Net Love
Seções

Casa de Pensão, de Aluísio Azevedo: o resumo do romance do estudante maranhense no Rio novo

Resumo escrito para o acervo Net Love em 30 de setembro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Aluísio Azevedo. A obra é dele, saiu em livro em 1884, e está em domínio público no Brasil desde 1º de janeiro de 1984, setenta anos contados do primeiro dia do ano seguinte à morte do autor, em 1913, como manda o artigo 41 da Lei 9.610 de 1998. O texto que lemos e citamos é a transcrição da Wikisource em português, feita da terceira edição (Rio de Janeiro, H. Garnier, 1899), uma página para cada um dos vinte e dois capítulos. A grafia da transcrição é quase toda a de hoje, com o trema e alguns acentos de antes, como "idéia" e "tranqüilo", e tem trechos na grafia antiga; nós não mexemos em nada. O livro mostra pessoas escravizadas, na casa de Amâncio no Maranhão e no Rio; a escravidão foi crime e violência contra pessoas, amparada pelas leis da época. O romance tem um processo por crime sexual e um assassinato; o resumo conta os dois sem descrição. As figuras deste texto foram geradas por inteligência artificial em 2026.

Um estudante do Norte

O livro começa num escritório do Rio de Janeiro.

Seriam onze horas da manhã.

Casa de Pensão, capítulo 1

Um rapaz de vinte anos entra no escritório do negociante Luís Batista de Campos, na Rua Direita, com uma carta do pai.

É Amâncio de Vasconcelos, que acaba de chegar do Maranhão e quer se matricular na Escola de Medicina.

Campos deve muitos favores à família dele, e chama um tio de Amâncio de "um segundo pai".

Por isso oferece a casa, onde mora com a mulher, D. Maria Hortênsia, e a cunhada, D. Carlotinha.

O capítulo 2 volta à infância de Amâncio no Maranhão.

O pai, Vasconcelos, é um português duro, que bate no filho.

A mãe, D. Ângela, é carinhosa e protege o menino.

Na escola, o mestre Antônio Pires castiga as crianças com a palmatória, e o narrador diz que Amâncio aprende a fingir e a ter medo.

O rapaz chega ao Rio cheio de ideias de romance e de aventura.

Nunca saíra do Maranhão; vira de longe a Corte através do prisma fantasmagórico de seus sonhos.

Casa de Pensão, capítulo 2

Na casa do Campos, Amâncio se sente vigiado.

Com a ajuda de Campos, ele se matricula em medicina duas semanas depois de chegar.

Na rua, reencontra Paiva Rocha, colega dos tempos do Maranhão, que o apresenta a dois estudantes da Politécnica, João Coqueiro e Salustiano Simões.

A casa de pensão

O capítulo 5 conta a história de João Coqueiro.

João Coqueiro era fluminense e fluminense da gema.

Casa de Pensão, capítulo 5

A família dele foi rica e ficou pobre.

A mãe, viúva, abriu uma casa de pensão para pagar os estudos do filho, e morreu quando ele estava no segundo ano da Politécnica.

Coqueiro e a irmã, Amélia, foram morar com uma francesa amiga da mãe, Mme. Brizard, de cinquenta anos, viúva de um hoteleiro.

Coqueiro, bem mais moço, casou com ela.

Os dois reformaram o velho prédio da família na Rua do Resende e abriram ali a casa de pensão de Mme. Brizard.

Moram com eles Amélia, César, filho de Mme. Brizard, e Nini, filha dela, viúva e doente.

Três anos depois, Amâncio chega ao Rio.

Coqueiro o leva para a casa de pensão e diz que ele vai ser tratado "como um filho".

Os hóspedes são um grupo variado: o Dr. Tavares, o casal Paula Mendes, Lúcia e Pereira, que se apresentam como casados sem ser, um homem viajado chamado Lambertosa, e outros.

Quem é quem em Casa de Pensão. Amâncio de Vasconcelos, estudante de vinte anos, chega do Maranhão para estudar medicina, filho de Vasconcelos e de D. Ângela. D. Ângela, a mãe, fica no Maranhão e chega ao Rio no último capítulo. Luís Batista de Campos, negociante da Rua Direita, deve favores à família de Amâncio e o recebe em casa. D. Maria Hortênsia, a mulher de Campos, que Amâncio deseja e a quem escreve; ela não cede. João Coqueiro, estudante da Politécnica, dono da casa de pensão, casado com Mme. Brizard e irmão de Amélia. Mme. Brizard, francesa, viúva de um hoteleiro, bem mais velha que Coqueiro, mãe de César e de Nini. Amélia, irmã de Coqueiro, que cuida de Amâncio na doença e se torna amante dele. Paiva Rocha, colega do Maranhão. Os hóspedes: Lúcia e Pereira, o Dr. Tavares, Paula Mendes e a mulher, Lambertosa. O livro mostra pessoas escravizadas: a ama de leite de Amâncio, e Sabino, menino dado a ele de presente pela avó.
Quem é quem em Casa de Pensão. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

Hortênsia e Amélia

Amâncio passa a desejar Hortênsia, a mulher de Campos.

Num baile, ele se convence de que ela gosta dele.

Ela não cede.

Na casa de pensão, Amélia se aproxima dele aos poucos.

Amâncio adoece de bexigas.

O médico diz que são benignas, mas vários hóspedes vão embora com medo.

Amélia cuida dele como enfermeira.

As bexigas foram boas e secariam prontamente, sem quase deixar sinal na pele.

Casa de Pensão, capítulo 12

Lúcia avisa Amâncio de que os carinhos da família são uma armadilha para os bens dele.

Ele responde que gosta de Amélia, mas "sem intenção de espécie alguma".

O médico manda Amâncio para um lugar de bons ares, e Coqueiro, Mme. Brizard, Amélia e César se mudam com ele para Santa Teresa; Nini vai para uma casa de saúde.

Lá, Amâncio e Amélia se tornam amantes.

O pai de Amâncio morre de beribéri no Maranhão.

Amélia passa a pedir vestidos, joias, dinheiro, e depois uma casa.

Nessa mesma noite ficou assentado que o rapaz, em nome da amante, compraria a casa de Laranjeiras.

Casa de Pensão, capítulo 15

Amâncio passa no exame do primeiro ano, "aprovado plenamente".

A fuga e a prisão

D. Ângela escreve duas cartas pedindo que o filho vá ao Maranhão.

Ela está doente e sozinha, e o inventário do marido precisa dele.

No capítulo 18, o narrador conta o cálculo de Coqueiro: ele esperava que a irmã ficasse grávida, para obrigar Amâncio a casar.

Amâncio decide viajar escondido, com a ajuda de Paiva.

Amélia percebe e avisa o irmão, que passa a seguir os passos dele até a compra da passagem para o Norte.

No dia da viagem, perto do cais Pharoux, um oficial de justiça intima Amâncio a ir à polícia.

Coqueiro tinha procurado o Dr. Teles de Moura, advogado velho que o narrador descreve como famoso pelas manhas no foro, e feito uma queixa-crime: acusa Amâncio de ter desonrado a irmã.

Amâncio vai para a detenção.

No inquérito, duas testemunhas depõem contra ele: um taverneiro vizinho e um alferes de polícia.

Mais tarde, o livro conta que os dois cobram de Coqueiro o pagamento pelo que depuseram contra um homem que mal conheciam de vista.

Amâncio nega a violência e nega ter prometido casamento.

Diz que Amélia foi posta diante dele todos os dias, como uma armadilha, e os estudantes na sala aplaudem.

O processo segue, e o tribunal da Relação mantém a pronúncia: Amâncio vai a júri.

As casas de Amâncio no Rio, com os capítulos. Hotel Coroa de Ouro, capítulo 1. A casa do Campos, na Rua Direita, capítulos 1 a 8. A casa de pensão da Rua do Resende, capítulos 8 a 14, onde ele tem bexigas. Santa Teresa, capítulos 14 a 17, para onde a família de Coqueiro se muda com ele. O chalé das Laranjeiras, capítulos 17 a 19, comprado por Amâncio em nome de Amélia. A detenção e o Hotel Paris, capítulos 19 a 21.
As casas de Amâncio no Rio, do capítulo 1 ao 21. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

O escândalo

O caso vira assunto da cidade.

Os jornais começavam a explorá-lo.

Casa de Pensão, capítulo 20

Os estudantes se dividem, e a maioria fica contra Coqueiro.

Campos, no começo, corre para defender Amâncio.

Então Coqueiro manda a Campos uma carta de amor de Amâncio a Hortênsia, que o livro diz ter sido subtraída por Amélia.

Campos rompe com Amâncio.

Hortênsia, que tinha recusado o rapaz, agora sofre por ele e escreve a ele na prisão.

A carta dela, em vez de consolar, deixa Amâncio com raiva.

O júri e o fim

Três meses depois, a Escola Politécnica e a Escola de Medicina apresentavam o quente aspecto de uma sedição.

Casa de Pensão, capítulo 21

Amâncio é absolvido, depois de um júri de quarenta horas.

Os estudantes o levam em triunfo pela Rua do Ouvidor até o Hotel Paris, aos gritos de "Viva Amâncio de Vasconcelos!".

No hotel há banda à porta, almoço e champanha.

Hortênsia manda a ele um ramo de flores.

Na casa de Coqueiro, falta tudo: o gás foi cortado, o último criado foi embora, as dívidas crescem.

Mme. Brizard culpa o marido.

Coqueiro recebe cartas anônimas cheias de insultos e, sozinho de noite, retira da secretária o velho revólver do pai.

De madrugada, um grupo de convivas bêbados da festa de Amâncio apedreja as janelas da casa.

Coqueiro sai com o revólver no bolso e vai ao Hotel Paris.

Lá, atira em Amâncio, que dorme.

Amâncio morre chamando pela mãe.

Coqueiro é preso ali mesmo.

A cidade inteira fala no "crime do Hotel Paris".

Campos procura Coqueiro na prisão e oferece ajuda e dinheiro.

O enterro de Amâncio é enorme, com políticos, estudantes e povo na rua.

Aos poucos, a opinião vira a favor de Coqueiro, e até Paiva passa a dizer que ele fez bem.

Pouco depois do enterro, chega do Maranhão um vapor.

Essa senhora era D. Ângela, a mãe de Amâncio.

Casa de Pensão, capítulo 22

Ela tinha partido ao saber da prisão do filho, e não sabe da morte.

Na Rua Direita e depois na Rua do Ouvidor, vê chapéus, bengalas e gravatas com o nome do filho nas vitrines, e depois o retrato dele.

O livro termina quando ela vê, num mostrador, a imagem do filho morto, e cai na calçada.

Do processo ao fim, capítulo por capítulo. Capítulo 18: Amâncio decide viajar ao Maranhão escondido, e Amélia avisa o irmão. Capítulo 19: perto do cais, Amâncio é levado à polícia por uma queixa-crime de Coqueiro; duas testemunhas depõem contra ele, e a Relação mantém a pronúncia. Capítulo 20: o caso vira escândalo, e Campos rompe com Amâncio. Capítulo 21: três meses depois, Amâncio é absolvido, há festa no Hotel Paris, e Coqueiro mata Amâncio. Capítulo 22: o enterro enche a cidade, e D. Ângela chega do Maranhão e descobre a morte do filho.
Do processo ao fim do livro. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

Uma nota sobre 1884

O livro não cita nenhum caso real; se houve um, é assunto de fora do livro, e este resumo não trata dele.

O narrador julga as personagens o tempo todo, e culpa a educação que Amâncio recebeu; essas opiniões são do narrador e do tempo do livro, não do resumo.

O que as personagens dizem sobre honra, desonra e vingança é do tempo e das pessoas do livro; o resumo não toma essas opiniões como fato.

A escravidão aparece em várias passagens, e a lista abaixo não é completa.

A ama de leite de Amâncio é uma mulher escravizada, e o livro conta que ela apanhava e que comprou a própria alforria com o dinheiro que juntou em quinze anos.

A avó dá a Amâncio um menino escravizado, Sabino, que vai com ele para o Rio.

Na casa de pensão, Lúcia tem Cora, uma pessoa escravizada, com a escritura de compra em nome dela.

Há também uma mucama na casa de pensão, que o livro não chama pelo nome.

O avô de Coqueiro enriqueceu no tráfico de africanos.

D. Ângela viaja ao Rio com uma mulher escravizada, de quem o livro não diz o nome.

O livro usa para essas pessoas as palavras da época, e nós não as repetimos aqui.

A transcrição

A Wikisource declara a edição de onde tirou o texto: a terceira, Rio de Janeiro, H. Garnier, 1899.

A maior parte está na grafia de hoje, com o trema de antes, mas há trechos longos na grafia antiga, como "fallar" no capítulo 7 e "Santa Thereza" no capítulo 14.

A transcrição tem alguns erros de digitação, como "Convenceram-mo" no capítulo 2, e nós não mexemos neles.

O Cortiço, do mesmo autor, também está na série.

Leia o romance inteiro, na transcrição publicada pela Wikisource em português, com os 22 capítulos em páginas separadas, feita da terceira edição, de 1899. É dessa mesma transcrição que saem os trechos citados aqui, com a grafia dela. Casa de Pensão não está no acervo da Net Love. A obra está em domínio público no Brasil desde 1984.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são O Cortiço, O Mulato, O Ateneu, O Primo Basílio e Senhora.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o livro. A obra é de Aluísio Azevedo. Os trechos citados vêm da transcrição da Wikisource em português, feita da terceira edição, de 1899. A grafia da fonte não foi atualizada. As citações não trazem travessão de diálogo, e nenhuma descreve o processo nem a morte do fim. A nota sobre 1884 foi escrita aqui e não cita nenhum crítico.