Yu e o dilúvio novo
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Yu, chamado Yu, o Grande, é, na história lendária da China, quem pôs fim ao grande dilúvio. A narrativa dos trabalhos de Yu contra a inundação, contada aqui, vem de W. F. Mayers, que a resume no Chinese Reader's Manual, de 1874. O pai de Yu, Kun (Kwên, na grafia de Mayers), foi nomeado pelo imperador Yao, segundo essa história, ministro das obras, com a ordem de escoar as águas que cobriam a terra. Trabalhou nove anos sem sucesso e acabou banido para sempre no monte Yü, e as suas funções passaram ao filho.
Mayers registra que Yu era tido como descendente do imperador Huang Ti e filho de Kun e de Siu-ki, que o teria concebido por milagre, depois de ver uma estrela cadente e engolir uma pérola divina. Quando Kun falhou, Shun, o sucessor virtuoso escolhido por Yao, recomendou Yu para a tarefa. Pela cronologia tradicional que Mayers repete, ele assumiu o trabalho do pai em 2286 a.C. e, com esforço constante, em nove anos pôs as águas sob controle. Era tão dedicado que não cuidava de comida nem de roupa, e três vezes passou pela porta de casa sem entrar, embora ouvisse lá dentro o choro do filho pequeno. Ao terminar, demarcou o império em nove províncias, e Mayers remete, para isso, a O Tributo de Yu.
Depois, segundo a mesma história lendária, Yu serviu a Yao e a Shun, foi feito regente junto com Shun e reconhecido como sucessor dele, no lugar dos filhos do próprio Shun; com a morte de Shun, guardou três anos de luto e começou a reinar, fundador da dinastia Hia. Lendas posteriores, diz Mayers, contam que ele gravou o registro dos seus trabalhos numa lápide num dos picos do monte Hêng, história que o próprio Mayers considera apócrifa, e lhe atribuem a abertura de uma passagem para as águas do oeste pela garganta de Wu Shan.
Segundo a versão que Werner registrou em Myths and Legends of China, de 1922, na história do Rei Macaco, Sun Wu-k'ung tira do rei-dragão do Mar do Leste a vara de ferro que o Grande Yu tinha plantado no fundo do mar para regular o nível das águas, e faz dela a sua arma. Werner registra também que sacerdotes puseram Yao, Shun e Yu, os três grandes soberanos da Antiguidade, no lugar de três princípios abstratos, e que os letrados lhes ofereceram incenso em templos erguidos em muitas partes do império.
Veja também: Nüwa, a que consertou o céu; Houyi e os dez sóis.
Para conferir
- William Frederick Mayers, The Chinese Reader's Manual, Xangai, American Presbyterian Mission Press, 1874, parte I, verbete 302, Kwên, p. 95, no Internet Archive (número e página conferidos na imagem): Kun nomeado por Yao ministro das obras para escoar as águas, os nove anos sem sucesso, o banimento no monte Yü e as funções passadas ao filho.
- William Frederick Mayers, The Chinese Reader's Manual, 1874, parte I, verbete 931, Yü the Great, p. 280 e 281, mesmo exemplar: a descendência de Huang Ti, a mãe Siu-ki, a estrela cadente e a pérola, a recomendação de Shun, 2286 a.C., os nove anos, a comida e a roupa, as três passagens pela porta e o choro do filho, as nove províncias e O Tributo de Yu, a regência, o luto de três anos, a dinastia Hia, a lápide do monte Hêng tida por apócrifa e a garganta de Wu Shan.
- E. T. C. Werner, Myths and Legends of China, Londres, George G. Harrap, 1922, p. 126 e 127 e 328, exemplar do Internet Archive: Yao, Shun e Yu postos pelos sacerdotes no lugar dos três princípios e o incenso dos letrados (p. 126 e 127, pelo índice do próprio livro) e a vara de ferro do Grande Yu tomada por Sun Wu-k'ung (p. 328, pela busca no exemplar).



