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Opúsculo Humanitário, de Nísia Floresta: o resumo do ensaio da Fuvest sobre a educação da mulher novo

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3.915 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 5 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Nísia Floresta. A obra é dela e está em domínio público no Brasil. Os trechos citados saem da edição de 1853, impressa no Rio de Janeiro pela Typographia de M. A. Silva Lima, nas imagens digitalizadas pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da USP. As figuras deste texto foram geradas por inteligência artificial em 2026.

Quem escreveu, e como o livro se apresenta

A folha de rosto diz apenas Opusculo humanitario, por B. A., Rio de Janeiro, Typographia de M. A. Silva Lima, 1853.

O livro não traz o nome da autora impresso: só as iniciais.

No exemplar digitalizado, alguém escreveu a mão, logo abaixo delas, que a autora é Nísia Floresta Brasileira Augusta, e é nesse nome que o catálogo da Biblioteca Brasiliana registra a obra.

Segundo a página oficial da Fuvest, Nísia Floresta Brasileira Augusta foi o pseudônimo escolhido por Dionísia Gonçalves Pinto, nascida no Rio Grande do Norte e "considerada a primeira educadora e jornalista feminista do Brasil"; a mesma página diz que ela denunciou também as injustiças contra os escravizados e os indígenas.

A Fuvest dá as datas 1810 a 1885; o catálogo da Biblioteca Brasiliana registra 1809 a 1885.

Essas informações são da Fuvest e do catálogo, e não do livro.

O que o próprio livro mostra de quem escreve vem da dedicatória, escrita na primeira pessoa do singular, e de passagens do ensaio, em que predomina a primeira pessoa do plural.

A dedicatória é A meu querido irmão Joaquim Pinto Brasil, a quem ela chama de pai de sete filhos, que dirige parte da mocidade, e de companheiro "na onerosa e nobre carreira" que os dois começaram na juventude.

Nela, a autora diz que o livro nasce de um coração dedicado à educação dos moços e que escreve lutando contra um mal físico que a oprime desde a volta da Europa; assina como amiga da infância, com as iniciais B. A.

Ao longo do texto, a voz do livro conta que viveu algum tempo na Europa, que assistiu a exames de professoras na França, que levou os próprios filhos às aulas de catecismo de padres franceses no Rio e, no penúltimo capítulo, que o tempo e a saúde lhe são contrários.

O texto chama a si mesmo de opúsculo, isto é, obra pequena.

A tese em uma frase

O livro começa com um contraste.

Enquanto no velho e no novo mundo se ouve o brado da "emancipação da mulher", diz o primeiro capítulo, a "nossa debil voz se levanta, na capital do imperio de Santa Cruz, clamando", e o que ela clama é outra coisa: "educae as mulheres!" (assim mesmo, com a grafia da edição).

Logo depois vem a pergunta que o livro vai repetir no capítulo XVII, quando volta ao Brasil:

Povos do Brasil, que vos dizeis civilisados! governo, que vos dizeis liberal! onde está a doação mais importante dessa civilisação, desse liberalismo?

Opúsculo Humanitário, cap. I, p. 3

A tese aparece inteira no capítulo V:

E' uma verdade incontestavel, que a educação da mulher muita influencia teve sempre sobre a moralidade dos povos, e que o lugar, que ella occupa entre elles, é o barometro, que indica os progressos de sua civilisação.

Opúsculo Humanitário, cap. V, p. 12

É importante ver o que a tese não diz.

Já no primeiro capítulo, a emancipação que a autora aceita é "não conforme o philosophismo dos socialistas, mas como a comprehendeu a sabedoria Divina", que elevou a mulher ao fazer nascer dela o Redentor.

E no capítulo X, depois de citar os que escreveram em defesa dos direitos da mulher, como Mary Wollstonecraft, Condorcet, Sieyès e Legouvé, ela deixa essa defesa a eles: "a nossa tarefa é outra", e essa tarefa é a educação da mulher.

Neste ensaio, a reivindicação central é a educação; a autora não reivindica voto nem acesso a cargos públicos, o que não quer dizer que se oponha a eles: ela apenas deixa esse tema a outros.

Como o livro se organiza

São 178 páginas, uma dedicatória e 62 capítulos curtos, numerados de I a LXII, sem título; no fim vem uma errata.

O livro não se divide em partes, mas o caminho do argumento é claro, e este resumo o agrupa em cinco blocos:

Capítulos I a XVI: a mulher na história e nas nações. Da Ásia antiga aos Estados Unidos, o livro procura mostrar que os povos que educaram a mulher foram os mais civilizados.

Capítulos XVII a XXXVIII: o Brasil. A herança portuguesa, a colônia, a chegada da família real, a Independência e o estado das escolas em 1852.

Capítulos XXXIX a LVII: a casa e os costumes. Os pais, os colégios, a escravidão dentro de casa, a moda, o trabalho e o clero.

Capítulos LVII a LXI: as mulheres indígenas. O fim do capítulo LVII anuncia o assunto, e os quatro seguintes tratam dele.

Capítulo LXII: o apelo final. A influência da mulher sobre os homens e o pedido aos pais, ao governo e ao povo.

A divisão em cinco blocos é nossa; no livro, os capítulos seguem um atrás do outro.

Os 62 capítulos do Opúsculo. Como o argumento caminha, da história do mundo ao apelo final. Antes do capítulo I, Dedicatória: A Joaquim Pinto Brasil, que ela chama de irmão. Assinada com as iniciais B. A. Capítulos I a XVI, A mulher na história: Da Ásia antiga aos Estados Unidos: os povos que educaram a mulher foram os mais civilizados. Capítulos XVII a XXXVIII, O Brasil: A herança portuguesa, a colônia, a Independência e as escolas de 1852. Capítulos XXXIX a LVII, A casa e os costumes: Pais, colégios, escravidão dentro de casa, moda, trabalho e clero. Capítulos LVII a LXI, As mulheres indígenas: Vítimas dos colonizadores, exemplos de coragem, o pedido de tratamento humano. Capítulo LXII, O apelo final: Aos pais, ao governo e ao povo: educar a mulher e marchar com ela para o progresso. O livro não tem partes nem títulos de capítulo: a divisão em cinco blocos é deste resumo. São 178 páginas, de 1853.
Os 62 capítulos do Opúsculo Humanitário, em cinco blocos. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

A mulher na história, dos antigos aos Estados Unidos

Os primeiros capítulos fazem um passeio rápido pela história.

Na Ásia e no Egito, diz o livro, a mulher foi tratada como instrumento de prazer ou como serva submissa; o homem dos primeiros tempos impôs a força física.

Na Grécia, algumas mulheres, como Aspásia e Safo, ganharam a admiração da posteridade, mas faltava ainda o cristianismo, que para a autora dá à mulher sua missão mais nobre.

Em Roma, o livro cita Catão, que temia tratar as mulheres como iguais, e o critica por isso; depois vêm a Idade Média, as Cruzadas e a Inquisição, que deixaram parada a educação da mulher, sobretudo em Portugal e na Espanha.

Do capítulo VI ao XVI, o livro compara as nações modernas.

A Alemanha é elogiada pelo respeito à mãe de família e pela igualdade entre os sexos no casamento; a Inglaterra, pela educação religiosa das moças e por suas escritoras, como Maria Edgeworth e Jane Austen; a França, porque ali a mulher é admitida ao lado dos homens a cultivar a inteligência, com Madame de Staël, George Sand e as irmãs de caridade como exemplos.

O livro discute também os autores que pensaram mal da mulher: Montesquieu, para quem a natureza deu à mulher encantos e quis que o poder dela acabasse junto com eles, e Rousseau, para quem a mulher seria feita para agradar ao homem.

Nos Estados Unidos, o modelo é Harriet Beecher Stowe, autora de A Cabana do Pai Tomás, livro contra a escravidão que tinha acabado de sair e que a autora chama de "um moderno Evangelho".

Os brasileiros que o leem, diz o capítulo XVI, coram de vergonha, porque a mesma mancha pesa sobre o Brasil, e deveriam fazer os filhos decorar algumas de suas páginas.

O Brasil que o livro descreve

No capítulo XVII o livro volta ao Brasil, e no XVIII a autora avisa que vai ferir preconceitos antigos, mas sem ilusão: "Não nos embala a vã pretenção de operar uma reforma no espirito de nosso paiz".

Ela espera que penas mais hábeis do que a dela sigam o exemplo e escrevam sobre o assunto.

No capítulo XIX, avisa que, para as províncias que não visitou, vai se apoiar no que escreveram viajantes estrangeiros, e delimita de quem vai falar primeiro: das mulheres não indígenas nascidas de famílias livres ou libertadas no batismo; as indígenas ficam para o fim do livro.

Os capítulos seguintes acusam a herança de Portugal, que, segundo o livro, sempre desprezou a educação da mulher, embora tenha tido mulheres de grande saber, como Públia Hortênsia de Castro, que estudou em Coimbra vestida de homem.

Na colônia, conta o livro, o talento da moça brasileira se media por saber fazer renda de bilros, fiar algodão, coser, preparar doces e compotas e fabricar flores com escamas de peixe e penas de pássaros.

As poucas meninas que iam à escola sentavam no chão, em esteiras, aprendendo a cartilha do padre Inácio, e o castigo da palmatória e da vara era geral.

A chegada da família real mudou a condição do Brasil, dizem os capítulos XXVIII e XXIX, mas não a sorte de suas mulheres: a maioria das brasileiras continuava sem aprender a ler, e se dizia que ensinar uma moça a ler e escrever era dar a ela meios de trocar cartas de amor.

O livro critica também o presente.

As escolas públicas de meninas eram poucas e entregues muitas vezes a professoras escolhidas por proteção; os colégios particulares não tinham lei que os fiscalizasse, e qualquer pessoa que soubesse ler e tivesse dinheiro para montar uma casa podia abrir um.

O ensino secundário, diz o capítulo XXXVIII, continuava vedado às meninas nos estabelecimentos públicos.

E a autora se queixa de que lê todo dia, no jornal, as sessões das Câmaras, à procura de alguma palavra sobre a educação da mulher brasileira, e não encontra nenhuma.

Os números vêm do capítulo XXXVI, que cita o quadro oficial da instrução primária e secundária de 1852.

Dos 55.500 alunos que frequentavam todas as aulas públicas do Império, só 8.443 eram meninas.

Em Minas, de 209 escolas de primeiras letras, só 24 eram de meninas; na Bahia, 26 de 184; em Pernambuco, 16 de 82; na província do Rio de Janeiro, 36 de 116; e no município da Corte havia apenas 9 aulas de meninas.

O mesmo capítulo lembra um presidente da província de Minas para quem às meninas se devia ensinar o que convém a uma mulher "que tem de ser criada de si e de seu marido".

Para rebater a frase, o livro diz que aquele administrador ou esqueceu o século em que vivia, ou confundiu o povo livre de Minas com a população escravizada; ou seja, a defesa da dignidade da mulher, nesse trecho, é feita em nome da mulher livre.

As escolas de 1852, em números. Os dados que o capítulo XXXVI tira do quadro oficial da instrução daquele ano. Em todas as aulas públicas do Império: 55.500 alunos. Só 8.443 eram meninas. Minas: 209 escolas de primeiras letras, 24 de meninas. Bahia: 184 escolas de primeiras letras, 26 de meninas. Província do Rio de Janeiro: 116 escolas de primeiras letras, 36 de meninas. Pernambuco: 82 escolas de primeiras letras, 16 de meninas. Município da Corte: 9 aulas de meninas. Na sede do governo imperial, só 9 aulas de meninas tinham sido criadas. Escolas de primeiras letras: o total da barra e, em destaque, as de meninas. São números do livro, de 1852, que este resumo não atualiza.
As escolas de 1852 em números, segundo o capítulo XXXVI. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

Os argumentos

A inteligência não tem sexo. Contra quem usa a fraqueza física como pretexto para afastar a mulher do estudo, o capítulo XXVII responde:

Não é a natureza physica, como pretende Helvecio, que faz a superioridade do homem, mas sim a intelligencia.

Opúsculo Humanitário, cap. XXVII, p. 63

E, logo adiante, que "a intelligencia, que não tem sexo, pode ser igualmente superior na mulher"; como prova de que corpo frágil não impede grande espírito, o livro lembra Voltaire, Racine e Pascal.

Educar, e não enfeitar. O livro condena a educação que só ensina a mulher a agradar.

Critica Rousseau e Gregory, que aconselhavam às moças o gosto pelos adornos, lembra Platão, para quem a mulher, como o homem, é uma alma que se serve de um corpo, e reprova a velha máxima repetida às meninas, "reprime todos os impulsos da natureza, e embellece-te para seres mulher", que para a autora ensina a hipocrisia.

Todas bem educadas, cada uma na sua situação. A autora não pensa que todas as mulheres possam ser igualmente instruídas; o que ela pede é "que todas sejam bem educadas, em suas respectivas situações."

Instrução não é educação. O livro separa as duas coisas o tempo todo: saber línguas, piano e dança não é ser educada.

O capítulo XLVII resume o que no Brasil se chamava dar boa educação a uma menina: dançar para brilhar nos salões, ler e escrever o português, falar um pouco de francês e inglês, cantar, tocar piano, noções de desenho, geografia e história esquecidas ao sair do colégio, e trabalhos de agulha para enfeitar a sala dos pais.

A base, para a autora, é a educação moral e religiosa: "A religião é a cadêa indestructivel, que liga a mulher a seus deveres", diz o capítulo LV, que critica a ignorância e a conduta de boa parte do clero e o ensino do catecismo abandonado nas paróquias.

A mãe, primeira educadora. A autora prefere a educação das meninas em casa, feita por mães preparadas para isso, a dos colégios, onde a emulação pode virar inveja; mas, enquanto a mulher não for "a primeira educadora de seus filhos, a mais util amiga do homem", recomenda colégios com diretoras zelosas.

No capítulo XLVIII ela observa que as mães são, quase sempre, as únicas responsáveis pela educação das filhas, e por isso escreve para elas.

O trabalho. Para a autora, só a virtude e o saber não se perdem com a fortuna.

Ela lembra as nobres francesas que, depois da Revolução, sem instrução sólida, tiveram de servir como damas de companhia, e critica a falsa ideia, ensinada às brasileiras, de que a mulher não pode ser nada por si mesma e depende do braço do homem para viver.

Conta o caso de uma esposa fiel, mãe de cinco filhos, que morreu abandonada e pobre enquanto o marido e os filhos viviam no luxo, e tira a lição de que o casamento não garante a segurança da mulher.

Para as famílias pobres, propõe no capítulo LIV que se crie uma classe pública de operárias, para tirá-las da miséria pelo trabalho.

Contra a moda. O livro critica o costume de vestir as meninas como adultas e de apertá-las no espartilho.

No capítulo XLVI conta a morte de uma menina de seis anos num colégio do Rio, que a autora atribui ao espartilho apertado que a mãe a fazia usar, e diz que, passado o choque, as alunas voltaram a usá-lo.

O resumo não reproduz a cena, que o livro narra em detalhe; é um relato da autora, não uma informação médica.

A escravidão dentro de casa. Este é um dos pontos mais fortes do livro.

A autora chama de crime o costume de entregar os recém-nascidos a amas de leite escravizadas por razões mundanas das mães, sem motivo de saúde, e descreve crianças que aprendem a mandar antes de aprender a falar, meninas que maltratam a própria ama que as criou, e mães que castigam pessoas escravizadas diante das filhas e as incentivam a fazer o mesmo.

No capítulo XLIX, ela se dirige às mães:

Mãis Brasileiras, affastai dos olhos de vossos filhos o espectaculo de uma oppressão cruel, que lhes enerva a compaixão, e aggrava mais a triste sorte desses miseros a quem deveis, como christãs, caridosamente dirigir. Ensinai-lhes cedo a olhal-os como nossos semelhantes, e por conseguinte dignos de nossa commiseração no estado a que os reduziram nossos maiores.

Opúsculo Humanitário, cap. XLIX, p. 127

Pouco antes, na mesma página, há quatro versos sem indicação de autor:

Deos que nenhuma raça fez
Para sobre uma outra ter
Revoltante primasia,
Illimitado poder.

Opúsculo Humanitário, cap. XLIX, p. 127

No capítulo LIV, a autora diz que é preciso preparar os filhos para o futuro em que todo o trabalho será feito por pessoas livres.

A condenação vai além da casa: no capítulo XLII, a autora chama a escravidão de jugo contrário ao cristianismo, sustentado pela mais tirânica das leis, e no XLIII, depois de citar o Dr. Rendu, autor de um livro de estudos sobre o Brasil, para quem seria necessária uma revolução completa nos costumes do país, mas seria inútil apontar as causas do mal enquanto durasse a escravidão, diz desejar ardentemente essa revolução.

O livro, porém, tem os limites da época: o argumento olha sobretudo para o mal que a escravidão faz à educação das crianças da família senhorial, fala das pessoas escravizadas com expressões de desprezo comuns naquele tempo e, no trecho citado acima, o que pede às mães é caridade e compaixão; o trabalho só de pessoas livres aparece como o futuro para o qual se deve preparar os filhos, no capítulo LIV.

As mulheres indígenas. Os capítulos LVIII a LXI defendem as indígenas, que o livro chama de "victimas immoladas á licença dos homens da civilisação".

A autora diz que a vida delas era melhor antes da chegada dos colonizadores cristãos, que as escravizaram e venderam, e lembra exemplos de mulheres indígenas, como Paraguaçu, Moema e a esposa do chefe Camarão, que lutou ao lado dele contra os holandeses.

Cita o relatório de Teófilo Ottoni sobre a viagem ao vale do Mucuri, que descreve a violência contra os indígenas, e pede ao governo e ao clero meios humanos e conciliadores no lugar da perseguição.

Também aqui há limites: o livro chama os indígenas de selvagens, fala em civilizá-los, conta que a autora teve mulheres indígenas a seu serviço e chega a dizer que elas seriam mais asseadas e mais próprias que as africanas para ajudar a criar os filhos das famílias, comparação que hoje se lê como preconceito.

A tese e os argumentos. O que o Opúsculo defende, e em que capítulos. A tese, caps. I e V, Educar a mulher: O lugar que a mulher ocupa num povo é o barômetro da civilização desse povo. Cap. XXVII, A inteligência não tem sexo: Não é a força física que faz a superioridade, mas a inteligência. Caps. XXVI, XLVII e LI, Educar, e não enfeitar: Contra a educação que só ensina a agradar: adornos, piano e dança não bastam. Cap. XXVIII, Todas bem educadas: Nem todas igualmente instruídas, mas cada uma bem educada em sua situação. Caps. XL e XLVIII, A mãe, primeira educadora: A educação começa em casa, com mães preparadas para dirigi-la. Caps. L, LII e LIV, O trabalho: Para ricas e pobres: a mulher não deve depender só do braço do homem. Caps. XLI, XLII e XLIX, A escravidão em casa: Ensina a criança a mandar e a ser cruel; as mães devem ensinar compaixão. Caps. LVIII a LXI, As mulheres indígenas: Merecem outra posição no país, e não a perseguição. O limite: o livro pede educação dentro da família e da religião, e deixa a outros autores a defesa dos direitos da mulher (cap. X).
A tese e os argumentos do Opúsculo Humanitário, com os capítulos. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

O apelo final

O último capítulo parte de uma observação: mesmo excluída do governo, a mulher influi nas ações dos homens, do juiz ao soldado e ao rei; por isso, mais do que ninguém, precisa de boa educação.

Então a autora se dirige aos pais:

A' vós, pais de familia, a vós cumpre remediar os erros das gerações extinctas! Educai vossas filhas nos solidos principios da moral, baseada no perfeito conhecimento de nossa santa religião, no exemplo de vossas virtudes quer domesticas, quer civicas.

Opúsculo Humanitário, cap. LXII, p. 176

Pede que, em vez de romances, as moças leiam livros de moral e de história, sobretudo a do Brasil, e que aprendam desde cedo "que a mulher não foi creada para ser a boneca dos salões".

O livro termina assim:

Educai para isto a mulher, e com ella marchai ávante, na immensa via do progresso, á gloria que leva o renome dos povos á mais remota posteridade!

Opúsculo Humanitário, cap. LXII, p. 178

Contexto e recepção

O livro foi impresso no Rio de Janeiro em 1853, sem o nome da autora, e conversa com o seu tempo: cita A Cabana do Pai Tomás como livro que acabava de chegar, um artigo da Revue des deux mondes de 1851, o quadro oficial das escolas de 1852, o último relatório do ministro do Império, com o resultado da comissão do poeta Gonçalves Dias nas províncias do Norte e o relato de Teófilo Ottoni.

É um texto de quem escreve para convencer: alterna dados, exemplos de outros países, citações de viajantes estrangeiros e apelos diretos aos pais, às mães, ao governo e ao povo.

Sobre como o livro foi recebido em 1853, este resumo não tem fonte conferida, e por isso não diz nada; a edição lida não traz prefácio nem comentário de outra pessoa.

O que se pode afirmar com fonte é o reconhecimento de hoje: segundo a página oficial da Fuvest, o Opúsculo Humanitário está na lista de leituras obrigatórias de 2026 e de 2027, e nas listas de 2028 e 2029 a obra de Nísia Floresta passa a ser outra, Conselhos à minha filha.

Segundo a página da Unicamp com as listas de 2027 a 2029, o livro não está entre as leituras obrigatórias do vestibular de 2027.

Por que cai no vestibular

A lista da Fuvest de 2026 a 2028 é só de autoras, e a Fuvest explica a mudança pela necessidade de valorizar as mulheres como autoras na literatura; na mesma página, a presidente do Conselho Curador da Fuvest diz que "Muitas delas foram alvo de décadas de invisibilidade pelo fato de serem mulheres".

Pelas datas da própria página, o Opúsculo, de 1853, é a obra mais antiga das listas de 2026 e de 2027.

Para quem vai fazer a prova, os capítulos que este resumo destaca servem de mapa: a tese, nos capítulos I, V e X; o argumento de que a inteligência não tem sexo, no XXVII; os números das escolas, no XXXVI; a crítica à educação para agradar, nos capítulos XXVI, XLVII e LI; a escravidão dentro de casa, nos capítulos XLI, XLII e XLIX; as indígenas, do LVIII ao LXI; e o apelo final, no LXII.

Vale também notar o limite do livro: ele pede educação para a mulher dentro da família e da religião, e não direitos políticos.

Isso é uma sugestão de leitura nossa, e não uma previsão de questão.

Uma nota sobre as palavras da época

O livro fala das pessoas escravizadas e dos povos indígenas com as palavras do seu tempo, que hoje são ofensivas, e usa a palavra selvagens para os indígenas.

As citações deste resumo evitam essas palavras, e a paráfrase conta o que o livro diz com as palavras de hoje.

Os castigos, a violência contra os indígenas e a morte da menina do capítulo XLVI são contados sem detalhe.

A edição

A edição lida é a primeira, de 1853, impressa no Rio de Janeiro pela Typographia de M. A. Silva Lima, na Rua de S. José, n. 8, com 178 páginas segundo o catálogo da Biblioteca Brasiliana, que digitalizou o exemplar; a data de 1853 está impressa na folha de rosto.

Os trechos citados estão na grafia da edição ("educae", "intelligencia", "Mãis", "Deos"), copiados um a um da imagem da página impressa; o espaço que a edição põe antes de ponto de exclamação, ponto de interrogação, ponto e vírgula e dois-pontos não foi reproduzido, e o traço longo que a edição usa como pontuação também não, por isso algumas citações curtas foram partidas onde ele aparece.

O texto digital que usamos para conferir é o reconhecimento automático de caracteres que vem no próprio arquivo da biblioteca, que tem muitos erros de leitura. Ele serve para localizar cada trecho na folha e conferir as letras, comparadas sem acento, sem pontuação e sem maiúsculas; os acentos e a pontuação vêm da imagem, e os trechos em que a leitura automática erra alguma letra foram conferidos na imagem. A imagem é a referência final: a comparação com a leitura automática ajuda a localizar e conferir, mas não é uma prova independente da transcrição. O formato tipográfico do apóstrofo foi trocado pelo comum. As páginas que a leitura automática não conseguiu ler foram lidas na imagem, e nenhum trecho foi citado delas.

O livro tem uma errata com treze correções; nenhuma delas cai nas páginas citadas aqui.

Leia o livro inteiro, na edição de 1853 digitalizada pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da USP. É dessa mesma edição que saem os trechos citados aqui, com a grafia dela. O Opúsculo Humanitário não está no acervo da Net Love. A obra está em domínio público no Brasil.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Memórias de Martha, Os Sertões, A Escrava Isaura, Iracema e Os Segredos da Mente Milionária.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o livro. A obra é de Nísia Floresta, que a assinou com as iniciais B. A. Os trechos citados vêm da edição de 1853: os trechos em bloco saíram dos capítulos I, V, XXVII, XLIX e LXII, todos conferidos no texto e na imagem da página impressa. As citações em bloco não trazem travessão.