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A Falência, de Júlia Lopes de Almeida: o resumo do romance da casa de café que quebra no Rio de 1891

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1.517 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 9 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Júlia Lopes de Almeida. A obra é dela e está em domínio público. Os trechos citados saem da primeira edição, de 1901, impressa no Rio de Janeiro pelas Officinas de Obras d'A Tribuna, nas imagens de um exemplar da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da USP. O romance tem um suicídio, que o resumo diz sem descrever.

O livro

A Falência se passa no Rio de Janeiro, entre o armazém de café da rua de São Bento e um palacete em Botafogo.

São vinte e cinco capítulos.

O romance acompanha a família de Francisco Theodoro do auge da riqueza até a ruína, e depois mostra como a mulher, as filhas e a sobrinha recomeçam a vida.

O armazém da rua de São Bento

O livro abre no calor do verão, com a rua cheia de carroças e de carregadores de sacas de café:

O Rio de Janeiro ardia sob o sol de dezembro, que escaldava as pedras, bafejando um ar de fornalha na atmosphera.

A Falência, na edição d'A Tribuna (Rio de Janeiro, 1901), página 5, capítulo I

O dono do armazém é Francisco Theodoro, um português que chegou pobre ao Brasil e enriqueceu no comércio de café.

Todos os dias, às duas horas, os amigos negociantes sobem ao escritório dele para o cafezinho: João Ramos, o comendador Lemos, Negreiros e Innocencio Braga, o mais novo do grupo.

O narrador situa o tempo da história:

Corria então o anno de 1891 em que o preço do café assumira proporções extraordinarias.

A Falência, na edição d'A Tribuna (Rio de Janeiro, 1901), página 13, capítulo I

Os amigos comentam a fortuna repentina de um negociante, o Gama Torres, que ganhou muito especulando na Bolsa, e Francisco Theodoro sente inveja.

No mesmo capítulo, ele lembra com saudade o tempo em que o trabalho do armazém era feito por pessoas escravizadas; a saudade é da personagem, e o livro a mostra sem disfarce.

A família de Botafogo

O capítulo II conta como Francisco Theodoro subiu na vida e se casou com Camilla, filha de uma família do morro do Castelo, a quem todos chamam Milla.

Em casa vivem o filho mais velho, Mario, que gasta muito e dá desgosto ao pai; Ruth, a filha que estuda violino; as gêmeas Lia e Rachel, ainda pequenas; Nina, sobrinha de Camilla, uma parenta pobre criada pela família; e Noca, a criada que cuida de todos.

Frequentam a casa o Dr. Gervasio, médico da família, e o capitão Rino, comandante de navio.

O capítulo termina revelando que Camilla tem um caso com o Dr. Gervasio.

O marido não sabe de nada.

O capitão Rino, que ama Camilla sem ser correspondido, percebe.

Nina também.

As tias do Castelo

No morro do Castelo moram duas tias velhas da família de Camilla: D. Itelvina, avarenta, e D. Joanna, muito devota.

Com elas vive Sancha, uma menina órfã que trabalha para as duas sem descanso.

O narrador fala dela com termos racistas do seu tempo, que este resumo não repete.

D. Joanna sabe do caso de Camilla e chega a dizer isso ao médico, que reage com desprezo.

O café e a febre da Bolsa

O comércio vai cada vez melhor:

O commercio de café nadava em ouro.

A Falência, na edição d'A Tribuna (Rio de Janeiro, 1901), página 157, capítulo VII

Os amigos de Francisco Theodoro enriquecem especulando na Bolsa.

Ele, que até ali resistia firme nos seus princípios, começa a sentir a tentação.

Em casa, Mario se afasta do pai e diz que detesta o médico sem saber explicar por quê.

Nina, que gosta em silêncio do primo, sofre com as desatenções dele.

Numa visita da família ao navio do capitão Rino aparece Catharina, irmã dele, uma moça que defende a independência das mulheres.

O negócio de Innocencio

Innocencio Braga convida Francisco Theodoro para entrar num grande negócio especulativo com café.

Depois de hesitar, ele aceita.

Por insistência de Ruth, dá a Nina uma casa pequena de aluguel, para que ela tenha um dinheiro seu.

A casa dá um grande baile.

Ruth passa uns dias com as tias do Castelo, vê D. Itelvina maltratar Sancha e aconselha a menina a fugir.

Sancha foge.

Mais tarde, Nina fica sabendo que Sancha já tinha querido tirar a própria vida.

Mario se casa com Paquita, irmã da baronesa da Lage, e parte com ela para a Europa.

A falência

Os telegramas começam a trazer a notícia de que o preço do café cai, um pouco a cada dia.

Innocencio garante que é só jogo e que tudo vai voltar.

Uma casa de Santos com que Francisco Theodoro tinha negócios quebra e leva grande parte do capital dele.

Pouco depois, a casa Theodoro tem de declarar falência.

Ele recebe os credores, despede-se dos empregados e se fecha no gabinete para que não o vejam chorar.

Escreve cartas de despedida e, de madrugada, tira a própria vida no escritório.

Camilla aparece à porta e não consegue impedir.

O livro conta isso em poucas linhas, e este resumo não descreve a cena.

Se você está passando por um momento difícil ou pensa em tirar a própria vida, procure ajuda: o CVV, pelo telefone 188, atende de graça, 24 horas por dia, e também pelo site cvv.org.br.

A casa pequena

Depois do enterro, a família se muda para a casa que Francisco Theodoro tinha dado a Nina.

Quem organiza tudo é a própria Nina:

Nina despediu os criados, montou a casa nova com mobilias baratas, leitos de ferro, louças brancas, sem douraduras.

A Falência, na edição d'A Tribuna (Rio de Janeiro, 1901), página 397, capítulo XXII

Pela primeira vez a família faz contas.

Noca arranja freguesia para passar roupa, e Ruth começa a dar aulas de violino.

Camilla e o Dr. Gervasio voltam a se aproximar.

Mario volta da Europa com Paquita, que espera um filho, visita a família sem ela e decide o destino de todas: as gêmeas iriam para a casa da baronesa, Ruth para a casa dele, Nina para a casa do pai, e Camilla deveria se casar com o médico.

Camilla recusa o dinheiro do filho, mas as gêmeas acabam indo para a baronesa.

Duas recusas

Camilla vai à casa do Dr. Gervasio e propõe o casamento.

Ele responde que não pode ser e conta que é casado e está preso a outra mulher.

Camilla volta para casa a pé, arrasada.

No dia seguinte, decide trabalhar.

Ruth sugere que ela mande buscar as gêmeas e as ensine a ler, e Camilla aceita.

No último capítulo, o capitão Rino volta ao Rio depois de dois anos de viagens:

Depois de dois annos de viagens pelos Estados Unidos, o capitão Rino desembarcou no Rio de Janeiro.
Vinha outro, remoçado, lepido, despido do seu ar de ingenua rudeza.

A Falência, na edição d'A Tribuna (Rio de Janeiro, 1901), página 441, capítulo XXV

A irmã, Catharina, percebe a mudança, e o narrador resume: "Vinha salvo".

Lendo o jornal, ele vê o anúncio de um concerto de Ruth.

Catharina pergunta em voz baixa se ele vai visitá-la agora, sem dizer o nome.

Rino responde com outra pergunta: "Para que?".

O romance termina aí.

Uma leitura

A Falência mostra a ruína de um homem que viveu para o dinheiro e a força das mulheres que ficam.

Na casa pequena, quem sustenta a família são Nina, Ruth e Noca.

Camilla perde o marido, a fortuna e o amor, e no fim escolhe trabalhar e ficar com as filhas.

A edição que lemos

Lemos a primeira edição, A Fallencia, de Julia Lopes de Almeida, impressa no Rio de Janeiro pelas Officinas de Obras d'A Tribuna, na rua do Ouvidor, com a data de 1901 na folha de rosto.

A capa do mesmo exemplar traz 1902.

O exemplar tem dedicatória da autora e foi digitalizado pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da USP.

Lemos a abertura de todos os capítulos e as páginas de que este resumo fala, no texto reconhecido por máquina desse exemplar; não lemos o romance inteiro página a página na imagem.

Cada trecho citado foi copiado da imagem da página impressa, na grafia da edição ("atmosphera", "annos", "ingenua").

Leia o romance, nas imagens do exemplar da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da USP, na primeira edição, de 1901. O acervo da Net Love tem este resumo, não o romance inteiro. O romance está em domínio público.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Memórias de Martha, A Normalista, Casa de Pensão e O Cortiço.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o romance. A obra é de Júlia Lopes de Almeida. Os trechos citados vêm da primeira edição, de 1901: os trechos em bloco saíram das páginas 5, 13, 157, 397 e 441, e as citações curtas entre aspas vêm também da página 442, todos copiados da imagem da página impressa. As citações não trazem travessão de diálogo.