes e o Barco do Céu; Gilgamesh e Huwawa, o poema sumério.

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