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Freya, a das lágrimas de ouro novo

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Freya, que a tradução inglesa da Edda em Prosa feita por Arthur Gilchrist Brodeur em 1916 escreve Freyja, é filha de Njördr e irmã de Freyr. Na Gylfaginning, a parte da Edda em que Hárr responde às perguntas de Gangleri, Snorri Sturluson diz que ela é a mais renomada das deusas. Tem no céu a morada chamada Fólkvangr, com um salão grande e bonito, Sessrúmnir, e, quando sai, vai sentada num carro puxado por gatos. Entre os nomes que os poetas lhe davam estão deusa dos Vanir e Senhora dos Vanir, o povo de deuses ao qual pertence a família de Njördr (o verbete Odin e o hidromel da poesia conta a paz entre esse povo e os deuses de Ásgard). As citações deste verbete vêm das traduções inglesas de Brodeur e de Henry Adams Bellows, que traduziu a Edda Poética em 1923, passadas ao português aqui.

Snorri diz que Freya é a que mais atende às preces dos homens, que as canções de amor lhe agradam e que é bom chamar por ela quando se precisa de ajuda no amor; diz também que do nome dela vem Frú, o título de honra das mulheres nobres. A mesma deusa tem um lado de batalha: aonde quer que vá à luta, fica com metade dos mortos, e Odin com a outra metade. Snorri cita os versos que dizem isso, e no Grímnismál, na tradução de Bellows, a estrofe 14 diz que em Fólkvang é Freya quem decide quem terá lugar no salão. Em nota, Bellows registra uma opinião que ele aceita, a do estudioso Mogk: a Freya da Edda juntaria duas deusas que eram distintas, a mulher de Odin, Frigg, e a deusa nórdica do amor, e a partilha dos mortos com Odin viria do lado de Frigg. É uma leitura dos estudiosos. Na Edda em Prosa as duas são deusas diferentes: na lista das deusas, Frigg vem em primeiro lugar, e Freya aparece adiante, dita a mais nobre junto com Frigg.

Na mesma lista, Snorri conta que Freya é casada com um homem chamado Ódr e que a filha dos dois, Hnoss, é tão bonita que as coisas belas e preciosas se chamam hnossir. Ódr saiu em longas viagens, Freya chora por ele, e as lágrimas dela são de ouro vermelho. Ela tem muitos nomes, explica Snorri, porque foi dando a si mesma nomes diferentes quando andava entre povos desconhecidos procurando Ódr: Mardöll, Hörn, Gefn, Sýr. É dela também o colar Brísingamen. Os poetas tiraram daí uma maneira de falar do ouro: na Skáldskaparmál, a parte da Edda sobre a linguagem dos poetas, ouro pode se dizer lágrimas de Freya, e entre os modos de nomeá-la estão Deusa Bela nas Lágrimas, Deusa do Amor e Dona dos Mortos em combate, de Sessrúmnir, dos gatos e do Brísingamen. No mesmo livro, é a Freya que Loki pede emprestada a plumagem de falcão para ir buscar Idunn na terra dos gigantes, e na Gylfaginning ela vai ao funeral de Baldr no seu carro de gatos.

Nas histórias dos deuses, Freya é muitas vezes o preço que os gigantes pedem. Na Gylfaginning, um construtor se oferece para levantar uma fortaleza e pede como paga Freya, o sol e a lua; os deuses fecham o negócio, e quando a obra está quase pronta é Loki quem tem de desfazê-lo (o verbete Loki, o que traz o perigo e a saída conta como). Na Edda Poética, o Thrymskvitha, poema que Bellows situa por volta do ano 900 e que a Edda em Prosa não conta, faz do pedido uma comédia. O gigante Thrym esconde o martelo de Thor e só o devolve se ganhar Freya por mulher. Ela empresta de boa vontade a sua veste de penas para Loki procurar o martelo, mas, quando lhe dizem que ponha o véu de noiva, fica furiosa, o salão dos deuses treme e o grande colar dos Brísings se parte; ela responde que pareceria a todos ávida de homem se fosse com eles para a terra dos gigantes. Os deuses vestem então Thor de noiva, com o colar, e Loki vai junto como criada.

Os poemas não falam dela de um só jeito. No Lokasenna, em que Loki insulta um por um os deuses reunidos num banquete, Freya defende Frigg, e Loki a acusa de ter dormido com todos os deuses e elfos do salão e com o próprio irmão. É um poema de insultos, um gênero de que, segundo Bellows, os nórdicos gostavam muito, e ele anota que, para Snorri, Freya era um modelo de fidelidade ao marido. O Hyndluljóð, conservado num manuscrito de por volta de 1400 e que Bellows considera tardio e mal preservado, mostra Freya montada num javali. A sábia Hyndla diz que quem vai com ela é o seu amante, o jovem Ottar; Freya nega, diz que aquele é o javali de cerdas de ouro Hildisvíni, feito por dois anões, e conta que Ottar lhe ergueu um altar de pedras e sempre confiou nas deusas. Bellows anota que a montaria é o próprio Ottar e que, mais adiante no poema, Freya admite isso, quando pede a Hyndla que traga ao javali a cerveja da memória, para ele guardar a genealogia que ela recitou. Cada texto mostra uma parte de Freya, e eles nem sempre combinam.

Veja também: Loki, o que traz o perigo e a saída; Odin e o hidromel da poesia; O Ragnarök; Thor na casa de Utgarda-Loki.

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