O rapto das Sabinas
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O rapto das Sabinas é, segundo o que Tito Lívio registrou no livro I de Ab Urbe Condita, o sequestro em massa de moças dos povos vizinhos pelos primeiros romanos, seguido de casamento forçado; a guerra com os sabinos que veio depois só acabou quando as próprias sabinas se puseram entre os exércitos.
Lívio avisa, no prefácio, que o que se conta do tempo de antes da fundação de Roma, ou de quando ela estava para ser fundada, vem mais enfeitado de fábulas de poetas do que apoiado em registros dos fatos. Este episódio vem logo depois da fundação, e, ao abrir o livro VI, ele diz que tudo o que narrou até ali é obscuro pela antiguidade, porque os escritos eram raros naquele tempo e a maior parte dos registros se perdeu quando a cidade foi incendiada.
Segundo Lívio, a cidade nova já era forte, mas faltavam mulheres, e por isso a grandeza dela duraria uma geração só. Rômulo tinha aberto um asilo onde qualquer fugitivo dos povos vizinhos era recebido, fosse livre ou escravo. Mandou embaixadores pedir aliança e direito de casamento; nenhum povo os recebeu bem, por desprezo e por medo, e muitos perguntaram, ao despedi-los, se os romanos não tinham aberto também um asilo para mulheres. Os jovens romanos levaram a mal, e a coisa, escreve Lívio, começou a tender para a força.
Rômulo escondeu o despeito e preparou jogos solenes em honra de Netuno Equestre, as Consuálias, anunciados aos vizinhos. Veio muita gente, ceninenses, crustuminos, antemnates e todo o povo sabino, com mulheres e filhos, hospedados nas casas. Na hora do espetáculo, a um sinal combinado, os jovens romanos correram a raptar as moças. A maior parte foi levada por quem a apanhou; algumas, escolhidas pela beleza, foram levadas por homens do povo às casas dos senadores a quem estavam destinadas. De uma delas, levada pelo grupo de um certo Talássio, vem, segundo Lívio, o grito de Talássio que ficou nos casamentos.
Os pais das moças fugiram, acusando os romanos de quebrar o pacto da hospitalidade e invocando o deus a cuja festa tinham vindo, enganados. Lívio registra o que Rômulo foi dizer às raptadas: que aquilo acontecera pela soberba dos pais delas, que tinham negado o casamento aos vizinhos; que elas seriam esposas, com parte em todos os bens, na cidade e nos filhos; que abrandassem a raiva. E registra que os homens se desculpavam alegando desejo e amor. A obra apresenta essas palavras como o que acalmou as moças; são, de todo modo, palavras de quem tinha cometido o rapto.
Os pais das raptadas, de luto, foram pedir ajuda a Tito Tácio, rei dos sabinos. Ceninenses, crustuminos e antemnates prepararam juntos a guerra, mas Cenina atacou primeiro, sozinha, e foi vencida; Rômulo matou o rei de Cenina, levou os despojos ao Capitólio e marcou ali o lugar do templo de Júpiter Ferétrio, o primeiro consagrado em Roma, diz Lívio. Os antemnates, que aproveitaram para invadir, também foram vencidos, e então Hersília, mulher de Rômulo, a pedido das raptadas, conseguiu dele o perdão para os pais delas e a entrada deles na cidade. Depois vieram os crustuminos, vencidos também.
A última guerra, a dos sabinos, foi a maior. Tácio corrompeu com ouro Tarpeia, filha do comandante da cidadela, para que deixasse entrar os soldados, e, lá dentro, eles a mataram esmagada sob as armas. Lívio dá as versões: uns contam que ela pediu o que os sabinos traziam no braço esquerdo, pensando nos braceletes de ouro, e recebeu os escudos; outros, que ela pediu justamente as armas e, percebida a intenção de enganá-los, morreu pela própria recompensa.
Na batalha no vale entre o Palatino e o Capitólio, os romanos fugiam quando Rômulo prometeu um templo a Júpiter Estator se o deus detivesse a fuga; eles resistiram, e o chefe sabino Métio Cúrcio escapou a cavalo de um pântano; o lugar onde o cavalo o pôs em terreno raso passou a se chamar lago Cúrcio.
Foi então, escreve Lívio, que as sabinas (a guerra tinha nascido da violência sofrida por elas) se lançaram entre as armas, de cabelos soltos e roupas rasgadas, pedindo aos pais de um lado e aos maridos do outro que não se manchassem com o sangue de sogros e genros: “Se vos pesa o parentesco entre vós, se vos pesa o casamento, voltai contra nós a vossa ira; nós somos a causa da guerra, nós, das feridas e das mortes de maridos e pais”. Os chefes fizeram a paz e uniram os dois povos numa cidade só, com o governo em Roma; dos sabinos de Cures veio, segundo Lívio, o nome de quirites. Rômulo deu os nomes delas às trinta cúrias em que dividiu o povo, e Lívio anota que a tradição não diz como foram escolhidas as que dariam o nome.
Os trechos entre aspas são de Tito Lívio, e o restante do texto é síntese do Net Love. Tradução dos trechos feita por inteligência artificial (Claude, da Anthropic) para o Net Love, a partir do latim da edição de Robert Seymour Conway e Charles Flamstead Walters (Titi Livi Ab Urbe Condita, tomo I, Oxford, Clarendon Press, 1914, reimpressão de 1936).
Veja também: Rômulo e Remo; Numa Pompílio e a ninfa Egéria; Os Horácios e os Curiácios.
Para conferir
- Tito Lívio, Ab Urbe Condita, prefácio, 6, na edição de R. S. Conway e C. F. Walters (Titi Livi Ab Urbe Condita, tomo I, Oxford, Clarendon Press, 1914), exemplar da reimpressão de 1936 no Internet Archive, folha n45: o aviso de que o que se conta de antes da fundação, ou de quando ela estava para ser fundada, vem mais enfeitado de fábulas de poetas que de registros dos fatos.
- Tito Lívio, Ab Urbe Condita, livro VI, capítulo 1, 1 e 2, na mesma edição, tomo II (Oxford, Clarendon Press, 1919), exemplar da reimpressão de 1965 no Internet Archive, p. 1, folha n32: o que Lívio narrou nos cinco primeiros livros é obscuro pela antiguidade, os escritos eram raros e a maior parte dos registros se perdeu no incêndio da cidade.
- Tito Lívio, Ab Urbe Condita, livro I, capítulos 8 (5 e 6) e 9 a 13, tomo I da mesma edição, folhas n57 a n65: o asilo, a falta de mulheres, a embaixada recusada e a pergunta sobre o asilo de mulheres, as Consuálias de Netuno Equestre, os povos convidados, o rapto, as moças destinadas aos senadores, Talássio, a queixa dos pais, as palavras de Rômulo e dos raptores, Tito Tácio, a guerra com Cenina, o templo de Júpiter Ferétrio, Hersília, Tarpeia e as duas versões, Júpiter Estator, Métio Cúrcio e o lago Cúrcio, a intervenção das sabinas e a fala delas (trecho traduzido, lido na imagem da folha n65), a paz, os quirites e as trinta cúrias.



