O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós: o resumo do romance do padre novo em Leiria novo
Resumo escrito para o acervo Net Love em 30 de setembro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Eça de Queirós. A obra é dele e está em domínio público no Brasil: o autor morreu em 1900, e o prazo de setenta anos contados do ano seguinte à morte, do artigo 41 da Lei 9.610 de 1998, passou há muito tempo. O romance teve três versões: a de 1875, na Revista Ocidental; a de 1876, primeira edição em livro; e a versão refundida de 1880, que o autor reescreveu quase toda. O texto que lemos e citamos é o do Projeto Gutenberg, feito de uma impressão de 1889 que a folha de rosto chama de terceira edição, "inteiramente refundida"; nós não a comparamos com o impresso de 1880. A grafia é a portuguesa da época, e não mexemos nela. O livro tem uma gravidez escondida e duas mortes no fim, a de Amélia e a de uma criança; o resumo conta as duas sem descrição. As figuras deste texto foram geradas por inteligência artificial em 2026.
A chegada
O livro começa com uma morte na cidade.
Foi no domingo de Paschoa que se soube em Leiria que o parocho da Sé, José Migueis, tinha morrido de madrugada com uma apoplexia.
O Crime do Padre Amaro, capítulo 1
Para o lugar dele vem um padre novo, Amaro Vieira.
Em Leiria, só uma pessoa o conhece: o cônego Dias, que foi professor dele no seminário.
O cônego arranja para Amaro um quarto na casa de uma velha amiga dele.
A S. Joanneira morava na rua da Misericordia e recebia hospedes.
O Crime do Padre Amaro, capítulo 1
A S. Joaneira tem uma filha, Amélia, que o livro apresenta como uma moça de vinte e três anos.
À noite, a sala da casa recebe um grupo fixo: o cônego, senhoras muito devotas, outros padres da cidade.
Amélia tem um pretendente, João Eduardo, escrevente de cartório.
Quem é Amaro
O capítulo 3 volta atrás e conta a vida de Amaro.
Amaro Vieira nascera em Lisboa em casa da senhora marqueza d'Alegros.
O Crime do Padre Amaro, capítulo 3
Os pais dele eram criados da marquesa.
Ele fica órfão aos seis anos, e a marquesa deixa dinheiro para que ele entre no seminário e se ordene.
O livro diz que ninguém consultou a vocação dele.
A primeira paróquia dele é Feirão, na serra, onde ele passa um inverno sozinho, "só, com pastores".
Para conseguir uma paróquia melhor, ele procura uma filha da marquesa, casada com o conde de Ribamar, político influente que já tinha sido ministro duas vezes.

Amaro e Amélia
Amaro e Amélia se aproximam na convivência da casa.
Depois de um primeiro momento a sós entre os dois, Amaro se assusta e decide sair da casa da S. Joaneira.
Ele passa a morar sozinho e, depois de um tempo afastado, volta a frequentar os serões da rua da Misericórdia.
João Eduardo percebe o que está acontecendo e tem raiva dos padres.
Ele escreve um artigo contra o clero de Leiria, que sai no jornal Voz do Distrito como um comunicado, assinado "Um liberal".
A autoria acaba descoberta.
Amélia rompe o noivado por carta, e João Eduardo fica sem saída.
Um dia, na rua, perto da Sé, ele dá um murro no ombro de Amaro e é detido na hora.
Amaro pede que não se dê andamento ao caso, e João Eduardo é solto.
Mais tarde, ele some de Leiria.
Amaro e Amélia passam a se encontrar às escondidas na casa do sineiro, o tio Esguelhas, que fica atrás da Sé.
Lá também vive a filha do sineiro, Totó, que não anda e passa os dias de cama.
O livro diz:
Foi aquelle o periodo mais feliz da vida de Amaro.
O Crime do Padre Amaro, capítulo 17
A gravidez
Um dia, Amaro entra no escritório do cônego Dias transtornado e diz: "A rapariga está gravida!"
A primeira ideia do cônego é casar Amélia com o antigo noivo: "Então é casal-a com o escrevente!"
Mas João Eduardo desapareceu, e ninguém sabe dizer para onde foi.
Amélia sofre com a notícia, e Amaro diz a ela que não pode casar com ela.
O plano passa a ser esconder tudo.
Amélia vai para a Ricoça, a quinta do cônego nos Poiais, com D. Josefa, a irmã do cônego, que é madrinha dela.
Durante esse tempo, ela procura o abade Ferrão, o padre da freguesia, para se confessar.
Amaro mantém a casa em Leiria, passa uma temporada na Vieira e visita a Ricoça, e Dionísia, uma mulher da cidade que sabe de tudo o que se passa no distrito, leva recados entre os dois.

A criança
Perto do parto, Amaro precisa decidir o que fazer com a criança.
Dionísia fala a ele de uma mulher da Barrosa, Carlota, e do nome que dão a ela: "tecedeira d'anjos".
Segundo Dionísia, as crianças deixadas com essas mulheres não sobrevivem.
Amaro hesita entre duas amas: uma boa ama dos Poiais e Carlota.
Ele vai à casa de Carlota e paga um ano adiantado.
A criança nasce na Ricoça, e na mesma noite é levada para a casa de Carlota.
Ao entregar o filho, Amaro muda de ideia e diz a Carlota: "Olhe que o não quero morto".
Na madrugada seguinte, Amélia morre na Ricoça, e Amaro recebe a notícia pela manhã.
Amaro vai à Barrosa buscar o filho, e Carlota diz que a criança morreu.
O livro conta essas duas mortes, e este resumo não as descreve.
Amaro escreve ao cônego que vai embora de Leiria, e vai.
Amélia é enterrada no cemitério dos Poiais.
O fim, em Lisboa
O último capítulo pula para outra cidade e outra data.
Nos fins de maio de 1871 havia grande alvoroço na Casa Havaneza, ao Chiado, em Lisboa.
O Crime do Padre Amaro, capítulo 25
As notícias da Comuna de Paris enchem a rua.
Amaro, agora pároco de Santo Tirso, está em Lisboa para pedir ao conde de Ribamar a transferência para Vila Franca.
Ele encontra o cônego Dias, e os dois conversam sobre Leiria.
O cônego conta que a S. Joaneira está doente e que João Eduardo continua nos Poiais.
Os dois lembram os serões da rua da Misericórdia e Amélia, "que agora lá dormia, no cemiterio dos Poyaes".
Depois, o conde de Ribamar se junta a eles, e os três falam de política, perto da estátua de Camões.
O livro fecha com os três olhando a praça, diante do monumento:
sob o frio olhar de bronze do velho poeta, erecto e nobre, com os seus largos hombros de cavalleiro forte, a epopeia sobre o coração, a espada firme, cercado dos chronistas e dos poetas heroicos da antiga patria
O Crime do Padre Amaro, capítulo 25
O romance termina sem contar punição da justiça ou da Igreja para Amaro.

Uma nota sobre a crítica do livro
O subtítulo do romance é "scenas da vida devota", e o livro retrata com dureza os padres de Leiria e o círculo de devotas em volta deles.
Essa crítica é do livro e do narrador; o resumo a registra como do livro e não faz juízo sobre religião nenhuma.
As opiniões das personagens sobre honra, escândalo e pecado são das personagens e do tempo, e não as tomamos como fato.
A transcrição
O texto do Projeto Gutenberg vem de imagens da Biblioteca Nacional de Portugal, de uma impressão do Porto, da Livraria Chardron, de 1889.
A folha de rosto diz que o texto é "differente na fórma e na acção da edição primitiva".
No fim, o romance traz a data em que foi reescrito: outubro de 1878 a outubro de 1879.
A impressão pula o numeral XI: os capítulos vão do I ao X e do XII ao XXVI, sem falta de texto, como os revisores do Gutenberg anotam.
Por isso são 25 capítulos, e os números de capítulo deste resumo seguem a ordem, de 1 a 25.
Os nomes aparecem aqui na grafia de hoje (Poiais); no livro são "S. Joanneira", "Dionysia", "Poyaes".
Os revisores do Gutenberg corrigiram erros de tipografia e listaram cada um no fim do arquivo; o resto da grafia é a da época.
Leia o romance inteiro, no Projeto Gutenberg, que transcreve uma impressão de 1889 que se diz terceira edição, inteiramente refundida. É dessa mesma transcrição que saem os trechos citados aqui, com a grafia dela. O Crime do Padre Amaro não está no acervo da Net Love. A obra está em domínio público no Brasil.
Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são O Primo Basílio, Os Maias, A Cidade e as Serras, O Seminarista e Dom Casmurro.
Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o livro. A obra é de Eça de Queirós. Os trechos citados vêm do Projeto Gutenberg, feito de uma impressão de 1889 que se diz terceira edição, inteiramente refundida: os trechos em bloco saíram dos capítulos 1, 3, 17 e 25, contados na ordem, e as citações curtas entre aspas também foram conferidas no texto. A grafia da fonte não foi atualizada. As citações em bloco não trazem travessão de diálogo, e nenhuma citação descreve o parto ou as mortes do fim.
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