Net Love Net Love
Seções

Memórias de Martha, de Júlia Lopes de Almeida: o resumo da menina do cortiço que virou professora novo

Tamanho
3.488 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 5 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Júlia Lopes de Almeida. A obra é dela e está em domínio público no Brasil. O texto que lemos e citamos é o da edição de 1899, de Sorocaba, nas imagens digitalizadas pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da USP. O livro é contado pela própria Martha, já adulta, olhando para trás, e é dessa forma que o resumo o conta. As figuras deste texto foram geradas por inteligência artificial em 2026.

A casa da infância e o cortiço

O livro abre com uma lembrança que a narradora diz ser vaga:

Tenho uma ideia vaga da casa em que nasci e onde morei até aos cinco annos.

Memórias de Martha, capítulo 1

Da primeira casa, Martha guarda pedaços: um quintal, o presépio no Natal, um homem zangado mandando pôr os móveis na rua e o pai morto na cama, que a mãe a obriga a beijar.

Ela foge para o quintal, apavorada, e o que lhe fica da morte do pai é o medo; o pai, diz ela, vivia em viagens de trabalho, e ela não sabe se o amou.

Depois disso, mãe e filha moram num quarto de um cortiço de São Cristóvão, sem criados, e a mãe engoma roupa para fora de manhã à noite, magra e com tosse.

A menina é tímida, medrosa e fraca, e as crianças do cortiço a chamam de lesma e de palerma.

Quando a mãe sai para entregar roupa, deixa Martha com uma vizinha que o livro chama só de "ilhôa", uma lavadeira bruta que bate nos filhos.

Aos sete anos, com fome, Martha recebe da filha mais velha da vizinha, Carolina, um bocado de carne com farinha, e assiste à mãe da moça derrubá-la a socos por ter dado a comida.

Numa entrega de roupa, a mãe se esconde num corredor para não ser vista por uma senhora elegante, que depois identifica como uma amiga antiga.

Na casa de uma freguesa, Martha conhece Lucinda, menina rica da mesma idade, que lhe mostra a boneca, o piano e um espelho que vai do teto ao chão:

Como me achei triste e feia ao lado d'aquella menina da minha edade!

Memórias de Martha, capítulo 1

A dona da casa dá a Martha um vestido encarnado da filha, e a menina sente o peso da palavra esmola.

Na semana seguinte vêm outras roupas, e é por causa delas que a mãe aceita mandá-la para a escola: agora a filha tem roupa para ir.

A escola, Mathilde e Clara Sylvestre

No capítulo 2, Martha entra na escola pública da freguesia.

Quem a ajuda nas lições é Mathilde, uma colega mais velha, que tem paciência de lhe ensinar as letras.

Um dia Mathilde é acusada de roubar objetos das colegas; um par de sapatinhos aparece na caixa dela, a professora a põe de castigo diante da classe, e todas as meninas, Martha também, deixam de lhe falar; isolada, Mathilde fica agressiva e acaba expulsa.

Mais de trinta anos depois, a narradora diz que ainda sente essa história na consciência como "uma grande nodoa".

A nova amiga é Clara Sylvestre, alegre, bonita e vaidosa, que divide com Martha a merenda e a água-florida que traz do lavatório da mãe, e cujo olhar escurece quando Martha descreve as meias de seda e a boneca de Lucinda:

Ter muito luxo era o seu sonho.

Memórias de Martha, capítulo 2

Depois de dois anos, Martha faz exame com sucesso.

Nas férias, fica em casa de novo e vê de perto a família da vizinha: o filho Manéco, a quem o vendeiro da esquina, o Joaquim, ensinou a beber, chega em casa embriagado, e a mãe o surra no chão.

Uma doença, um sonho e o vendeiro

No capítulo 3, uma epidemia de difteria e de sarampo passa pelo cortiço, e Martha fica gravemente doente; a mãe não sai do lado dela.

Na volta à escola, leva consigo Rita, a filha mais nova da vizinha, e a professora, D. Anninha, começa a preferi-la e a pedir que a ajude com as meninas menores.

Aos onze anos, Martha faz o segundo exame com louvor, mas não tem jeito para o serviço da casa, e a mãe lhe diz que precisa aprender a se sustentar.

Ouvindo uma adjunta da escola agradecer a Deus pelo emprego que lhe dá independência, ela tem uma ideia:

Nessa noite sonhei que era mestra: tinha uma casa grande, com jardim, onde cantavam doudamente, em uma alegria exhuberante e abençoada, os passarinhos.

Memórias de Martha, capítulo 3

Ela sonha fazer fortuna ensinando meninas, ter um palacete como o de Lucinda, e admite que, naquele momento, não pensava no descanso da mãe.

No mesmo capítulo, um médico diz que Manéco não tem cura; a vizinha vai à venda, espanca o vendeiro e é levada pelos soldados.

Carolina tem as pernas inchadas e repete, sobre as próprias doenças, "isto não é nada".

O segredo do pai

O capítulo 4 mostra o cortiço por dentro: o dono o rebatiza de avenida, caia as casas, despede um casal de moradores e faz tanques para as lavadeiras sem subir o aluguel, o que decide mãe e filha a ficar; continuam as brigas e as bebedeiras dos sábados.

Um morador, Tulio, é assassinado durante a noite pelo companheiro de quarto, Giovanni, que lhe rouba as economias e foge.

Martha passa noites em claro, de medo, e a mãe empilha os móveis contra a porta para acalmá-la.

Numa tarde, a mãe diz que ela se parece com o pai e, pela primeira vez, conta a história da família.

Os dois se conheceram num baile; o avô, jogador, se opôs ao casamento e acabou perdendo tudo no jogo; vieram de Minas, e o pai, que tinha empregos de escritório, se fez caixeiro-viajante para juntar um dote para a filha.

Na última viagem, roubaram-lhe o dinheiro dos patrões, a firma "Braga & Torres"; ninguém acreditou nele, e ele se matou para não ser preso.

Martha entende o que aconteceu com elas:

A viuva de um ladrão não podia continuar na mesma classe de que a memoria do marido a arrancara.

Memórias de Martha, capítulo 4

Ela culpa a si mesma, por causa do dote, e passa a sonhar com ficar rica para lançar à cara daqueles homens uma soma igual à que roubaram do pai.

Quem é quem em Memórias de Martha. Martha, quem conta: Menina tímida do cortiço de São Cristóvão, que estuda para ser professora. Conta a própria vida muitos anos depois. A senhora Martha, a mãe: Assim a chama a vizinha. Viúva, engoma roupa para fora de manhã à noite para sustentar a filha. Adoece no oitavo dia do casamento da filha e morre. Sem nome no livro, o pai: Caixeiro-viajante. Roubam-lhe o dinheiro dos patrões, ninguém acredita nele, e ele se mata para não ser preso. A vizinha e os filhos, no cortiço: Lavadeira bruta, sem nome. Carolina, a mais velha, divide a comida com Martha; Manéco morre do vício da bebida; Rita vai à escola com ela. Lucinda, a menina rica: Mostra a Martha a boneca, o piano e o espelho. Ao lado dela, Martha se acha triste e feia. Mathilde e Clara Sylvestre, na escola: Mathilde ensina as letras a Martha e é expulsa, acusada de roubo. Clara, a amiga alegre, reaparece anos depois, elegante e misteriosa. D. Anninha, a professora: Também chamada d. Annita. Ensina Martha desde o abc, leva-a à Escola Normal e, nas férias, a Palmeiras. Luiz, em palmeiras: Primo da professora, estudante de medicina. Martha se apaixona por ele, que se casa com outra. Leonor, a sobrinha da professora: Loura, vestida de branco no baile da professora. É com ela que Luiz se casa. Miranda, o noivo: Solicitador, freguês da mãe, de quarenta e tantos anos. Apaixona-se pelas cartas de Martha e se casa com ela. Martha conta tudo na primeira pessoa. A vizinha chama a mãe dela também de Martha.
Quem é quem em Memórias de Martha. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

O primeiro ordenado e a casa nova

No capítulo 5, Martha vive com medo de desgraças, de encontrar a mãe morta, de ser esmagada por um carro.

Manéco morre, magro, depois de muitos dias sem reconhecer ninguém, e Martha vê pela primeira vez a vizinha beijar um filho.

No dia seguinte, a professora lhe conta que ela foi nomeada e vai receber ordenado.

Mãe e filha saem procurando casa perto da escola:

Acabava-se a humilhação do cortiço; em breve deixaria de passar por aquelle grande portão que me fazia corar de vergonha.

Memórias de Martha, capítulo 5

O aluguel de um chalé recém-construído levaria o ordenado inteiro.

O que a decide é um rapaz de olhos brilhantes que a olha durante uma aula na Escola Normal e segue a ela e à professora até o portão do cortiço.

Ela nunca mais o vê, aluga o chalé, e só muito depois se pergunta se o rapaz não seguia, na verdade, a professora.

O baile da professora

No capítulo 6, já no chalé, Martha se apaixona por esse desconhecido, e explica por quê: ela se acha feia, desajeitada, e ninguém, pensa, olharia para ela com prazer.

Convenço-me de que, naquelle rapaz eu não amei o homem: amei o Amor, o meu triumpho, a hypothese de ser amada

Memórias de Martha, capítulo 6

Estuda com afinco, ganha das colegas o apelido de "a santinha" e chega aos vinte anos sem amigas íntimas, sem namoro e sem bailes.

A mãe, preocupada, pede à professora que a convide, e Martha vai sozinha a uma festa na casa dela, de vestido de linho azul comprado com o dinheiro do crochê.

A mãe a acompanha até a porta e promete voltar às onze para esperá-la embaixo, no vestíbulo, onde só os criados a veriam, porque não tem vestido para entrar.

Lá dentro, Martha conhece Leonor, sobrinha da professora, loura e vestida de branco; é posta para dançar uma quadrilha com um velho conselheiro e erra os passos diante de todos; guarda no bolso uns doces para a mãe e percebe que uns rapazes riem dela.

Quando ouve que são duas horas, desce correndo: a mãe a esperava desde as onze.

No dia seguinte, a professora nem tinha notado que ela saiu.

Palmeiras e Luiz

No capítulo 7, nas férias, Martha tem tosse, febre e crises de mau humor.

O médico diz que ela devia se casar, que aquilo é histerismo, e depois recomenda uma viagem.

A professora vai passar um mês em Palmeiras, um lugar de serra a que se chega de trem, e a mãe consegue, com um adiantamento pedido a um freguês antigo, o Miranda, mandar a filha com ela e com o marido, o Sr. Jeronymo.

Lá, num passeio pelo mato, aparece Luiz, primo da professora, estudante de medicina, falador e brincalhão, e a professora o convida para almoçar no dia seguinte.

Na manhã seguinte, Martha se arruma com mais cuidado, faz um penteado novo e prende flores no corpete:

E nesse dia esqueci a minha fealdade.

Memórias de Martha, capítulo 7

Depois do almoço, Luiz descreve o castelo que construiria se fosse rico, e o Sr. Jeronymo responde que, rico, só queria sossego, uma espingarda e um cão.

Na volta, Luiz oferece o braço a Martha e lhe diz que sonha com um lar e uma esposa honesta.

Ela imagina a casa dos dois, com trepadeiras na janela e a mãe olhando de perto.

A tempestade e o hotel

No capítulo 8, Luiz traz flores e versos todos os dias, e Martha engorda, perde a tosse e fala como nunca tinha falado.

Uma tarde, uma tempestade os obriga a se abrigar na cabana de um velho lenhador; passa pela estrada uma hóspede do hotel, uma moça americana, filha de um homem paralítico, com um grande cão terra-nova, e Luiz a acompanha com os olhos.

Na volta, com um trovão, Martha quase cai de susto, e Luiz a ampara.

No dia seguinte, ele não aparece, e chega um telegrama: a mãe do Sr. Jeronymo está doente, e todos precisam voltar.

Na manhã da partida, Martha sobe sozinha até o hotel, esperando ouvir de Luiz a palavra que faltava, e o encontra no jardim, abraçado à americana.

Ela sabe um pouco de inglês e guarda duas frases; uma delas é "Do you love me?".

Achei-a linda e enchi-me de raiva por aquella belleza.

Memórias de Martha, capítulo 8

Desce a montanha em desespero, a ponto de pensar em morrer, e, no caminho da estação, pede à professora que lhe traduza as frases, sem dizer quem as disse.

No Rio, a mãe está mais magra, e conta que o Miranda, agora vizinho, sempre perguntava por ela e lia as cartas que ela mandava.

Clara, a notícia e o concurso

No capítulo 9, Martha tem crises de choro e de nervos, e a mãe trabalha ainda mais para pagar os banhos de mar que o médico receitou.

Num passeio pelo Engenho Novo, vê passar uma mulher elegantíssima, de cabelo pintado e leque vermelho: é Clara Sylvestre.

Clara diz que foi ver a filha de uma criada que morreu, e, quando uns rapazes a chamam da estrada, se despede chorando, pedindo que Martha não pense mais nela, porque não merece a amizade dela.

O livro não diz que vida Clara leva; o luxo, os rapazes que a chamam e a frase dela deixam subentendido que ela vive fora do que a época chamava de vida honesta, e Martha não chega a saber mais.

A minha nevrose, a minha dôr de viver, de ser feia, de ser pobre, de ser triste, durou ainda muito tempo

Memórias de Martha, capítulo 9

A professora conta que Luiz vai se casar, não com a americana, mas com a sobrinha Leonor.

No mesmo dia, a mãe lhe mostra no jornal, trazido pelo Miranda, o aviso de um concurso para professoras das escolas públicas.

O pedido do Miranda

No capítulo 10, Martha passa no concurso, e a nomeação de professora chega no dia do casamento de Luiz.

A mãe conta que o Miranda, solicitador, de quarenta e tantos anos, pediu a mão dela: apaixonou-se lendo as cartas de Palmeiras, que a mãe lhe mostrava.

Martha responde que não quer se casar e que já tem "uma posição independente".

A mãe diz que não queria morrer sem vê-la casada, e Martha pensa no que é a vida de uma mulher sozinha, sem ninguém que repare nela:

A reputação da mulher é essencialmente melindrosa. Como o crystal puro, o minimo sopro a enturva

Memórias de Martha, capítulo 10

Ela conclui que o Miranda amou nela o espírito, não a pessoa, e, depois de muitas horas, chega a uma conclusão que diz com todas as letras:

reflecti que o meu casamento seria uma vingança para os ultrajes que a minha imaginação de moça recebera sempre.

Memórias de Martha, capítulo 10

O noivo e a última noite de solteira

No capítulo 11, ela já disse sim, e só então olha o noivo de verdade: gordo, calvo, de barba grisalha, com um ar paternal e leal, que fala com erros de gramática.

A mãe conta a ele o fim do pai, e ele a faz calar.

Depois, a mãe explica à filha o que pensa do casamento: quando a mulher é mais instruída que o marido, cabe a ela disfarçar a diferença.

Martha pensa que a felicidade suprema seria unir-se a alguém com os mesmos gostos e as mesmas tendências:

Mas essa era uma aspiração absurda, e fiz por convencer-me de que só havia um homem capaz de me fazer feliz

Memórias de Martha, capítulo 11

A cadeira de professora de Martha é no Engenho Novo.

Na estação, mãe e filha encontram a antiga vizinha: Carolina se casou e apanha do marido, Rita vai se casar com um barbeiro, e o marido da vizinha perdeu as duas pernas num acidente.

Martha adia a data do casamento duas vezes, até marcar de vez.

Na véspera, queima os cadernos antigos e, entre eles, uns versos de Luiz, que lê em voz alta para a mãe antes de jogá-los no fogo.

O casamento e a mãe

No capítulo 12, Martha se casa numa tarde de verão, com poucas pessoas; a professora é a madrinha.

Passámos uma semana feliz; meu marido consagrava-me uma affeição serena; era delicado e bom.

Memórias de Martha, capítulo 12

No oitavo dia do casamento, a mãe desmaia à mesa do jantar.

O médico diz que ela tinha o coração arruinado havia muitos anos e que é espantoso que ainda vivesse.

Martha não sai do lado dela até que, um dia, a mãe a beija, faz sinal para que saia do quarto e morre na poltrona.

O livro termina com Martha de joelhos ao lado da mãe morta, sem sair dali.

Do cortiço à cadeira. As casas e os lugares de Martha, da infância ao casamento. 1, A casa da infância, cap. 1: Até os cinco anos. O pai morre, e os móveis da família vão para a rua. 2, O cortiço de São Cristóvão, caps. 1 a 5: Um quarto onde a mãe engoma roupa para fora. A escola pública da freguesia, a vizinha e os filhos dela. 3, O chalé perto da escola, caps. 5 e 6: Alugado com o primeiro ordenado de Martha, que o aluguel leva inteiro. 4, Palmeiras, caps. 7 e 8: Férias na serra com a professora e o marido, planejadas para um mês. Luiz, a tempestade, o hotel. 5, De volta à cidade, caps. 9 e 10: Crises de nervos, o concurso, a nomeação no dia do casamento de Luiz, o pedido do Miranda. 6, Engenho Novo, caps. 11 e 12: A cadeira de professora fica lá. O casamento com o Miranda; a mãe adoece no oitavo dia e morre. Os lugares como Martha os conta; Palmeiras é só um lugar de serra com estação, túnel e hotel.
Do cortiço à cadeira de professora, de casa em casa. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.
Os doze capítulos. Da casa da infância à morte da mãe. 1, A infância, capítulo 1: O pai morto, o cortiço, a fome, Lucinda e o espelho, o vestido encarnado. 2, A escola, capítulo 2: Mathilde expulsa, Clara Sylvestre, o primeiro exame; Manéco embriagado. 3, O sonho, capítulo 3: A doença, o segundo exame aos onze anos, o sonho de ser mestra; o vendeiro surrado. 4, O segredo, capítulo 4: Um crime no cortiço; a mãe conta a ruína e a morte do pai; Braga & Torres. 5, A casa nova, capítulo 5: Manéco morre; a nomeação; o rapaz da Escola Normal; o chalé. 6, O baile, capítulo 6: Amei o Amor; os vinte anos; a festa da professora; a mãe à espera até as duas. 7, Palmeiras, capítulo 7: Tosse, febre e o conselho do médico; a serra; Luiz e o castelo. 8, O hotel, capítulo 8: Versos, a tempestade, a americana; o abraço no jardim; a volta. 9, Clara, capítulo 9: Crises de nervos; Clara Sylvestre; Luiz noivo de Leonor; o aviso do concurso. 10, O pedido, capítulo 10: A nomeação no dia do casamento de Luiz; o pedido do Miranda; casar por vingança. 11, O noivo, capítulo 11: O Miranda de perto; a lição da mãe sobre o casamento; a vizinha na estação; os versos queimados. 12, O casamento, capítulo 12: Uma semana feliz; a mãe adoece no oitavo dia e morre.
Os doze capítulos, da casa da infância à morte da mãe. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

O que é de Júlia Lopes de Almeida e o que se pode afirmar

Memórias de Martha foi o primeiro romance de Júlia Lopes de Almeida (Rio de Janeiro, 1862 a 1934).

Segundo a exposição da Biblioteca Brasiliana sobre o livro, ele saiu primeiro em folhetim no jornal carioca Tribuna Liberal, entre dezembro de 1888 e janeiro de 1889, e a edição em livro é de 1899, a que lemos aqui.

A mesma exposição registra que uma edição posterior mudou o enredo, e nela o pai morre de febre amarela; este resumo segue a de 1899, a data com que a Fuvest lista o livro.

O livro está na lista de leituras obrigatórias da Fuvest para os vestibulares de 2026, 2027 e 2028, segundo a página oficial da Fuvest.

O Rio do livro é o do Império: na sala da escola há um retrato do Imperador, e o telegrama que chama o Sr. Jeronymo vem "da Côrte".

Os lugares existem, como São Cristóvão, o Engenho Novo e a Gamboa; Palmeiras, no livro, é só um lugar de serra com estação, túnel e hotel, e o resumo não o identifica.

As pessoas e o enredo são de Júlia Lopes de Almeida.

A narradora é Martha, que conta a própria vida muitos anos depois, como diz ao falar de Mathilde.

O livro não diz quantos anos ela tem ao escrever, nem o que aconteceu com o casamento depois da morte da mãe: termina ali.

O que ele mostra, do começo ao fim, é uma mulher pobre que estuda para ter trabalho e casa próprios, e que mede a si mesma o tempo todo pela beleza das outras.

Uma nota sobre a morte do pai, a violência e as palavras da época

O pai de Martha se mata para não ser preso, acusado de um roubo de que foi vítima, e a filha, ao saber, se culpa; no capítulo 8, a própria Martha, desesperada, pensa em morrer.

O resumo conta esses fatos como o livro conta, sem detalhes. Se o tema tocar você, o CVV atende pelo telefone 188, de graça, a qualquer hora.

O livro mostra, sem suavizar, a vida num cortiço do Rio do século XIX: uma criança a quem um adulto ensinou a beber e que morre disso, mães e maridos que batem, um assassinato.

As doenças também não têm explicação moderna: o médico chama de histerismo o mal-estar de Martha e receita casamento ou viagem, e a doença da mãe é descrita pelo médico do romance como uma lesão antiga do coração.

São palavras de um médico de romance, do fim do século XIX, e não é informação médica.

A narradora descreve várias pessoas pela cor da pele, com as palavras da época, e às vezes junta essas palavras a juízos sobre feiura ou caráter, como na apresentação de Mathilde, a colega acusada de roubo.

O resumo não repete essas palavras e não as usa para descrever ninguém.

A própria narradora, adulta, chama de nódoa o abandono de Mathilde, e isso o resumo conta, mas esse remorso não é uma revisão dos juízos com que ela a descreve.

Ela também identifica pessoas pela origem: a vizinha não tem nome e é sempre "a ilhôa", a mulher das ilhas, e no cortiço há galegos, tiroleses e uma paraguaia; o resumo a chama de "a vizinha" e só usa a palavra do livro para dizer como ela é chamada.

A edição

A edição lida é a de 1899, Casa Durski, Editora, Sorocaba, que traz no frontispício o título Memorias de Martha e, entre parênteses, a palavra Narrativa.

O romance ocupa doze capítulos, numerados de I a XII, e o volume traz depois três contos, que este resumo não cobre.

Os trechos citados estão na grafia da edição ("annos", "edade", "consciencia", "belleza"), conferidos um a um nas imagens da Biblioteca Brasiliana; o texto digital que usamos para conferir é o reconhecimento automático de caracteres do Internet Archive sobre a mesma digitalização, que tem erros de leitura, e nenhum trecho citado foi escolhido onde a leitura automática diverge da página impressa.

Essa conferência garante que os trechos são os da página de 1899, mas não corrige lapsos da própria edição, e o texto digital não é uma edição crítica.

Leia o romance inteiro, nas imagens da edição de 1899 digitalizadas pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da USP. É dessa mesma edição que saem os trechos citados aqui, com a grafia dela. Memórias de Martha não está no acervo da Net Love. A obra está em domínio público no Brasil.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são O Cortiço, Casa de Pensão, Senhora, Helena e Dom Casmurro.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o livro. A obra é de Júlia Lopes de Almeida. Os trechos citados vêm da edição de 1899, de Sorocaba: os trechos em bloco saíram dos capítulos 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11 e 12, todas as citações conferidas no texto e nas imagens da página impressa. As citações em bloco não trazem travessão de diálogo.