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O Seminarista, de Bernardo Guimarães: o resumo do romance de Eugênio e Margarida

Resumo escrito para o acervo Net Love em 30 de setembro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Bernardo Guimarães. A obra é dele, saiu em 1872, e está em domínio público no Brasil desde 1º de janeiro de 1955, setenta anos contados do primeiro dia do ano seguinte à morte do autor, em 1884, como manda o artigo 41 da Lei 9.610 de 1998. O texto que lemos e citamos é a transcrição da Wikisource em português, feita da edição de 1875 (Rio de Janeiro, H. Garnier), uma página para cada um dos vinte e quatro capítulos. A grafia da transcrição é quase toda a de hoje, com o trema de antes, e um trecho do capítulo 9 está na grafia antiga, com formas como "fallar" e "villa"; nós não mexemos em nada. Na casa dos Antunes há pessoas escravizadas; a escravidão foi crime e violência contra pessoas, amparada pelas leis da época. O livro fala de fé, de celibato e de vocação: as opiniões sobre o celibato e sobre a educação no seminário são do narrador, e o resumo as apresenta como dele. O fim do romance tem uma morte e a loucura de Eugênio; o resumo conta os dois sem descrição. As figuras deste texto foram geradas por inteligência artificial em 2026.

Dois meninos debaixo das paineiras

O livro começa perto da antiga vila de Tamanduá, na província de Minas Gerais.

O narrador diz que a história se passa "há de haver quarenta anos".

Numa casinha pobre, perto de uma ponte e de duas paineiras, mora Margarida.

Era uma bela tarde de janeiro. Dois meninos brincavam à sombra das paineiras: um rapazinho de doze a treze anos e uma menina, que parecia ser pouco mais nova do que ele.

O Seminarista, capítulo 1

O menino é Eugênio.

Ele conta a Margarida que vai estudar para padre em Congonhas.

Ela pede que ele seja o primeiro padre a ouvir a confissão dela, e ele jura que ela será a primeira pessoa que ele vai confessar.

Essa promessa volta no fim do livro.

As duas famílias

Eugênio era filho do capitão Francisco Antunes, fazendeiro de medianas posses.

O Seminarista, capítulo 2

Margarida é filha de Umbelina, viúva de um alferes que morreu nas guerras do Rio Grande do Sul.

Os Antunes são padrinhos da menina e deixam mãe e filha morar numa casinha nas terras da fazenda, onde Umbelina vende quitandas à beira da estrada.

Quando Margarida tem dois anos, Eugênio a encontra brincando com uma jararaca, e a cobra vai embora sem fazer mal a ela.

Umbelina vê nisso um milagre.

A senhora Antunes vê um mau sinal, que ela mesma não sabe explicar.

Os dois crescem juntos.

Eugênio ensina Margarida a ler, e os pais passam a chamar o filho de "mestrinho".

Ele gosta de rezar diante de um pequeno oratório, e os pais decidem o futuro dele:

Em vista de tudo isto os pais entenderam que o menino tinha nascido para padre, e que não deviam desprezar tão bela vocação.

O Seminarista, capítulo 3

Na véspera da partida, Eugênio e Margarida são encontrados abraçados debaixo das paineiras, chorando.

Quem é quem em O Seminarista. Eugênio, filho do capitão Francisco Antunes, que os pais mandam estudar para padre no seminário de Congonhas do Campo. Margarida, filha de Umbelina e afilhada dos Antunes, criada junto com Eugênio. O capitão Francisco Antunes e a senhora Antunes, os pais, que querem o filho padre; a mãe vê um mau sinal na cobra da infância de Margarida. Umbelina, viúva de um alferes, que vende quitandas à beira da estrada. Luciano, tropeiro, que gosta de Margarida e provoca Eugênio no mutirão. O padre-mestre diretor do seminário, que castiga os versos e dá a notícia do casamento. O padre Jerônimo Gonçalves de Macedo, que faz o sermão sobre a castidade. A parenta velha com quem Margarida mora em Tamanduá e que manda chamar um padre. Na fazenda dos Antunes há pessoas escravizadas, como Josefa, que quase não têm voz no livro.
Quem é quem em O Seminarista. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

O seminário de Congonhas

Eugênio vai para o seminário de Congonhas do Campo, que fica atrás da capela do Bom Jesus.

Os padres são da Congregação da Missão, de São Vicente de Paulo.

Ele se torna um aluno exemplar, mas não esquece Margarida.

Aos quinze anos, escreve versos e uma carta para ela, que ele nunca manda.

O regente encontra os papéis e os leva ao padre-mestre diretor.

O diretor chama aquilo de hipocrisia, manda Eugênio queimar os papéis com as próprias mãos e passa jejuns e penitências.

Eugênio obedece tanto que fica magro, pálido e calado.

O narrador comenta o que vê, e o comentário é dele:

Fatal e deplorável poderio do fanatismo sobre um espírito novel e exaltado, acessível a todas as alucinações!

O Seminarista, capítulo 7

As férias

Depois de quatro anos sem ir para casa, a mãe consegue que os padres o deixem passar as férias na fazenda.

Eugênio encontra Margarida já moça e mal consegue falar com ela.

No dia seguinte, os dois voltam às paineiras.

Eugênio reparou para o tronco das duas paineiras, e viu neles entalhados em um a letra E, e no outro a letra M.

O Seminarista, capítulo 9

Foi Margarida quem gravou as letras.

Ele diz que não quer mais ser padre.

Ela conta que tem medo de virar "mula-sem-cabeça", como diz a crença do lugar sobre a mulher que gosta de um padre, e ele promete que não vai se ordenar.

Os dois juram que vão ficar juntos quando ele terminar os estudos.

A mãe proíbe as visitas, e Eugênio passa a sair de noite para ver Margarida na janela da casa dela.

Numa festa de mutirão na casa de Umbelina, um tropeiro chamado Luciano, que gosta de Margarida, provoca Eugênio.

Um homem da vila defende o rapaz, Umbelina enfrenta Luciano, e ele sai da festa debaixo de vaias.

O pai fica sabendo, e Eugênio confessa a ele que não quer ser padre.

O capitão Antunes culpa Margarida e manda o filho de volta ao seminário, para voltar só depois de ordenado.

Na última noite, os dois se despedem na janela, e ele promete de novo que nunca será padre.

A notícia falsa

De volta a Congonhas, Eugênio vive triste.

Quase um ano depois, o diretor passa a chamá-lo para conversas, e ele responde sempre a mesma coisa:

Bem vejo que tudo quanto V. Rma. me propõe é justo, razoável e salutar; quero fazer tudo quanto me aconselha; mas há uma força superior à minha vontade, um poder contra o qual vão quebrar-se todos os meus esforços. Não posso.

O Seminarista, capítulo 15

Os padres escrevem ao pai e aconselham casar Margarida com outro.

Os Antunes tentam casá-la com Luciano, mas ela não aceita:

Margarida resistiu inabalável a todos os conselhos, exortações, repreensões, desenganos, promessas e até às ameaças de maldição por parte de seus padrinhos e recusou-se obstinadamente a aceitar marido fosse ele qual fosse.

O Seminarista, capítulo 16

Então o capitão e a mulher expulsam Umbelina e a filha da fazenda.

No seminário, Eugênio volta à devoção e fica dividido.

O narrador diz o que pensa do celibato, e a opinião é dele:

somente uma lei meramente convencional, impondo o celibato como um preceito imperativo, podia levantar entre eles esse odioso antagonismo, contra o qual a razão protesta e revolta-se o coração.

O Seminarista, capítulo 17

Mais tarde, Eugênio ouve um sermão sobre a castidade, feito pelo padre Jerônimo Gonçalves de Macedo a pedido dos padres de Congonhas, que já sabiam da história dele.

O sermão fala da serpente e de Eva, e ele se lembra da cobra da infância de Margarida.

Poucos dias depois, sonha que ela, como um anjo, aponta para o altar, e entende que ela morreu.

Quando já está decidido a se ordenar, o diretor conta que recebeu uma carta do pai: Margarida "casou-se".

Eugênio passa dias de desespero e de ciúme, e depois cai num desânimo profundo.

Ele se ordena.

Margarida em Tamanduá

Expulsas da fazenda, Umbelina e Margarida vão morar na vila de Tamanduá com uma parenta velha.

Margarida sustenta a casa costurando, lavando e engomando.

Recusa os homens que a procuram.

Ela já sofre de um mal do coração.

Umbelina morre.

Poucos meses depois da morte de Umbelina, chegou aos ouvidos de Margarida a notícia, de que Eugênio havia tomado ordens.

O Seminarista, capítulo 20

A doença de Margarida se agrava de repente.

Numa tarde, sente que vai morrer e pede um padre para se confessar.

A volta do padre Eugênio

Nesse mesmo dia, Eugênio chega à vila, depois de passar a noite na fazenda dos pais.

Ele esteve longe por sete anos.

Era o padre Eugênio, filho do capitão Antunes, que acabava de chegar a Tamanduá investido de todas as ordens sacras e precedido de uma grande reputação de sabedoria e santidade.

O Seminarista, capítulo 21

Ele veio para visitar os pais e dizer uma missa, e pretende voltar ao seminário em uns quinze dias.

No caminho, o pai diz que Umbelina morreu e que a filha casou.

À noite, um rapazinho vem pedir um padre para confessar uma pessoa à morte, porque o vigário foi fazer um batizado longe e só volta depois de amanhã.

Eugênio vai.

A doente é Margarida.

Os dois se reconhecem.

Ele pergunta pelo marido, e ela conta que nunca casou:

Não; nunca!... quiseram casar-me, isso sim; mas eu nunca quis... Meu Deus! por que haviam de enganá-lo assim?...

O Seminarista, capítulo 22

Eugênio entende que o pai mentiu.

No capítulo seguinte, ao contar a revolta dele, o narrador diz que o pai fez isso "decerto de conivência com os padres de Congonhas".

O livro não mostra como isso teria sido combinado.

Margarida lembra a promessa de criança: ele seria o primeiro padre a confessá-la.

Ele sai perturbado e promete voltar no dia seguinte.

Durante a noite, ele decide não voltar.

No dia seguinte, anda pela vila e acaba na porta dela.

Margarida amanheceu melhor.

Os dois estão sozinhos na casa, e o capítulo termina dando a entender que eles se entregam um ao outro.

A linha do tempo, com os capítulos. Capítulos 1 a 3: a infância perto da vila de Tamanduá e a despedida antes da partida para o seminário, com uns doze a treze anos. Capítulos 4 a 7: o seminário, os versos para Margarida, aos quinze anos, e o castigo. Capítulos 8 a 14: as férias depois de quatro anos, as letras E e M nas paineiras, as noites na janela, o mutirão e a despedida antes da volta. Capítulos 15 a 19: a volta ao seminário, a expulsão de Umbelina e Margarida, o sermão, o sonho e a notícia falsa do casamento. Capítulos 20 e 21: a morte de Umbelina, Eugênio ordenado e a volta, sete anos depois. Capítulos 22 e 23: as duas visitas a Margarida, que nunca casou. Capítulo 24: o domingo da primeira missa.
Da tarde de janeiro debaixo das paineiras ao domingo da primeira missa. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

O fim

No dia seguinte, que era um domingo, o padre Eugênio tinha de dizer a sua primeira missa na vila de Tamanduá.

O Seminarista, capítulo 24

O pai prepara uma grande festa.

O narrador conta um boato do povo: "dizem que" os sinos tocaram sozinhos quando ele entrou na igreja.

Antes da missa, uma velha pede que ele encomende o corpo de uma mulher que vai ser enterrada.

É Margarida.

Ele faz a encomendação quase sem saber o que faz.

Na hora da missa, antes de começar, diante dos pais e da vila, ele tira os paramentos, joga tudo aos pés do altar e sai correndo da igreja.

A última frase do livro diz que ele "Estava louco".

O livro não descreve a morte de Margarida, nem conta o que foi feito de Eugênio depois disso.

A cobra que volta, capítulo por capítulo. Capítulo 2: Margarida, com dois anos, brinca com uma jararaca que não lhe faz mal; a senhora Antunes vê nisso um mau sinal. Capítulo 7: o diretor fala da serpente do paraíso, e Eugênio se lembra da cobra. Capítulo 10: a mãe se convence de que a cobra era o demônio. Capítulo 18: o sermão sobre a castidade fala de Eva e da serpente. Capítulo 19: Eugênio, achando que Margarida casou, chama a moça de serpente. Capítulo 23: a mãe diz ao marido que o que aflige o filho é a serpente. A figura mostra onde a imagem aparece e não diz o que ela significa.
A cobra da infância de Margarida, do capítulo 2 ao 23. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

Uma nota sobre 1872

O romance mostra pais que decidem a profissão do filho sem perguntar a ele e tentam casar a afilhada com quem eles escolhem.

O narrador critica abertamente o celibato obrigatório e a educação do seminário.

Essas são as opiniões dele, escritas em 1872; o resumo não as toma como fato, nem toma partido sobre a fé.

A cobra da infância aparece de novo várias vezes, na boca da mãe, do diretor, do pregador e do próprio Eugênio, como se fosse a serpente do paraíso; é uma imagem que o livro repete, e nós só registramos onde ela aparece.

Na fazenda dos Antunes trabalham pessoas escravizadas, e o livro quase não dá voz a elas.

Ao contar o desprezo de Luciano pelos outros rapazes da festa, o narrador repete o ponto de vista racista dele, com a expressão "gente de cor".

Registramos isso como está no texto, sem corrigir as palavras.

A transcrição

A Wikisource declara a edição de onde tirou o texto: Rio de Janeiro, H. Garnier Livreiro Editor, 1875, com o fac-símile.

A maior parte está na grafia de hoje, com o trema de antes ("tranqüilamente"), e um trecho do capítulo 9 está na grafia antiga, com "Eugenio" sem acento.

A transcrição tem alguns erros de digitação, como "abertaç" e "sicenciosamente" no capítulo 21, e nós não mexemos neles.

Neste resumo, usamos os nomes como o resto do livro dá.

Leia o romance inteiro, na transcrição publicada pela Wikisource em português, com os 24 capítulos em páginas separadas, feita da edição de 1875. É dessa mesma transcrição que saem os trechos citados aqui, com a grafia dela. O Seminarista não está no acervo da Net Love. A obra está em domínio público no Brasil desde 1955.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são A Escrava Isaura, Inocência, Senhora, Iracema e O Primo Basílio.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o livro. A obra é de Bernardo Guimarães. Os trechos citados vêm da transcrição da Wikisource em português, feita da edição de 1875, e saíram dos capítulos 1, 2, 3, 7, 9, 15, 16, 17, 20, 21, 22 e 24. A grafia da fonte não foi atualizada. As citações não trazem travessão de diálogo, e nenhuma descreve a morte nem a loucura do fim. A nota sobre 1872 foi escrita aqui e não cita nenhum crítico.