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Minha Formação, de Joaquim Nabuco: o resumo das memórias de 1900

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2.186 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 9 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Joaquim Nabuco. A obra é dele e está em domínio público no Brasil. Os trechos citados saem da edição de 1900, publicada por H. Garnier no Rio de Janeiro e em Paris, nas imagens de um exemplar da Universidade de Toronto publicadas no Internet Archive.

Que livro é este

Minha Formação são as memórias de Joaquim Nabuco, o mesmo autor de O Abolicionismo.

A folha de rosto diz Minha Formação, por Joaquim Nabuco, da Academia Brasileira e do Instituto Histórico e Geográfico, H. Garnier, Rio de Janeiro e Paris, 1900.

O prefácio é datado de San Sebastián, na Espanha, em 8 de abril de 1900.

Numa nota do capítulo XX, o autor explica como o livro cresceu: a primeira ideia era contar a sua formação monárquica, depois a sua formação política e literária e, por fim, a sua formação humana.

Neste resumo, a escravidão é dita com palavras de hoje, e quem vivia sob ela é chamado de pessoas escravizadas.

O livro usa as palavras do seu tempo, e as citações abaixo foram escolhidas entre trechos que não as trazem.

O que o autor diz de si, da monarquia, da religião e da escravidão é apresentado como visão dele.

O caminho dos vinte e seis capítulos

São vinte e seis capítulos com número e título, de 307 páginas.

O livro não se divide em partes; o agrupamento abaixo é nosso.

Capítulos I a VIII: a juventude e as primeiras ideias. A escola, a faculdade, o pai, a leitura de Bagehot, o jornalismo e a primeira viagem à Europa.

Capítulos IX a XVII: a Inglaterra e os Estados Unidos. Os anos de diplomacia em Londres e em Nova York.

Capítulos XVIII a XX: o pai, a eleição e a infância. A influência do pai, a entrada na Câmara e o engenho de Massangana.

Capítulos XXI a XXIV: a abolição. A campanha, o papel da família imperial, a política e a visita ao Papa.

Capítulos XXV e XXVI: o mestre e os últimos anos. O barão de Tautphoeus e a década de 1889 a 1899.

A juventude e as primeiras ideias (capítulos I a VIII)

O primeiro capítulo, Colégio e Academia, começa pelo pai, o senador Nabuco, que o autor apresenta como o político que levou muita gente do campo conservador para o liberal.

O filho conta que, aos quinze e dezesseis anos, seguia a política do pai por devoção e por orgulho.

Na faculdade, as ideias dele eram, nas suas palavras, uma mistura: lia Lamennais, Lamartine e outros autores da moda e oscilava entre a monarquia e a república.

Ele lembra também colegas daquela geração, como Castro Alves e Rui Barbosa.

E avisa que as ideias políticas que usou na vida vieram desse tempo, com uma exceção: as da abolição tiveram outra origem.

O capítulo II conta o encontro com a obra do pensador inglês Walter Bagehot, em 1869, sobre a constituição inglesa.

Foi graças a ela, diz o autor, que venceu o preconceito contra a monarquia e passou a ver a monarquia parlamentar como superior à república.

O capítulo III, que tem no título os anos de 1871 a 1873 e o jornal A Reforma, resume essa conclusão com uma imagem:

Para não sahir da relojoaria, a republica era, para mim, um relogio de que fosse preciso renovar a mola no fim de pouco tempo: a monarchia, um relogio por assim dizer perpetuo.

Minha Formação, na edição de H. Garnier (Rio de Janeiro e Paris, 1900), página 24, capítulo III

O capítulo IV, Atração do Mundo, explica por que o autor diz que nunca foi um político no sentido comum:

Em minha vida vivi muito da Politica, com P grande, isto é, da politica que é historia, e ainda hoje vivo, é certo que muito menos.

Minha Formação, na edição de H. Garnier (Rio de Janeiro e Paris, 1900), página 33, capítulo IV

A política local e a dos partidos, diz ele, sempre lhe pareceu menor do que os grandes acontecimentos do mundo.

Os capítulos V e VI contam a primeira viagem à Europa e a França de 1873 e 1874; segundo o autor, essa viagem enfraqueceu as tendências republicanas que ele pudesse ter e fortaleceu as monárquicas.

O capítulo VII trata das leituras de filosofia e religião daqueles anos e de Ernest Renan, que dá título ao capítulo e então o influenciava.

O capítulo VIII conta a crise poética: o autor escreveu versos em francês, reunidos no livro Amour et Dieu, e concluiu que não era poeta, porque o que havia de bom neles já tinha sido dito por outros.

A Inglaterra e os Estados Unidos (capítulos IX a XVII)

O capítulo IX fala do cargo de adido de legação, que o autor chama de único cargo que exerceu, e dos anos de 1873 a 1878 em que a política foi para ele quase indiferente.

Os capítulos X a XIII são sobre Londres e a Inglaterra.

O autor diz que a influência inglesa foi a mais forte e mais duradoura que recebeu, e que a vida social e o espírito inglês o afastaram do caminho que, sem eles, poderia ter levado o seu liberalismo até a república.

Os capítulos XIV a XVII tratam dos quase dois anos que passou nos Estados Unidos, quase sempre em Nova York, na legação do Brasil, entre 1876 e 1877.

Ele conta a eleição presidencial disputada daquele ano, reproduz trechos do seu diário de 1877 e descreve o que viu em Nova York e Washington.

Admira o que chama de espírito prático e as instituições americanas, mas registra também o lado que o desagradava, como a violência popular e a sede de dinheiro.

O pai, a eleição e a infância (capítulos XVIII a XX)

O capítulo XVIII, Meu Pai, diz que a influência do senador Nabuco foi a mais poderosa de todas e que cresceu com o tempo, até depois da morte dele.

O capítulo XIX marca a virada da vida do autor e começa assim:

Até 1878 foi propriamente o periodo da minha formação politica; o que se segue, de 1879 a 1889, é o do papel que me tocou representar

Minha Formação, na edição de H. Garnier (Rio de Janeiro e Paris, 1900), página 202, capítulo XIX

A frase continua: o período final, diz ele, seria o do enfraquecimento do interesse político.

Ele conta que queria continuar na diplomacia, mas o pai morreu em março de 1878 e a mãe desejava vê-lo na política; no mesmo ano foi eleito deputado pela primeira vez.

Ao entrar na Câmara, escreve, sentia necessidade de uma causa que fosse humana e universal, e no Brasil daquele tempo essa causa era a da escravidão.

O capítulo XX, Massangana, volta à infância, que o autor passou até os oito anos num engenho de Pernambuco, criado pela madrinha.

Ele descreve a paisagem, a capela de São Mateus e a origem da sua fé.

E conta a cena que, segundo ele, decidiu o rumo da sua vida: uma tarde, um rapaz de cerca de dezoito anos, escravizado num engenho vizinho, atirou-se aos pés do menino e pediu que a madrinha o comprasse, porque fugia de um proprietário que o castigava.

Foi este o traço inesperado que me descobriu a natureza da instituição com a qual eu vivèra até então familiarmente, sem suspeitar a dòr que ella occultava.

Minha Formação, na edição de H. Garnier (Rio de Janeiro e Paris, 1900), página 215, capítulo XX

O mesmo capítulo conta que, aos vinte anos, diante dos túmulos da capela do engenho, o autor decidiu dedicar a vida à causa das pessoas escravizadas.

Ali também ele descreve a escravidão da sua infância com uma nostalgia que ele mesmo diz que espantaria abolicionistas americanos como Garrison e John Brown.

Essa lembrança idealizada é a visão dele, de quem cresceu na casa dos proprietários; o resumo a registra como visão dele e não a reproduz.

A abolição (capítulos XXI a XXIV)

O capítulo XXI começa pelo tamanho da tarefa: quando a campanha começou, diz o autor, ainda havia quase dois milhões de pessoas escravizadas, além dos filhos delas que a lei de 1871, segundo ele, deixava na prática sob o mesmo regime até os vinte e um anos.

Foi esse immenso bloco que atacámos em 1879, acreditando gastar a nossa vida sem chegar a entalhal-o. No fim de dez annos não restava delle sinão o pó.

Minha Formação, na edição de H. Garnier (Rio de Janeiro e Paris, 1900), página 226, capítulo XXI

O capítulo explica a vitória por várias causas, entre elas a época, em que já não era possível defender a escravidão por princípio, e a adesão da juventude, da imprensa, dos trabalhadores e do exército.

Na comparação com os Estados Unidos, o autor afirma que no Brasil a escravidão teria sido mais branda; é uma afirmação dele, que o resumo registra como visão dele.

O capítulo XXII diz que a abolição teria tido outro alcance moral se a Igreja a tivesse pregado ao longo das gerações, e trata do papel da família imperial.

Para o autor, a princesa Isabel sabia que arriscava o trono e decidiu mesmo assim, e ele diz que deve à dinastia gratidão pelo 13 de maio.

O mesmo capítulo traz juízos do autor sobre os sentimentos das pessoas escravizadas que hoje se leem como paternalismo; o resumo não os reproduz.

O capítulo XXIII, Passagem pela Política, lembra as eleições que ganhou e os que trabalharam pela causa sem ficar conhecidos fora da sua província.

O capítulo XXIV conta a viagem a Roma no começo de 1888, quando o autor pediu ao Papa Leão XIII uma palavra em favor das pessoas escravizadas do Brasil e foi recebido em audiência particular.

Ele diz que essa viagem despertou nele uma religiosidade que estava adormecida desde a infância.

O mestre e os últimos anos (capítulos XXV e XXVI)

O capítulo XXV é um retrato do barão de Tautphoeus, o velho professor que o autor compara a Sócrates e que o chamava de Alcibíades nos anos do seu liberalismo mais ardente.

O capítulo XXVI cobre os anos de 1889 a 1899.

A queda do Império, diz o autor, pôs fim à sua carreira política, e a causa monárquica foi o seu último contato com a política.

Ele conta a morte do Imperador, em 1891, a volta à fé, entre 1892 e 1893, e os seis anos em que se dedicou a escrever a vida do pai.

Resume a obra da dinastia em três palavras: a Independência, a unidade nacional e a Abolição.

No fim, diz que o interesse político cedeu lugar ao religioso e ao literário, e que a história é o único campo em que ainda poderia cultivar a política.

O livro termina falando do modo como o autor espera olhar a vida no fim dela:

mas em despedida ao Creador, espero ainda olhal-a através dos vidros de Epicteto, do puro crystal sem refracção: a admiração e o reconhecimento...

Minha Formação, na edição de H. Garnier (Rio de Janeiro e Paris, 1900), página 307, capítulo XXVI

Os limites do livro

Minha Formação é um livro de memórias, escrito por um monarquista depois da queda do Império, e conta os fatos do ponto de vista do autor.

A defesa da monarquia e a gratidão à família imperial são opiniões dele.

A escravidão aparece ao mesmo tempo como a causa da vida do autor e como lembrança de infância contada com saudade, e essa contradição é do próprio livro.

Ler junto O Abolicionismo, escrito dezessete anos antes, ajuda a ver como o autor pensava a mesma questão no meio da campanha.

A edição que lemos

Lemos a edição de H. Garnier, livreiro-editor do Rio de Janeiro e de Paris, com a data de 1900 na folha de rosto.

Dela lemos o prefácio, o índice, a abertura de todos os capítulos e as páginas de que este resumo fala; não lemos o livro inteiro página a página.

O exemplar é da Universidade de Toronto e foi publicado em imagens no Internet Archive.

Cada trecho citado foi copiado da imagem da página impressa, na grafia da edição ("relogio", "vivèra", "dòr", "crystal").

O espaço que a edição põe antes de dois-pontos não foi reproduzido.

Leia o livro, nas imagens da edição de H. Garnier, Rio de Janeiro e Paris, 1900, exemplar da Universidade de Toronto publicado no Internet Archive. O acervo da Net Love tem este resumo, não o livro inteiro. O livro está em domínio público.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são O Abolicionismo, Os Sertões, Opúsculo Humanitário e Conselhos à minha filha.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o livro. A obra é de Joaquim Nabuco. Os trechos citados vêm da edição de H. Garnier de 1900: os trechos em bloco saíram das páginas 24, 33, 202, 215, 226 e 307, todos conferidos na imagem da página impressa. As citações em bloco não trazem travessão.