Inocência, de Visconde de Taunay: o resumo do romance do sertão de Sant'Ana do Paranaíba
Resumo escrito para o acervo Net Love em 30 de setembro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Visconde de Taunay. A obra é dele, Alfredo d'Escragnolle Taunay, saiu em 1872, e está em domínio público no Brasil desde 1º de janeiro de 1970, setenta anos contados do primeiro dia do ano seguinte à morte do autor, em 1899, como manda o artigo 41 da Lei 9.610 de 1998. O texto que lemos e citamos é a transcrição da Wikisource em português, uma página para cada um dos trinta capítulos e outra para o epílogo. A Wikisource não diz de que edição a transcrição foi feita, e por isso não dizemos também. A grafia da transcrição é quase toda a de hoje, com trechos na grafia antiga, como "Cyrino" e "villa", e nós não mexemos em nada. Na casa de Pereira há pessoas escravizadas; a escravidão foi crime e violência contra pessoas, amparada pelas leis da época. O romance tem violência de um pai contra a filha e um assassinato; o resumo conta os dois sem descrição. As figuras deste texto foram geradas por inteligência artificial em 2026.
Um viajante no sertão
O livro começa pela estrada que sai da Vila de Sant'Ana do Paranaíba e atravessa o sul da província de Mato Grosso até Camapuã.
Depois da última casa, diz o narrador:
Ali começa o sertão chamado bruto.
Inocência, capítulo 1
A história começa numa data exata:
O dia 15 de julho de 1860 era dia claro, sereno e fresco, como costumam ser os chamados de inverno no interior do Brasil.
Inocência, capítulo 2
Nessa estrada vai Cirino Ferreira de Campos, de uns vinte e cinco anos.
Nasceu em Casa Branca, na província de São Paulo, e foi criado em Ouro Preto.
Estudou no Colégio do Caraça, trabalhou numa botica e aprendeu a receitar com um livro de medicina popular, o Chernoviz, que leva sempre consigo.
Não chegou a tirar a carta de boticário.
O narrador diz o que ele é:
Curandeiro, simples curandeiro, ia por toda a parte granjeando o tratamento de doutor, que gradualmente lhe foi parecendo, a si próprio, titulo inerente a sua pessoa e a que tinha incontestável direito.
Inocência, capítulo 3
No caminho, ele encontra um mineiro falador, Martinho dos Santos Pereira.
Pereira tem uma filha doente de maleita e leva Cirino para casa.
Cirino conta que deixou para trás uma dívida de jogo de trezentos mil-réis.
A casa de Pereira
Antes de deixar Cirino entrar no quarto da filha, Pereira explica as regras da casa.
A filha se chama Inocência, e o pai a chama de Nocência.
Ele conta que ela fez 18 anos no Natal e que já está prometida a Manecão Doca, um homem que leva gado pelo sertão.
Pereira diz que não confia em mulher nenhuma e pede a Cirino que veja a doente e não olhe para ela.
O próprio narrador comenta essas ideias:
Esta opinião injuriosa sobre as mulheres é em geral corrente nos nossos sertões
Inocência, capítulo 5
Cirino responde que não pensa assim:
No meu parecer, as mulheres são tão boas como nós, se não melhores
Inocência, capítulo 5
No quarto, à luz de uma vela, ele vê a moça:
Apesar de bastante descorada e um tanto magra, era Inocência de beleza deslumbrante.
Inocência, capítulo 6
Perto dela fica Tico, um rapaz muito pequeno, a quem o livro chama de anão.
Tico quase não fala, entende tudo e anda sozinho pelo sertão.
Ele vive ao lado de Inocência.

O alemão das borboletas
Perto da meia-noite chega outro hóspede: Meyer, um naturalista da Saxônia, com o camarada José Pinho, que ele chama de Juque.
Meyer viaja pelo sertão recolhendo borboletas e outros insetos para o governo do país dele.
Traz uma carta do irmão mais velho de Pereira, de quem ele não tinha notícia havia anos, pedindo que o recebesse como se fosse o próprio irmão.
Pereira jura hospitalidade.
Quando Pereira apresenta a filha a Meyer, o alemão elogia a beleza dela em voz alta.
Daí em diante, Pereira concentra as desconfianças em Meyer.
Vigia o alemão o dia inteiro, leva Meyer para longe de casa e faz de Cirino o seu confidente.
Enquanto isso, Cirino dá os remédios a Inocência, e os dois se apaixonam.
Cirino também atende doentes da região, como Coelho, a quem cobra cem mil-réis, e Garcia, que tem lepra e diz que vai embora para as terras de São Paulo.
As conversas na janela
Com a moça curada, Cirino não tem mais motivo para vê-la.
Uma noite, ele a encontra na janela do quarto, e os dois se declaram.
Ela pergunta, sem entender o que sente: "pois amor é sofrimento?" (capítulo 18).
A conversa é interrompida por um assobio e por uma pedra que passa perto da cabeça de Cirino.
Eles não sabem de onde veio.
Nas noites seguintes, voltam a se ver.
Inocência nunca aprendeu a ler, e Cirino não pode mandar carta.
A borboleta
Um dia, Pereira chama Cirino para conversar longe de casa.
Conta que Meyer achou uma borboleta nova e disse que vai dar a ela o nome da filha dele.
Pereira toma isso como ofensa.
Na mesma conversa, Cirino tenta dizer que a filha talvez não goste do noivo.
Pereira se irrita e pergunta se ele está doido.
De volta à casa, Meyer mostra a borboleta, com as asas superiores brancas e as inferiores de um azul metálico, e anuncia o nome:
Denominei-a logo, Papilio Innocentia, em honra à filha do Sr. Pereira, de quem tenho recebido tão bom tratamento.
Inocência, capítulo 21
Poucos dias depois, Meyer vai embora para seguir viagem, e ainda volta pela estrada só para mandar uma despedida à moça.
Com ele longe, Pereira passa a dormir dentro de casa, e as conversas na janela ficam impossíveis.
O padrinho
Numa madrugada, Inocência encontra Cirino perto de um córrego, além do laranjal.
Ele propõe fugirem a cavalo até Uberaba e casarem lá.
Ela recusa, com medo da maldição do pai:
Antes a desgraça para toda a existência... mas fique eu sendo o que meu nome diz que sou...
Inocência, capítulo 23
Ela lembra o padrinho, Antônio Cesário, que mora em Minas, perto da fazenda do Pauda.
Pereira deve favores de dinheiro a ele e faz o que ele manda.
Cirino decide ir até lá pedir ajuda.
Na despedida, soam de novo o assobio e uma risada no laranjal.
Depois, Cirino vê alguém cair de uma laranjeira e fugir correndo.
Pereira manda atirar, sem saber em quem.
A caminho, na Vila de Sant'Ana, Cirino vê Manecão pela primeira vez.
Atravessa o rio Paranaíba e chega à casa de Cesário no quarto dia.
Cirino conta tudo e jura que Inocência é pura.
Cesário responde que a palavra dada não volta atrás:
Minha afilhada pertence tanto a Manecão, como uma garrucha ou um guampo lavrado que Pereira lhe tivesse dado...
Inocência, capítulo 28
Cirino insiste e lembra o dever do padrinho com a afilhada.
Cesário promete pensar dois dias.
Se ele aparecer na vila em até oito dias, os dois irão juntos falar com Pereira.
Se não aparecer, Cirino terá de desistir dela para sempre.
Inocência diz não
Enquanto isso, Manecão chega à casa de Pereira para marcar o casamento.
Inocência se assusta ao vê-lo, volta para o quarto e quase não sai mais dele.
Para escapar, ela inventa um sonho em que a mãe, que morreu quando ela era pequena, pedia que o casamento não se fizesse, e depois confessa que era mentira.
O pai ameaça matá-la se ela não receber bem o noivo.
Diante de Pereira e de Manecão, Inocência recusa o casamento.
O pai a joga contra a parede, e ela se machuca na testa.
Pereira acha que a culpa é de Meyer e quer ir atrás do alemão.
Manecão diz que isso é assunto dele.
Então Tico revela tudo, com gestos, sons e uma palavra dita com esforço: quem ia à janela era Cirino.
Ele mostra o lugar do laranjal de onde viu tudo e o galho que quebrou quando caiu.
Manecão parte para a vila atrás de Cirino.

O fim
Por três dias, Manecão segue Cirino sem ser visto.
Cirino sai todo dia pela estrada à espera de Cesário, que não chega.
Com o prazo quase vencido, Manecão o alcança na estrada, depois do rio, e atira nele.
Caído, Cirino primeiro amaldiçoa o assassino e depois o perdoa:
Manecão... eu te perdôo... por Cristo... que morreu... na cruz, para nos salvar... eu te perdôo...
Inocência, capítulo 30
Manecão foge quando ouve alguém chegando.
Quem chega é Cesário.
Cirino não diz quem atirou.
Pede que ele pague a dívida de jogo, dê cinquenta mil-réis a cada camarada e, depois das missas por ele, dê o resto aos pobres, sobretudo aos doentes de lepra.
E pede que não deixe Inocência casar com Manecão.
Cesário promete.
Cirino morre chamando o nome dela, e Cesário o enterra ali mesmo, com uma cruz de paus amarrados com cipó.
O epílogo, em Magdeburgo
No dia 18 de agosto de 1863, a Sociedade Geral Entomológica de Magdeburgo, na Alemanha, faz uma sessão solene para receber Meyer.
No dia seguinte, um jornal conta que a peça mais admirada da coleção dele é a borboleta com o nome da moça.
O jornal escreve "Papilo Innocentia", sem o "i" que a mesma transcrição traz no capítulo 21.
O livro termina com a notícia sobre ela:
Exatamente nesse dia fazia dois anos que o seu gentil corpo fora entregue à terra, no imenso sertão de Sant'Ana do Paranaíba, para aí dormir o sono da eternidade.
Inocência, epílogo
O livro não conta como Inocência morreu, nem o que foi feito de Manecão.

Uma nota sobre 1872
O romance mostra um sertão onde o pai decide o casamento da filha sem perguntar a ela, e onde a palavra dada vale mais que a vontade da noiva.
O narrador chama essa opinião sobre as mulheres de "injuriosa", e Cirino diz que não pensa assim.
Na casa de Pereira trabalham pessoas escravizadas, como Maria Conga, e o livro quase não dá voz a elas.
Tico é descrito com palavras da época, como "anão" e "homúnculo", e é quem revela tudo, com gestos, sons e uma palavra dita com esforço.
Registramos isso como está no texto, sem corrigir as palavras.
A transcrição
A Wikisource não informa a edição de onde tirou o texto.
A maior parte está na grafia de hoje, com o trema de antes ("tranqüilo"), e alguns trechos estão na grafia antiga, como o começo do capítulo 1 e um pedaço do capítulo 10, onde se lê "Cyrino".
No capítulo 14 aparece uma vez "Tiro" no lugar de Tico, o nome que o resto do texto usa.
Neste resumo, usamos os nomes como o resto do livro dá.
Leia o romance inteiro, na transcrição publicada pela Wikisource em português, com os 30 capítulos e o epílogo em páginas separadas. A Wikisource não diz de que edição ela foi feita. É dessa mesma transcrição que saem os trechos citados aqui, com a grafia dela. Inocência não está no acervo da Net Love. A obra está em domínio público no Brasil desde 1970.
Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Iracema, O Guarani, Senhora, A Moreninha e A Escrava Isaura.
Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o livro. A obra é de Visconde de Taunay. Os trechos citados vêm da transcrição da Wikisource em português, que não declara a edição, e saíram dos capítulos 1, 2, 3, 5, 6, 18, 21, 23, 28 e 30 e do epílogo. A grafia da fonte não foi atualizada. As citações não trazem travessão de diálogo, e nenhuma descreve a violência. A nota sobre 1872 foi escrita aqui e não cita nenhum crítico.
Continue em Resumos de Livros
- O Mulato, de Aluísio Azevedo: o resumo do romance de São Luís do Maranhão1.966 palavras
- O Seminarista, de Bernardo Guimarães: o resumo do romance de Eugênio e Margarida2.179 palavras
- Memorial de Aires, de Machado de Assis: o resumo do diário de um diplomata aposentado2.200 palavras



