O Mulato, de Aluísio Azevedo: o resumo do romance de São Luís do Maranhão
Resumo escrito para o acervo Net Love em 30 de setembro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Aluísio Azevedo. A obra é dele, saiu em livro em 1881, e está em domínio público no Brasil desde 1º de janeiro de 1984, setenta anos contados do primeiro dia do ano seguinte à morte do autor, em 1913, como manda o artigo 41 da Lei 9.610 de 1998. O texto que lemos e citamos é a transcrição da Wikisource em português, uma página por capítulo, que a Wikisource apresenta como baseada em edições posteriores à de 1881, sem dados de edição; ela informa que há diferenças substanciais entre a primeira edição e as demais. A transcrição tem erros de digitação, e nós não os corrigimos. O romance fala de racismo e de escravidão; o resumo nomeia essa violência, não descreve as cenas de tortura e não reproduz os insultos racistas que as personagens dizem. As figuras deste texto foram geradas por inteligência artificial em 2026.
Uma tarde em São Luís
O livro começa assim:
Era um dia abafadiço e aborrecido. A pobre cidade de São Luís do Maranhão parecia entorpecida pelo calor.
O Mulato, capítulo 1
Manuel Pedro da Silva, conhecido como Manuel Pescada, é um negociante português da Rua da Estrela.
Ele é viúvo, mora com a filha, Ana Rosa, e com a sogra, Maria Bárbara, e quer casar a filha com o caixeiro da loja, o Dias.
Ana Rosa não quer.
Antes de morrer, a mãe dela, Mariana, tinha deixado um conselho:
A gente deve casar porque ama, e não ter de amar porque casou.
O Mulato, capítulo 1
O melhor amigo de Manuel é o cônego Diogo, padrinho de Ana Rosa.
Um dia, o cônego chega com uma notícia: Raimundo está voltando.
Raimundo é sobrinho de Manuel, filho do irmão dele, José, e de Domingas, uma mulher que José tinha escravizado.
Ele estudou em Lisboa, formou-se em Direito em Coimbra, viajou pela Europa e vem do Rio de Janeiro para vender as terras que herdou.
Na mesma conversa, o cônego diz que homens negros não deveriam poder ser padres nem professores, e Manuel tenta discordar, mas acaba abaixando a cabeça.

O segredo que todos sabem
Raimundo não sabe quem foi a mãe dele.
A cidade sabe.
No entanto, a história de Raimundo, a história que ele ignorava, era sabida por quantos conheceram os seus parentes no Maranhão.
O Mulato, capítulo 3
O narrador conta essa história no capítulo 3.
José da Silva tinha enriquecido no contrabando de africanos escravizados, no Pará.
Fugiu de lá com Domingas e comprou uma pequena fazenda, São Brás, no Rosário.
Ali nasceu Raimundo, e no batismo a criança e a mãe receberam a carta de alforria.
Quem batizou foi o vigário do lugar, um padre moço chamado Diogo.
José casou depois com Quitéria, uma viúva rica que maltratava as pessoas escravizadas da fazenda.
Ela mandou torturar Domingas diante do filho pequeno, e Domingas perdeu a razão.
José levou o menino para a casa do irmão, em São Luís.
Ao voltar à fazenda, encontrou a mulher com o padre Diogo e a matou.
O padre ofereceu um acordo: o silêncio dele sobre o crime de José, em troca do silêncio de José sobre ele.
Mais tarde, José levou um tiro na estrada, voltando para São Brás.
Domingas gritou que o culpado era o padre, mas o crime foi posto na conta dos fugitivos que viviam na mata.
A fazenda virou tapera, e Raimundo, com uns cinco anos, foi mandado para um colégio em Lisboa.
A cidade e o recém-chegado
Raimundo chega a São Luís e se hospeda na casa do tio.
Ele e Ana Rosa se apaixonam.
Enquanto isso, a cidade comenta a origem dele pelas costas.
Raimundo publica nos jornais contos que caçoam dos tipos da província, e recebe em troca ataques, pasquins e insultos pelas paredes.
Ele ainda não entende por quê.
Na viagem para vender as terras, perto da fazenda do Cancela, Raimundo pede a Manuel a mão de Ana Rosa.
Manuel recusa e não diz o motivo.
Naquela noite, na casa do Cancela, Raimundo ouve uma voz falar de São Brás e do padre Diogo.
Depois, na capela arruinada de São Brás, ele encontra uma mulher muito magra, que tenta abraçá-lo.
Manuel diz apenas que ela foi escrava do pai de Raimundo.
A revelação
Na volta, Raimundo exige a verdade, e Manuel conta:
Recusei-lhe a mão de minha filha, porque o senhor é... é filho de uma escrava...
O Mulato, capítulo 12
Manuel explica que prometeu à sogra dar a neta só a um homem branco, e que a cidade não perdoaria o casamento.
Depois conta a história de Domingas, e diz que a mulher da capela é a mãe de Raimundo.
Raimundo passa a entender, de uma vez, a frieza das famílias, as conversas interrompidas, os olhares.
Uma voz dentro dele responde ao que ouviu:
a natureza não criou cativos! Tu não tens a menor culpa do que fizeram os outros, e no entanto és castigado e amaldiçoado pelos irmãos daqueles justamente que inventaram a escravidão no Brasil!
O Mulato, capítulo 12
Em São Luís, Raimundo acusa o cônego Diogo de ter matado seu pai.
O cônego se ajoelha, chora, pede a Deus por ele, e Raimundo acaba pedindo desculpas.
Ao sair, o padre promete, baixinho, que ele vai pagar.

A partida que não acontece
Raimundo muda para uma casa dele, na Rua de São Pantaleão, e decide ir embora no próximo vapor.
Sozinho, ele se sente assim:
sentia-se estrangeiro na sua própria terra, desprezado e perseguido ao mesmo tempo.
O Mulato, capítulo 14
O narrador põe na cabeça dele uma acusação contra a escravidão:
como se o roubo, por ser comprado e revendido em primeira mão ou em segunda, ou em milésima, deixasse por isso de ser um roubo para ser uma propriedade!
O Mulato, capítulo 14
Na véspera da viagem, uma carta anônima cheia de insultos é jogada pela janela dele.
Mais tarde o livro conta que foi o Dias quem a jogou, a mando do cônego.
Na manhã da partida, Raimundo passa pela casa do tio para se despedir e deixa uma carta para Ana Rosa, dizendo que a ama.
Ela lê a carta antes da hora, e quando ele volta à casa, ela o puxa para o quarto e pede que fique.
Ele não embarca.
A fuga
Raimundo vai ao Rosário buscar a mãe, mas Domingas foge dele, e ele volta sozinho.
Depois se esconde numa casinha no Caminho Grande e passa a se corresponder com Ana Rosa em segredo.
O Dias já espiona o casal, a mando do cônego.
O cônego obriga a afilhada a se confessar com ele e fica sabendo de tudo, inclusive que ela está grávida.
Ele não conta a Manuel, e manda o Dias deixar as cartas correrem até a hora certa.
Raimundo marca a fuga por carta, para um domingo às oito da noite.
O Dias copia a carta e leva ao cônego.
Na hora marcada, Ana Rosa desce a escada e encontra Raimundo, e na porta os dois dão com o cônego, o Dias e quatro soldados da polícia.
Dentro de casa, diante do pai, da avó e do padrinho, ela diz que ia por vontade própria:
Fugia com meu primo, porque esse era o único meio de casar com ele.
O Mulato, capítulo 17
O Dias pede ali mesmo a mão de Ana Rosa, e ela recusa.
Então ela conta que está grávida.
Raimundo pede ao tio que o perdoe e que lhe dê Ana Rosa por esposa.
Manuel não responde, a avó recusa com insultos, e o cônego manda Raimundo sair da província.
Raimundo sai e promete que vai casar com ela.

O fim
Na rua, o cônego entrega ao Dias um revólver e fala com ele até convencê-lo a matar Raimundo.
Raimundo passa a noite andando pela cidade, e de madrugada, quando abre a porta de casa, leva um tiro.
Quem atira é o Dias.
Na tarde seguinte, Ana Rosa vê da janela o corpo de Raimundo passar numa rede, carregado pela rua.
Ela cai, perde muito sangue e fica entre a vida e a morte.
O livro não volta a falar da criança que ela esperava.
verificou-se que o paciente morrera a tiro de bala, mas a polícia não descobriu o assassino.
O Mulato, capítulo 19
Manuel e o cônego mandam convidar a cidade para o enterro, e o cônego encomenda o corpo a Deus.
Nasce a firma Silva e Dias.
O último capítulo salta seis anos, para um baile em São Luís.
Manuel Pescada e Maria Bárbara já morreram, e o cônego está doente, ainda chamado de santo.
Na saída do baile, todos cumprimentam um casal importante:
O par festejado eram o Dias e Ana Rosa, casados havia quatro anos.
O Mulato, capítulo 19
Eles têm três filhos.
Na hora de subir no carro, Ana Rosa ajeita a gola da casaca do marido, e o livro termina com a fala dela:
Agasalha bem o pescoço, Lulu! Ainda ontem tossiste tanto à noite, queridinho!...
O Mulato, capítulo 19
Ninguém paga pelo crime.
Uma nota sobre o racismo no livro
O racismo é violência, e o romance mostra isso de muitos jeitos: Raimundo perde o casamento, o lugar na cidade e, no fim, a vida.
Quem decide essas perdas são pessoas respeitadas, como o padre, o negociante e a avó devota.
O título é o do livro, e a palavra do título aparece dentro dele como insulto contra Raimundo.
Várias personagens dizem insultos racistas, e não reproduzimos os insultos aqui.
O próprio narrador, às vezes, descreve as pessoas negras com palavras e imagens que hoje reconhecemos como racistas, como na cena de Domingas na capela.
Registramos isso como está no texto, sem corrigir as palavras.
O texto que lemos
A primeira edição, de 1881, está na Wikisource só como imagem digitalizada, sem transcrição.
O texto transcrito, que é o que lemos, é apresentado como baseado em edições posteriores, sem dizer quais.
A Wikisource diz que há diferenças substanciais entre a primeira edição e as demais, e cita um estudo sobre as duas versões do romance, de 1881 e de 1889.
Não comparamos as duas, e por isso este resumo vale para o texto transcrito.
Leia o romance inteiro, na transcrição publicada pela Wikisource em português, baseada em edições posteriores à de 1881, com os 19 capítulos em páginas separadas. É dessa mesma transcrição que saem os trechos citados aqui. O Mulato não está no acervo da Net Love. A obra está em domínio público no Brasil desde 1984.
Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são O Cortiço, A Escrava Isaura, Senhora, Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas.
Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o livro. A obra é de Aluísio Azevedo. Os trechos citados vêm da transcrição da Wikisource em português, baseada em edições posteriores à de 1881, e saíram dos capítulos 1, 3, 12, 14, 17 e 19. As citações não trazem travessão de diálogo nem os insultos racistas do livro. A nota sobre o racismo foi escrita aqui e não cita nenhum crítico.
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