Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco: o resumo do romance de Simão, Teresa e Mariana novo
Resumo escrito para o acervo Net Love em 30 de setembro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Camilo Castelo Branco. A obra é dele, saiu em livro em 1862, no Porto, e está em domínio público no Brasil: o autor morreu em 1890, e os setenta anos contados do primeiro dia do ano seguinte à morte, como manda o artigo 41 da Lei 9.610 de 1998, terminaram no fim de 1960. O texto que lemos e citamos é a transcrição da Wikisource em português, feita da edição de 1862 (Porto, N. Moré), com a grafia de época, que nós não mexemos. O livro tem mortes violentas, e no fim uma personagem tira a própria vida; o resumo conta isso sem detalhe e sem tratar a morte como prova ou prêmio do amor. Se você está sofrendo, o CVV atende pelo telefone 188, de graça, a qualquer hora. As figuras deste texto foram geradas por inteligência artificial em 2026.
Um registro na cadeia
O livro começa antes da história, com o próprio autor.
No prefácio, ele conta que folheou os livros antigos da cadeia da Relação do Porto e achou, no das entradas de presos de 1803 a 1805, o registro de Simão Antonio Botelho, estudante em Coimbra, preso em Viseu, com dezoito anos.
Na margem do registro havia uma linha:
Foi para a India em 17 de Março de 1807.
Amor de Perdição, prefácio
O autor diz que vai contar a história desse moço, e avisa que escreve com "odio" à "falsa virtude de homens, feitos barbaros, em nome de sua honra".
A dedicatória também é datada da cadeia da Relação do Porto, em 26 de setembro de 1861.
Só na última linha do livro se descobre o laço: Manuel Botelho, o irmão mais velho de Simão, foi o pai do autor.
Simão é, portanto, tio de quem escreve, embora o livro não use essa palavra.
Duas casas inimigas em Viseu
Domingos José Correia Botelho de Mesquita e Menezes é um fidalgo de Vila Real de Trás-os-Montes, casado com D. Rita Preciosa, que tinha sido dama do paço.
Ele é magistrado, e chega a corregedor em Viseu.
Simão, que nasceu em 1784, é o penúltimo dos filhos.
Estudante em Coimbra, é valente e briguento, e numas férias em Viseu chega a atacar um grupo de aguadeiros para defender um criado da casa.
Aos dezessete anos, Simão muda de vida, e o livro diz por quê:
Amava Simão uma sua visinha, menina de quinze annos, rica herdeira, regularmente bonita e bem nascida.
Amor de Perdição, primeira parte, capítulo 2
A vizinha é Teresa, filha de Tadeu de Albuquerque.
Tadeu e o corregedor se detestam.
Os dois namoram pelas janelas e por cartas, e Simão volta para Coimbra decidido a estudar e a casar com ela.
Tadeu quer casar Teresa com o primo dela, Baltasar Coutinho, morgado de Castro d'Aire.
Teresa recusa.
O pai, então, fala em mandá-la para um convento até ele morrer.
A casa do ferrador
Simão volta escondido para perto de Viseu.
Um arrieiro o leva para a casa de um primo, a um quarto de légua da cidade.
É João da Cruz, ferrador, que tinha matado um almocreve e deve um favor ao corregedor, pai de Simão.
João da Cruz tem uma filha:
O ferrador tinha uma filha, moça de vinte e quatro annos, e formas bonitas, e um rosto bello e triste.
Amor de Perdição, primeira parte, capítulo 5
É Mariana.
Numa noite, dois criados de Baltasar esperam Simão para matá-lo.
Os criados atiram, e Simão sai com uma bala no braço esquerdo.
João da Cruz mata um deles com um tiro e, depois, mata o outro, mesmo com Simão pedindo que ele fosse poupado.
Simão fica escondido na casa do ferrador, e Mariana cuida dele.
Quando vê o pai tratar a ferida, ela desmaia.
O livro vai mostrando, aos poucos, que Mariana ama Simão, sem pedir nada em troca.
O convento e o tiro
Tadeu decide mandar Teresa para o convento de Monchique, no Porto, onde uma parenta é prioresa.
Enquanto esperam as licenças, ele a põe num convento em Viseu.
Na saída de Viseu, Teresa é levada pelo pai, pelo primo Baltasar e pelas irmãs dele.
Simão está parado na esquina.
Baltasar o insulta e se atira sobre ele, e Simão o mata com um tiro de pistola, na frente de Teresa.
João da Cruz aparece armado e pede que Simão fuja.
Simão se recusa, manda o amigo embora e se entrega ao meirinho geral: "Eu não fujo".
Thadeu de Albuquerque, quando se recobrou do spasmo, fez transportar a filha a uma das liteiras, e ordenou que dois criados a acompanhassem ao Porto.
Amor de Perdição, primeira parte, capítulo 10
A forca
O corregedor não ajuda o filho.
Diz à mulher: "Eu não sou pae: sou corregedor."
Ao juiz, que conta que Simão confessa tudo, ele pede que a lei seja cumprida.
A mãe e as irmãs são mandadas para Vila Real.
Parte dessa história é contada numa carta de uma senhora da família, que o autor diz ter recebido e transcreve.
Simão é condenado à morte na forca, no lugar do crime.
Mariana, que cuidava dele na cadeia de Viseu, perde a razão por um tempo quando ouve a sentença, e o pai a leva para casa.
No começo de março de 1805, Simão é transferido para a cadeia da Relação do Porto.
Mariana recupera o juízo e volta a cuidar dele, já no Porto.
Teresa está no mesmo Porto, em Monchique, doente.
Os dois se escrevem.
João da Cruz
No dia 4 de agosto de 1805, um homem para diante da casa de João da Cruz.
Diz que é filho do almocreve que o ferrador tinha matado, e atira nele.
João da Cruz morre ali.
Mariana recebe a notícia na cadeia, ao lado de Simão.
Ela herda os bens do pai, vende as terras e entrega o dinheiro a Simão.
Mariana diz a Simão que, se ele for degredado, vai com ele, e ele acaba aceitando.
O degredo
No termo de sete mezes o tribunal de segunda instancia commutou a pena ultima em dez annos de degredo para a India.
Amor de Perdição, segunda parte, capítulo 8
O pai de Simão ainda consegue do príncipe regente que o filho cumpra a pena numa prisão em Vila Real.
Simão recusa a graça.
Quer "a liberdade do degredo".
O capítulo seguinte abre com um comentário do autor: "A verdade é algumas vezes o escolho de um romance."
O navio
Em 17 de março de 1807, Simão sai da cadeia e embarca no cais da Ribeira, com setenta e cinco companheiros de degredo, e Mariana vai com ele.
Ele recusa o dinheiro que a mãe manda e pede que seja dado aos outros degredados.
Do navio, Simão pergunta onde fica Monchique.
Na vespera recebêra ella o adeus de Simão, e respondêra enviando-lhe a trança dos seus cabellos.
Amor de Perdição, segunda parte, capítulo 10
Teresa, doente no convento, recebe os sacramentos ao anoitecer.
Ao amanhecer, relê as cartas de Simão e as entrega à criada Constança.
De manhã, pede para ir ao mirante, de onde vê o navio.
Simão a vê acenar com um lenço, e depois vê o lenço parar.
À noite, o comandante conta a ele que Teresa morreu no mirante.
A carta
O navio fica parado diante da barra, por causa do tempo, e a saída fica para o dia seguinte.
À meia-noite, Simão abre a última carta de Teresa, que veio no mesmo pacote que as cartas dele.
Ela escreve que vai morrer, fala dos planos que os dois faziam e de uma casinha perto de Coimbra:
A vida era bella, era, Simão, se a tivessemos como tu m’a pintavas nas tuas cartas, que li ha pouco.
Amor de Perdição, conclusão
Na mesma noite, Simão tem febre.
Um médico que vem a bordo diz que a doença é "maligna".
O navio sai barra afora, pega tormenta, perde o rumo e quebra o leme diante de Gibraltar.
No nono dia da doença, em 27 de março, Simão delira com as palavras da carta, e morre na madrugada seguinte, com Mariana ao lado.
O corpo é entregue ao mar.
Logo depois, Mariana tira a própria vida.
Os marinheiros recolhem na água o rolo de papéis que ela levava na cintura: as cartas de Teresa e Simão.
O livro termina com a família:
Da familia de Simão Botelho vive ainda, em Villa Real de Traz-os-Montes, a senhora D. Rita Emilia da Veiga Castello Branco, a irmã predilecta d’elle. A ultima pessoa fallecida, ha vinte e seis annos, foi Manoel Botelho, pae do author d’este livro.
Amor de Perdição, conclusão

Uma nota sobre 1862
O romance fala de honra de família, de ódio entre casas, de pais que decidem com quem a filha casa e de um convento usado como castigo.
O que as personagens dizem sobre honra, vingança e dever é do tempo e das pessoas do livro; o resumo não toma essas opiniões como fato.
O autor toma partido o tempo todo: chama de "barbaros" os homens que agem "em nome de sua honra", e comenta a história no meio dela.
Isso é o narrador falando, e fica como dele.
A carta de Teresa fala da morte como descanso; é a voz dela, no livro, e não um conselho do resumo.
No navio, Simão diz mais de uma vez ao comandante que não vai se matar.

A transcrição
A Wikisource declara a edição de onde tirou o texto: Porto, N. Moré, 1862.
A grafia é a de época, com "Thereza", "Marianna", "pae" e "cadêa", e nós não mexemos nela.
O livro impresso tem duas partes de dez capítulos, mais o prefácio e a conclusão; é assim que os trechos são indicados aqui.
A transcrição traz, no capítulo 10 da segunda parte, uma nota que se diz "da 5ª edição", sobre o mirante de Monchique, que não pode ser de 1862; nós registramos e não a usamos.

Leia o romance inteiro, na transcrição publicada pela Wikisource em português, com cada parte do livro numa página, feita da edição de 1862. É dessa mesma transcrição que saem os trechos citados aqui, com a grafia dela. Amor de Perdição não está no acervo da Net Love. A obra está em domínio público no Brasil.
Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Os Maias, O Primo Basílio, Senhora, Lucíola e Helena.
Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o livro. A obra é de Camilo Castelo Branco. Os trechos citados vêm da transcrição da Wikisource em português, feita da edição de 1862: os trechos em bloco saíram do prefácio, dos capítulos 2, 5 e 10 da primeira parte, dos capítulos 8 e 10 da segunda parte e da conclusão. A grafia da fonte não foi atualizada. As citações não trazem travessão de diálogo, e nenhuma descreve as mortes do fim. A nota sobre 1862 foi escrita aqui e não cita nenhum crítico.
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