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A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós: o resumo do romance do homem que tinha tudo em Paris novo

Vídeo produzido em 2026 para o acervo Net Love, a partir do resumo escrito aqui, pouco mais de 3 minutos. A trilha é sintetizada.

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Resumo escrito para o acervo Net Love em 29 de setembro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Eça de Queirós. A obra é dele, saiu em 1901, depois da morte do autor, em 1900, e está em domínio público no Brasil desde 1º de janeiro de 1971, setenta anos contados do primeiro dia do ano seguinte à morte, como manda o artigo 41 da Lei 9.610 de 1998. O texto que lemos e citamos é a transcrição da Wikisource em português, feita da primeira edição (Porto, Livraria Chardron, 1901), em 16 páginas, uma por capítulo. A grafia é a portuguesa de 1901, com formas como "Jacintho", "Elyseos" e "civilisação", e nós não a atualizamos. As citações desta página aparecem exatamente como estão na fonte, cada uma com o seu capítulo. O vídeo é narrado com a voz de Rodrigo Soares, sintetizada por inteligência artificial com a autorização dele. As figuras deste texto e as imagens do vídeo foram geradas por inteligência artificial em 2026.

Quem conta é o amigo

O livro não é narrado por Jacinto.

Quem conta é José Fernandes, o Zé Fernandes, amigo dele desde as escolas do Bairro Latino, em Paris.

É pelos olhos do Zé que vemos tudo, e ele não esconde que gosta do amigo e acha graça nele ao mesmo tempo.

A primeira frase do romance já é dele.

O meu amigo Jacintho nasceu n’um palacio, com cento e nove contos de renda em terras de semeadura, de vinhedo, de cortiça e d’olival.

A Cidade e as Serras, capítulo 1

As terras ficam em Portugal, e entre elas está a quinta de Tormes, na serra, no Baixo Douro.

Mas a vida de Jacinto é toda em Paris.

Mas o palacio onde Jacintho nascêra, e onde sempre habitára, era em Paris, nos Campos Elyseos, n.º 202.

A Cidade e as Serras, capítulo 1

Os amigos o chamavam de "Principe da Gran-Ventura", e o livro volta a esse apelido muitas vezes.

Quem é quem em A Cidade e as Serras. Jacinto, o dono do 202 dos Campos Elísios, rico, nascido e criado em Paris, que os amigos chamam de Príncipe da Grã-Ventura. José Fernandes, o Zé Fernandes, amigo dele desde as escolas do Bairro Latino e narrador do livro. O Grilo, o velho escudeiro de Jacinto. O Silvério, procurador em Tormes, e o Melchior, caseiro da quinta. A tia Vicência, com quem o Zé vive em Guiães. Joaninha, prima do Zé, da casa da Flor da Malva, filha do tio Adrião. E o João Torrado, velho da serra que diz que Jacinto é Dom Sebastião que voltou.
Quem é quem em A Cidade e as Serras, entre Paris e a serra. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

A ideia de Jacinto

Jacinto tem uma teoria sobre a felicidade, e leva a teoria a sério.

Ora n’esse tempo Jacintho concebêra uma Ideia... Este Principe concebêra a Ideia de que «o homem só é superiormente feliz quando é superiormente civilisado».

A Cidade e as Serras, capítulo 1

Um colega de Paris transforma a ideia numa conta: "Summa sciencia", vezes "Summa potencia", igual a "Summa felicidade".

O Zé não acredita muito nela.

Mesmo assim concorda, e explica por quê em poucas palavras: "porque sou bom".

O 202, cheio de invenções

Sete anos depois, o Zé volta a Paris e encontra o 202 abarrotado.

Há um elevador numa casa de só dois andares, telefone, teatrofone e uma biblioteca de mais de trinta mil volumes, que mais adiante o livro já conta em setenta mil.

E muita coisa falha.

O ponto alto é uma ceia para um grão-duque, que tinha mandado um peixe raro da Dalmácia.

Não, não era fogo. Fôra o elevador dos pratos, que inesperadamente, ao subir o peixe de S. Alteza, se desarranjára, e não se movia, encalhado!

A Cidade e as Serras, capítulo 4

No fim da noite, Jacinto resume tudo assim: "Uma massada! E tudo falha!"

A palavra "massada", a nossa maçada, volta muitas vezes na boca dele.

Com tudo à mão, ele se aborrece, e o Zé ouve o amigo repetir «Para que?» e «Não vale a pena!».

A notícia que vem de Tormes

A virada começa com uma carta.

Uma tormenta passa pela serra, um pedaço de monte desaba e leva junto a velha igreja onde estavam enterrados os avós de Jacinto.

Ele manda fazer uma capela nova.

Quando o procurador avisa que a obra está para ficar pronta, Jacinto decide ir a Tormes acompanhar a mudança dos ossos para a capela, e leva o Zé junto.

A viagem é um desastre.

Numa troca de trem, na Espanha, os dois se separam das malas e do velho criado, o Grilo.

Em Tormes ninguém esperava o dono, os caixotes mandados de Paris não chegaram, e não há nem uma cama arranjada.

Muito depois se descobre para onde foram os caixotes.

Pois mandou tudo para Alba-de-Tormes, em Hespanha! Está tudo em Hespanha!

A Cidade e as Serras, capítulo 9
Cidade e serra, frente a frente, só com o que o livro descreve. Em Paris, no 202: um elevador numa casa de dois andares, telefone e teatrofone, uma biblioteca de setenta mil volumes, o elevador dos pratos que encalha com o peixe do grão-duque, e a queixa repetida, que maçada. Em Tormes, na primeira noite: salas vazias e sem cama arranjada, uma enxerga dura, tamancos e uma camisa de estopa emprestada, caldo de galinha, arroz com favas e uma vela de sebo.
O 202 e Tormes, lado a lado, com o que o livro põe em cada um. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

O jantar

É aqui que o livro vira.

Jacinto, sem malas, sem cama e de mau humor, senta para jantar no casarão vazio.

Depois, desconfiado, provou o caldo, que era de gallinha e rescendia.

A Cidade e as Serras, capítulo 8

E logo confessa:

É que estou com uma fome... Santo Deus! Ha annos que não sinto esta fome.

A Cidade e as Serras, capítulo 8

É ele quem raspa a sopeira.

Depois vem o arroz com favas.

Em Paris, Jacinto sempre abominou favas.

Na serra ele prova, prova de novo e grita que aquelas, sim, são ótimas.

Para dormir, ganha uma enxerga dura, que é um colchão grosseiro, uma camisa de estopa emprestada e tamancos para os pés.

E, no dia seguinte, não volta para Paris.

A serra

Semanas depois, o Zé descobre que o amigo continua em Tormes.

Jacinto agora gosta de se levantar de manhã, anda pelos campos e acha bom ter uma escova só.

E faz ele mesmo a conta da vida antiga:

Assim com os meus setenta mil volumes: eram tantos que nunca li nenhum.

A Cidade e as Serras, capítulo 9

Ele descobre a pobreza dos caseiros, visita doentes e passa a ajudar as famílias da serra.

O povo começa a chamá-lo de "bom senhor".

E surge até uma lenda.

E eu proprio me impressionei, quando o Melchior me contou que o João Torrado, um velho singular d’aquelles sitios, de grandes barbas brancas, hervanario, vagamente alveitar, um pouco adivinho, morador mysterioso d’uma cova no alto da serra, a todos affirmava que aquelle bom senhor era El-Rei D. Sebastião, que voltára!

A Cidade e as Serras, capítulo 11

A partir daqui o resumo conta o desfecho. Se você prefere chegar lá sem saber, pare neste parágrafo.

Numa tarde de setembro, o Zé leva Jacinto à Flor da Malva, a casa da prima dele, Joaninha.

E foi assim que Jacintho, n’essa tarde de Septembro, na Flôr da Malva, vio aquella com quem casou em Maio, na capellinha d’azulejos, quando o grande pé de roseira se cobrira todo de rosas.

A Cidade e as Serras, capítulo 14

Cinco anos depois, eles têm dois filhos, Teresinha e Jacintinho.

Os famosos caixotes tinham chegado dois meses antes de Teresinha nascer, e quase tudo foi para o sótão.

O velho Grilo resume a mudança em três palavras: "S. ex.a brotou!"

E o Zé completa a imagem:

Aquelle resequido galho de Cidade, plantado na serra, pegára, chupára o humus do torrão herdado, creára seiva, afundára raizes, engrossára de tronco, atirára ramos, rebentára em flôres, forte, sereno, ditoso, benefico, nobre, dando fructos, derramando sombra.

A Cidade e as Serras, capítulo 15

No último capítulo, é o Zé quem vai a Paris.

Ele volta cansado da cidade, joga fora na estação os jornais que trouxe de lá, e sobe a serra com Jacinto, Joaninha e as crianças.

O livro termina com eles subindo "para o Castello da Gran-Ventura".

O caminho do livro em quatro trechos. Capítulos 1 a 7, Paris: a história de Jacinto, a teoria da felicidade pela civilização, o 202 cheio de invenções, a ceia do peixe e o tédio. Capítulo 8, a viagem: a carta sobre a capela nova, a partida, as malas perdidas e a primeira noite em Tormes. Capítulos 9 a 15, a serra: Jacinto fica, ajuda os caseiros, conhece Joaninha, casa e tem dois filhos. Capítulo 16, a volta: o Zé vai a Paris, volta, e todos sobem para o Castelo da Grã-Ventura.
Os dezesseis capítulos em quatro trechos, da cidade à serra. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

A frase que não está no livro

Muito resumo fala na "suprema civilização" de Jacinto.

Procuramos no texto inteiro, e essa expressão não aparece.

O que o livro diz é que Jacinto queria viver cercado de "Civilisação nas maximas proporções", e chama o amigo de "super-civilisado".

A ideia é a mesma, mas as palavras são essas.

Uma nota sobre 1901

O romance põe a cidade e o campo em lados opostos, e escolhe o campo sem disfarçar.

Paris aparece como excesso, cansaço e máquina que falha.

A serra aparece como comida boa, ar limpo e gente simples.

É uma escolha do livro, e ele a faz com humor: o próprio Zé ri do amigo nos dois lugares.

E a escolha não é total.

No fim, Jacinto deixa entrar em Tormes alguns confortos e até um telefone, e o Zé chama isso de equilíbrio.

O livro também tem os olhos do seu tempo.

O Grilo, o criado de Jacinto, é chamado muitas vezes pela cor da pele, como "o preto" ou "o digno preto", e o narrador o trata com carinho e de cima ao mesmo tempo.

A pobreza da serra é vista pelo lado do senhor que ajuda, e quem recebe a ajuda fala pouco.

Registramos isso sem corrigir Eça e sem absolvê-lo.

Por que ler hoje

Porque a pergunta de Jacinto continua de pé.

Ter tudo à mão deixa alguém feliz?

O livro responde com um peixe preso num elevador e um prato de arroz com favas, e é mais engraçado do que a fama de leitura obrigatória deixa ver.

Leia o romance inteiro, na transcrição publicada pela Wikisource em português, feita da primeira edição, de 1901, com os 16 capítulos em páginas separadas. É dessa mesma transcrição que saem os trechos citados aqui, na grafia portuguesa da época. A Cidade e as Serras não está no acervo da Net Love. A obra está em domínio público no Brasil desde 1971.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, O Alienista, Triste Fim de Policarpo Quaresma e O Cortiço.

Transcrição do vídeo

Eu sou o Rodrigo Soares, e em três minutos eu te conto A Cidade e as Serras, o romance de Eça de Queirós que saiu em mil novecentos e um, depois da morte do autor.

Aviso que no fim eu conto o desfecho.

Jacinto nasceu rico, com cento e nove contos de renda em terras de Portugal, mas nasceu e sempre morou em Paris, num palácio dos Campos Elísios, o número duzentos e dois.

Os amigos o chamavam de Príncipe da Grã-Ventura.

Quem conta a história é o amigo dele, José Fernandes, o Zé Fernandes, que conheceu Jacinto nas escolas de Paris, passou sete anos na aldeia, em Guiães, e depois voltou a Paris.

Jacinto tinha uma ideia: o homem só é superiormente feliz quando é superiormente civilizado.

Um colega transformou isso numa fórmula, suma ciência, vezes suma potência, igual a suma felicidade.

O Zé não se convence, mas concorda, porque, como ele mesmo diz, é bom.

Então o duzentos e dois se enche de invenções: um elevador numa casa de só dois andares, telefone, teatrofone, e uma biblioteca de mais de trinta mil volumes.

E muita coisa falha.

Numa ceia para um grão-duque, o elevador dos pratos encalha com um peixe raro da Dalmácia, e Jacinto resume a noite assim: uma maçada, e tudo falha.

Cercado de tudo, Jacinto se aborrece.

Anda pela casa murmurando, para quê, não vale a pena, que maçada.

A virada vem de Portugal.

Em Tormes, na serra, uma tormenta derruba um pedaço de monte, e com ele a velha igreja onde estavam sepultados os avós de Jacinto.

Ele manda fazer uma capela nova, e, quando ela está para ficar pronta, decide ir até lá.

A viagem é um desastre.

Numa troca de trem, na Espanha, os dois se separam das malas e do criado, o Grilo, os caixotes mandados de Paris não chegaram, e em Tormes não há nem uma cama arranjada.

E aí vem o jantar.

Jacinto prova o caldo de galinha, desconfiado, diz que há anos não sentia aquela fome, e raspa a sopeira.

Depois chega o arroz com favas, e ele, que em Paris sempre abominou favas, grita que aquelas, sim, são ótimas.

Para dormir, só uma enxerga dura e uma camisa de estopa emprestada.

Jacinto fica.

Descobre a pobreza dos caseiros e passa a ajudar, a serra começa a chamá-lo de bom senhor, e um velho chega a dizer que ele é Dom Sebastião, que voltou.

Casa com Joaninha, prima do Zé, e tem dois filhos.

O velho Grilo resume: sua excelência brotou.

No fim, é o Zé Fernandes quem volta a Paris, e volta de lá para a serra, onde todos sobem juntos para o Castelo da Grã-Ventura.

A Cidade e as Serras está em domínio público, e você pode ler o livro inteiro de graça.

O resumo escrito, com os trechos citados, está no Net Love.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o livro. A obra é de Eça de Queirós. Os trechos citados vêm da transcrição da Wikisource em português, feita da primeira edição de 1901, e saíram dos capítulos 1, 4, 8, 9, 11, 14 e 15. A grafia da fonte é a de 1901 e não foi atualizada. As citações não trazem travessão de diálogo. A nota sobre 1901 foi escrita aqui e não cita nenhum crítico.