Fenrir e o laço Gleipnir
novo- Tamanho
- 461 palavras
Fenrir é um dos três filhos que Loki teve com a giganta Angrboda: o lobo, a serpente de Midgard e Hel. Na Edda em prosa de Snorri Sturluson, os deuses souberam que as profecias previam muita desgraça vinda daqueles filhos. Odin mandou buscá-los. O lobo ficou em Asgard, criado pelos deuses, e só Tyr tinha coragem de ir até ele e lhe dar de comer.
Como o lobo crescia a cada dia e as profecias diziam que ele seria fatal aos deuses, eles fizeram uma corrente muito forte, a Læding, e pediram que ele testasse a força. Fenrir se deixou prender e a rompeu num só chute. Fizeram outra, uma vez e meia mais forte, a Dromi. Ele pensou que era forte, mas que sua força tinha crescido, e que sem se arriscar não ganharia fama. Deixou que a pusessem e a arrebentou também. Daí vêm duas expressões de Snorri: sair da Læding e se livrar da Dromi, para dizer que algo é muito difícil.
Então Odin mandou o mensageiro de Frey, Skírnir, aos anões, que fizeram o laço Gleipnir. Snorri diz que foi feito de seis coisas: o som dos passos do gato, a barba de mulher, as raízes da montanha, os tendões do urso, o hálito do peixe e a saliva do pássaro. O narrador apresenta como prova de que o relato é verdadeiro o fato de mulher não ter barba, gato não fazer barulho ao andar e montanha não ter raiz. O laço ficou macio e liso como uma fita de seda.
Os deuses levaram o lobo a uma ilha num lago e lhe mostraram a fita. Fenrir desconfiou: sem fama alguma em arrebentar um fio tão fino, e, se fosse feito com astúcia, nunca o poria nos pés. Exigiu que um deus pusesse a mão na boca dele como penhor de que não havia engano. Os deuses se olharam, e só Tyr estendeu a mão direita. Quando o lobo se debateu, o laço apertou, e quanto mais ele forçava, mais firme ficava. Todos riram, menos Tyr, que perdeu a mão.
Prenderam a corrente em duas grandes rochas, enterradas fundo, e puseram uma espada na boca de Fenrir, com o cabo na mandíbula de baixo e a ponta na de cima. A baba que escorre dele forma um rio chamado Von. Ele ficará assim até o Ragnarök. Quando Gangleri pergunta por que os deuses não o mataram, Snorri responde que eles respeitam tanto a sua santidade e o seu lugar de paz que não quiseram manchá-los com o sangue do lobo, embora as profecias digam que ele será a ruína de Odin.
Em outro capítulo, ao falar de Tyr, Snorri esclarece que o lobo lhe arrancou a mão na altura do pulso porque os deuses não quiseram soltá-lo.
Veja também: Loki, o que traz o perigo e a saída; O Ragnarök; Baldr e o visco; Odin e o hidromel da poesia.
Para conferir
- Snorri Sturluson, Edda em prosa (The Younger Edda), tradução inglesa de Rasmus B. Anderson, 1879, Projeto Gutenberg, Gylfaginning, capítulos 25, 34 e 35 dessa edição: os filhos de Loki e Angrboda, as profecias, Tyr como o único a alimentar o lobo, as correntes Lading e Drome, o laço Gleipner e as seis coisas, Skirner e os anões, a ilha e a fita, a mão direita de Tyr como penhor, o laço que aperta, as rochas Gjol e Tvite, a espada na boca, o rio Von, o motivo de não matarem o lobo e a explicação da mão perdida no capítulo sobre Tyr. As grafias dos nomes foram adaptadas ao português e diferem em parte das de Anderson.







