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O Missionário, de Inglês de Sousa: o resumo do romance do padre que sai para converter os mundurucus novo

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1.869 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 8 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Inglês de Sousa. A obra é dele e está em domínio público; o autor morreu em 1918. Os trechos citados vêm da segunda edição, de 1899, impressa no Rio de Janeiro (veja A edição, no fim). O romance tem um padre que força uma moça que o acolheu na mata e depois vive com ela escondido, e o resumo conta isso sem detalhe.

O livro

O Missionário se passa no Amazonas, em Silves, uma vila à beira do lago Saracá, e depois nos rios e na mata do sertão de Maués.

O livro tem duas partes bem diferentes.

Na primeira, mostra a vida miúda da vila, com o sacristão, o coletor, o comerciante, o professor que odeia os padres e as beatas.

Na segunda, acompanha o padre numa viagem pelos rios, até a mudança que a mata faz nele.

O vigário novo

Silves espera o vigário novo, o padre António de Moraes, que chega de vapor, recebido com foguetes e sinos.

Ele tem vinte e dois anos, fez brilhantes estudos no seminário do Pará e, segundo se conta na vila, recusou ir estudar fora para vir ser vigário ali.

Quem mais se agita com a chegada é Macário, o sacristão, que por vinte anos serviu o vigário anterior, o padre José, um homem que vivia nos lagos tocando violão e nunca ligou para a igreja.

O padre António encontra a igreja em ruína e decide reformar a paróquia.

O livro conta de onde ele vem.

É filho de um pequeno fazendeiro de Igarapé-Mirim, um homem bruto e egoísta, e de uma mãe triste e submissa.

Cresceu solto no campo, e o narrador lembra essa infância livre:

Montava os bezerros de seis mezes e os poldros de anno e meio.

O Missionário, segunda edição, 1899, volume I, página 88

O padrinho pagou o seminário.

Lá, o rapaz viveu entre a dúvida e a rebeldia, foi castigado com jejum e prisão e acabou se dobrando à disciplina.

Saiu certo de que tinha vencido o próprio temperamento.

O padre que parece um santo

Por um mês, o padre António é o vigário perfeito: missa todo dia, confissão demorada, catecismo, nenhuma fraqueza conhecida.

As mulheres o admiram, e nem a vizinha que lavava a roupa do padre José consegue chamar a atenção dele.

Quem não se conforma é Francisco Fidêncio, o Xico Fidêncio, professor de latim, maçom e inimigo dos padres, que escreve para um jornal de Manaus e procura em vão um defeito no vigário.

Aos poucos, a vila se cansa.

A missa diária pesa, a confissão incomoda os homens, e a colheita da castanha leva o povo para longe.

O padre prepara uma surpresa com o sacristão: no casamento de um moço rico, sobe ao púlpito e faz um sermão sobre o inferno que deixa a igreja inteira chorando e pedindo misericórdia.

O efeito não dura, e o padre cai num desânimo fundo.

Sente que nunca será mais do que um padre de vila esquecido, e que a sua carne de vinte e dois anos não vai resistir para sempre.

A missão

Na porta da loja do comerciante, o coletor e Xico Fidêncio discutem, por causa de um ataque de índios mundurucus, se ainda existem padres que vão catequizar índios, e chamam o vigário para dar a opinião.

O padre responde com uma frase do Evangelho e sai irritado, sentindo-se humilhado.

Pouco depois, o padre António decide ir ao Porto dos Mundurucus pregar aos índios, disposto a morrer por isso.

Ele quer, ao mesmo tempo, salvar a alma e ganhar um nome que não se apague.

Macário fica aterrado, mas acaba aceitando ir junto, para não perder o lugar de sacristão.

Um moço da vila, Totonio Bernardino, que sofria por ter sido separado da moça que amava, pede para ir também e morrer em alguma coisa útil, e o padre recusa.

A viagem

Macário contrata dois remeiros sem contar a eles que o destino são os mundurucus, certo de que a viagem vai parar quando ele quiser.

No lago Canumã, os remeiros fogem de noite com a canoa do padre, levando a roupa e as provisões.

O padre não desiste.

Conserta com breu uma canoa velha, alugada no sítio de um pescador, e segue pelo rio Canumã, remando com o sacristão.

Vêm a fome, a chuva e as noites sem dormir por causa dos mosquitos, e o padre começa a sentir saudade do campo da infância.

Uma canoa de índios atira flechas contra os dois, e eles fogem.

Macário então se recusa a ir adiante e acaba fugindo sozinho na canoa, de volta para Silves.

O padre, sozinho na mata, vê dois homens de terçado na mão saindo do mato, cai de joelhos e espera a morte.

O sítio da Sapucaia

Os dois homens não vêm matá-lo.

São João Pimenta, um velho que tinha sido chefe de uma tribo mundurucu e se batizara, e o neto, Felisberto, que tomam o padre pela alma de um vigário que eles tinham conhecido, o padre João da Matta.

Levam o padre para o sítio onde moram, no furo da Sapucaia, e ali ele passa dias com febre.

O sítio tinha sido feito pelo próprio padre João da Matta, o vigário de Maués, que passava temporadas ali.

Na casa mora também Clarinha, neta de João Pimenta e irmã de Felisberto, afilhada do padre João da Matta, que a ensinou a ler e a escrever.

É ela quem cuida do padre doente.

Enquanto isso, em Silves, Macário conta uma história inventada: o padre teria sido morto pelos índios, e ele teria escapado por milagre.

Até Xico Fidêncio escreve no jornal de Manaus elogiando o padre como um missionário que soube morrer no seu posto.

Totonio Bernardino morre de uma febre que vira doença dos pulmões.

Três meses

Curado, o padre fala em seguir para os mundurucus, mas vai adiando.

Quando João Pimenta viaja para Maués, ele se descobre apaixonado por Clarinha e luta consigo mesmo por noites seguidas.

Quando o velho volta, o padre marca o dia da partida e se orgulha de ter vencido a tentação.

Numa manhã, encontra Clarinha sozinha no cacaual e a agarra à força.

O livro conta isso como um ato do padre, não da moça.

Depois disso, ele passa a viver com ela no sítio, e o livro diz que fica três meses ali, sem pensar mais na missão.

A volta

Felisberto volta de Maués com uma notícia: em Silves todos acreditam que o padre morreu, e o bispo já escolheu outro vigário.

O padre tem medo de que a sua vida no sítio seja descoberta e de perder tudo o que tinha construído.

Quando entende que em Silves ninguém sabe a verdade, decide voltar o quanto antes.

Raspa o bigode, veste de novo a batina e desce os rios no ubá de João Pimenta, com ele, Felisberto e Clarinha.

Num sítio do rio Ramos, encontra o antigo coletor de Silves, agora comerciante dos rios.

Conta a ele que passou três meses entre os índios, pregando e convertendo, o que é mentira.

O coletor lhe dá um jornal de Belém que o elogia como missionário.

O padre planeja deixar Clarinha ali por um tempo e depois num sítio do rio Urubus ou do lago Saracá, para visitá-la em segredo.

Clarinha não gosta do plano.

Ela tinha se entregado sem reserva e não entende por que esconder um amor de que não se envergonha:

Repugnava á sua natureza franca aquella hypocrisia.

O Missionário, segunda edição, 1899, volume II, página 353

Clarinha fica no sítio do rio Ramos, chorando na ponte enquanto o barco se afasta.

O padre segue no ubá com João Pimenta e Felisberto, pensando em deixar Felisberto pelo caminho para não chegar com ele a Silves.

Na cabeça dele, tudo está resolvido:

O passado ficaria sepultado para sempre no esquecimento.

O Missionário, segunda edição, 1899, volume II, página 359

Ele relê o jornal e passa a acreditar na própria versão: não chegou aos índios, mas sofreu e arriscou a vida, e isso bastaria.

O romance termina com o padre no rio, vendo passar um vapor e sonhando com um lugar na catedral de Belém e com a mitra de bispo.

Uma nota sobre a culpa no livro

Este resumo não põe a culpa em Clarinha, e o texto do romance sustenta isso.

A primeira vez é um ato de força do padre.

Quando ele se assusta com a notícia de Silves, chega a sentir raiva da moça e a pensar que foi ela quem o arrastou, mas o livro mostra que quem decide esconder e quem mente é ele.

É o padre que quer guardar a carreira e manter a relação em segredo, e é Clarinha quem não gosta da mentira.

O livro mostra a hipocrisia de uma vila que preferia vigários relaxados e de um padre que guarda a fama de santo enquanto esconde a própria vida.

A edição

O texto lido aqui é o de O Missionario, por H. Inglez de Souza, segunda edição, revista pelo autor e aumentada com um prólogo do Dr. Araripe Junior, Rio de Janeiro, São Paulo e Recife, Laemmert & C., 1899, em dois volumes.

O exemplar é o da Biblioteca Pública de Nova York, digitalizado pelo Google e publicado no Internet Archive.

A última página do romance traz a data Praia do Embaré, abril de 1888.

A folha de rosto diz que esta é a segunda edição, e a página não diz onde nem quando saiu a primeira, porque isso não foi conferido aqui.

Faltam na digitalização as páginas 42 e 43 do primeiro volume, onde começa o capítulo I, e o resumo não usa nada delas.

Lemos o enredo no texto reconhecido por máquina desse arquivo, página por página, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página e conferido nesse texto.

A grafia é a da edição ("machiavelismo", "Mundurucania").

O texto reconhecido por máquina tem erros de acento e de letra em muitas páginas, e por isso só citamos frases em que ele bate letra por letra com a imagem.

Leia o volume I e o volume II, na segunda edição, de 1899, da Laemmert & C., no exemplar da Biblioteca Pública de Nova York digitalizado e publicado no Internet Archive. É dessa digitalização que saem os trechos citados aqui, copiados das imagens das páginas, com a grafia da edição. O acervo da Net Love tem este resumo, não o romance inteiro. A obra está em domínio público.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são O Seminarista, O Crime do Padre Amaro, O Mulato e O Cortiço.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o romance. A obra é de Inglês de Sousa. Os trechos citados vêm da segunda edição, de 1899, da Laemmert & C.: os trechos em bloco saíram do volume I, página 88, e do volume II, páginas 353 e 359, todos copiados da imagem da página e conferidos no texto reconhecido por máquina. As citações não trazem travessão de diálogo.