Thor e o gigante Hrungnir
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Esta história não está na Gylfaginning, onde fica a viagem de Thor a Útgarda-Loki, mas na Skáldskaparmál, a outra parte da Edda em prosa de Snorri Sturluson. É Bragi quem a conta a Ægir, hóspede dos deuses em Asgard. Thor tinha ido ao leste combater trolls. Odin cavalgou Sleipnir até Jotunheim e achou o gigante Hrungnir, que perguntou quem era aquele de elmo de ouro que cruzava o ar e o mar num cavalo tão bom. Odin apostou a cabeça que não havia cavalo igual em Jotunheim. Hrungnir disse que tinha Gullfaxi, de passada muito mais longa, e saiu em perseguição, furioso.
Em Asgard, Hrungnir foi convidado a beber e ficou bêbado. Gabou-se de que levaria Valhala para Jotunheim, derrubaria Asgard e mataria todos os deuses, menos Freya e Sif, que levaria para casa. Quando os deuses se cansaram, chamaram Thor. Ele entrou com o martelo no ar. Hrungnir disse que estava ali sob a proteção de Odin. Thor respondeu que ia se arrepender do convite. O gigante então disse que matar um homem desarmado daria pouca honra e o desafiou a um duelo em Grjottungard.
Os gigantes fizeram um homem de barro, Mökkurkálfi, de nove rasts de altura. Como não acharam coração à medida, deram a ele o de uma égua, que tremeu quando Thor apareceu. Hrungnir tinha coração de pedra de três pontas, cabeça de pedra, escudo de pedra e, como arma, uma pedra de amolar. Thjalfi correu até ele e avisou que Thor viria por baixo da terra, e Hrungnir pôs o escudo debaixo dos pés. Thor chegou em meio a relâmpagos e estrondos e lançou o martelo. Hrungnir lançou a pedra. As duas se encontraram no ar, e a pedra se partiu: uma parte caiu e deu as montanhas de sílex, a outra se cravou na cabeça de Thor. O Mjölnir esmagou o crânio de Hrungnir, que caiu sobre Thor com o pé no pescoço dele. Thjalfi derrubou o homem de barro.
Nenhum deus conseguiu tirar o pé. Veio Magni, filho de Thor e da giganta Jarnsaxa, com três noites de vida, e o tirou. Thor lhe deu o cavalo Gullfaxi, e Odin reclamou. Thor voltou a Thrudvang com a pedra ainda na cabeça. A vidente Groa cantou até afrouxar a pedra. Para alegrá-la, Thor contou que carregara o marido dela, Örvandil, num cesto, e que um dedo do pé dele congelara e virara uma estrela. Groa ficou tão contente que esqueceu os cantos, e a pedra ficou onde estava. Por isso, diz Snorri, não se deve atirar pedra de amolar no chão.
Veja também: Thor na casa de Utgarda-Loki; Odin e o hidromel da poesia; Freya, a das lágrimas de ouro; O construtor do muro de Asgard; Thor na casa de Geirrod.
Para conferir
- Snorri Sturluson, Edda em prosa (The Younger Edda), tradução inglesa de Rasmus B. Anderson, 1879, Projeto Gutenberg, Skáldskaparmál, trecho Thor and Hrungner (p. 169 a 176 da edição impressa): Bragi contando a Ægir, Odin e Sleipnir em Jotunheim, a aposta e Gullfaxi, as bravatas na festa, Thor chamado, o desafio, o homem de barro com coração de égua, o coração, a cabeça e o escudo de pedra, Thjalfi, o martelo e a pedra de amolar partida, o pé no pescoço, Magni, Gullfaxi dado a Magni, Groa, o dedo de Örvandil virado estrela e a proibição de jogar a pedra no chão. A grafia dos nomes foi adaptada ao português.







