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Helena, de Machado de Assis: o resumo do romance da filha reconhecida em testamento novo

Resumo escrito para o acervo Net Love em 30 de setembro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Machado de Assis. A obra é dele, saiu em livro em 1876, e está em domínio público no Brasil desde 1º de janeiro de 1979, setenta anos contados do primeiro dia do ano seguinte à morte do autor, em 1908, como manda o artigo 41 da Lei 9.610 de 1998. O texto que lemos e citamos é a transcrição da Wikisource em português, feita da edição de 1876 (Rio de Janeiro, B. L. Garnier), uma página para cada um dos vinte e oito capítulos. A grafia da transcrição é quase toda a de hoje, com o trema e alguns acentos de antes, como "idéias" e "tranqüiliza"; nós não mexemos em nada. Na casa do conselheiro há pessoas escravizadas, e uma delas, Vicente, tem papel na história; a escravidão foi crime e violência contra pessoas, amparada pelas leis da época. O fim do romance tem uma morte; o resumo a conta sem descrição. As figuras deste texto foram geradas por inteligência artificial em 2026.

O testamento

O livro começa com uma data.

O conselheiro Vale morreu às 7 horas da noite de 25 de abril de 1859.

Helena, capítulo 1

A família do conselheiro é pequena: o filho, o Dr. Estácio, de vinte e sete anos, formado em matemáticas, e a irmã, D. Úrsula, solteira, que dirige a casa.

A casa fica numa chácara em Andaraí, no Rio de Janeiro.

O Dr. Camargo, médico e velho amigo da família, acha o testamento e avisa que ali pode haver "um erro".

No dia seguinte, o testamento é aberto, e os testamenteiros são Estácio, Camargo e o padre Melchior.

O conselheiro declarava reconhecer uma filha natural, de nome Helena, havida com D. Ângela da Soledade. Esta menina estava sendo educada em um colégio de Botafogo.

Helena, capítulo 2

O conselheiro pede que a família receba a moça em casa e a trate como filha.

D. Úrsula não aceita bem a ideia.

Estácio aceita a vontade do pai e diz que vai receber a irmã como se tivessem sido criados juntos.

Camargo acha o reconhecimento um excesso e diz que tentou tirar a ideia da cabeça do amigo.

Helena em Andaraí

Helena chega numa tarde de segunda-feira, trazida por D. Úrsula.

Ela tem dezesseis a dezessete anos.

Nos primeiros dias fica quase só no quarto, e depois vai ganhando a casa: toca piano, desenha, fala francês, conversa com todos.

D. Úrsula resiste por muito tempo.

Os escravizados da casa também custam a gostar dela, e o livro conta que um deles foi diferente:

Um só de tantos pareceu vê-la desde princípio com olhos amigos; era um rapaz de dezesseis anos, chamado Vicente, cria da casa e particularmente estimado do conselheiro.

Helena, capítulo 4

O narrador chama Vicente de "advogado convicto nos julgamentos da senzala".

Mais tarde, Estácio o põe para servir Helena, e ele a acompanha nos passeios a cavalo.

O padre Melchior é o capelão da casa, com sessenta anos, e mora ali perto.

Ele recebe Helena bem desde o começo.

Camargo, não.

O narrador diz que, nos primeiros dias de agosto, ele é "o único irreconciliável".

A doença de D. Úrsula muda tudo.

Durante uns vinte dias, Helena cuida dela de dia e de noite, e depois disso a tia passa a gostar dela de verdade.

Quem é quem em Helena. O Conselheiro Vale, que morre em 25 de abril de 1859 e reconhece Helena em testamento. Helena, de dezesseis a dezessete anos, educada num colégio de Botafogo. Estácio, o filho do conselheiro, de vinte e sete anos, formado em matemáticas. D. Úrsula, a irmã do conselheiro, solteira, que dirige a casa de Andaraí. O Dr. Camargo, médico e velho amigo da casa, pai de Eugênia e marido de D. Tomásia, no Rio Comprido. Eugênia, a namorada e depois noiva de Estácio. Luís Mendonça, amigo de Estácio, que volta da Europa e fica noivo de Helena. O padre Melchior, capelão da casa, de sessenta anos. Salvador, o morador da casa da bandeira azul. Ângela, a mãe de Helena, que já morreu quando o livro começa. Vicente, rapaz escravizado da casa, que acompanha Helena.
Quem é quem em Helena. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

Eugênia e o Dr. Camargo

Estácio namora Eugênia, a filha única de Camargo, que mora no Rio Comprido com a mãe, D. Tomásia.

Eugênia é bonita, gosta de bailes e de vestidos, e briga com Estácio por coisas pequenas.

Ele adia o pedido de casamento muitas vezes.

Camargo tem planos para o futuro genro.

Ele propõe que Estácio seja deputado, e Estácio reluta.

O narrador explica o que move o médico:

Naquele homem céptico, moderado e taciturno, havia uma paixão verdadeira, exclusiva e ardente: era a filha.

Helena, capítulo 14

A casa da bandeira azul

Helena diz que quer aprender a montar, e na primeira lição mostra que já sabe.

No primeiro passeio, os dois irmãos sobem a estrada e Helena pede para ir até uma casa que avista adiante.

Havia, efetivamente, cerca de quatro minutos adiante, à esquerda da estrada, uma casa de insignificante aparência, sobro cujo telhado flutuava uma bandeira azul presa a uma vara.

Helena, capítulo 6

Estácio conhece a casa, mas nunca tinha visto a bandeira.

Na volta, Helena acena com o lenço para ela, brincando.

No aniversário de Estácio, ela dá a ele um desenho da estrada, com os dois a cavalo e, ao longe, a velha casa.

Estácio vai até lá comparar o desenho e vê na janela um homem lendo.

Antes disso, Estácio já tinha visto Helena ler uma carta escondida na chácara.

Numa conversa, ele diz a ela que ela ama alguém, e ela responde que sim, muito.

Ela não diz quem.

Mendonça

Nessa hora chega Luís Mendonça, amigo de Estácio, que volta de dois anos na Europa.

Ele traz alegria para a casa e passa a frequentar Andaraí.

Na festa do aniversário de Estácio, Camargo encontra Helena sozinha numa sala.

Pede a ela que ajude a apressar o casamento de Estácio com Eugênia.

Quando ela hesita, ele mostra que sabe das visitas dela, às seis horas da manhã, a uma casa velha e pobre enfeitada com uma "flâmula azul".

Helena fica lívida.

Camargo termina assim: "Conto com a senhora."

Helena passa a noite chorando.

No dia seguinte, faz Estácio cumprir a promessa de pedir Eugênia, e ele pede.

O casamento fica marcado para a primeira semana de março.

O noivado de Helena

A madrinha de Eugênia adoece numa fazenda em Cantagalo, e Eugênia só aceita ir se Estácio for junto.

Ele vai.

Na mesma madrugada da partida, Helena sai a cavalo com Vicente até a casa da bandeira azul, encontra tudo fechado e deixa um bilhete por baixo da porta.

Com Estácio longe, Mendonça começa a amar Helena.

Helena conversa com o padre Melchior, diz que Mendonça a ama e que aceitaria casar com ele.

O padre junta as mãos dos dois e propõe o casamento.

Estácio volta às pressas e se opõe.

Diz ao padre que Helena ama outro homem, e diz a Mendonça que Helena não o ama.

Mendonça, ofendido, desiste.

Helena escreve um bilhete chamando Mendonça e pede a Estácio que o mande.

Estácio diz que consente no casamento, mas não manda o bilhete, e à noite o queima.

Na manhã seguinte, ele mesmo procura o amigo e diz que aprova a união.

Mendonça ainda recua, com medo de parecer interessado na herança.

Helena diz ao padre que, em último caso, abre mão da herança, e Mendonça acaba cedendo.

O segredo

Numa manhã, Estácio sai para caçar e, na volta, vê Vicente sair de trás da casa velha com a mula e a égua, e depois Helena sair pela porta da frente.

Estácio sentiu uma nuvem cobrir-lhe os olhos; ao mesmo tempo, apertava o primeiro objeto que achou debaixo das mãos: era a cerca de espinhos.

Helena, capítulo 20

Com a mão ferida como pretexto, ele bate na porta.

Quem abre é o mesmo homem da janela, de trinta e seis a trinta e oito anos, que vive pobre e sozinho.

O homem traz uma bacia e uma toalha, enxuga a mão dele e completa o curativo com o lenço de Estácio.

Conversa sobre a pobreza em que vive, e não conta nada sobre Helena.

Em casa, Estácio mostra a Helena a casa no desenho, e ela empalidece.

Ele conta tudo a D. Úrsula e ao padre Melchior, certo de que descobriu um amor escondido de Helena.

D. Úrsula não quer acreditar, e o padre pede calma.

O padre, então, fala a sós com Estácio e diz uma coisa que o deixa sem palavras: "tu amas tua irmã".

Estácio promete, sobre um crucifixo, tratar Helena como uma pessoa estranha.

À noite, Vicente procura o padre no portão e diz que "Nhanhã Helena é uma santa".

Na manhã seguinte, vai à casa do padre e conta que o homem da casa velha é irmão de Helena.

Helena diz ao padre que Vicente repetiu de boa-fé o que ela mesma tinha dito a ele, e entrega ao padre uma carta.

A carta começa com "Minha boa filha" e é assinada por Salvador.

Helena diz ao padre: "sei que é meu pai".

A casa da bandeira azul, capítulo por capítulo. Capítulo 6: no primeiro passeio a cavalo, Helena pede para ir até a casa, e acena para a bandeira. Capítulo 11: o desenho que Helena dá a Estácio, com a casa ao longe; Estácio vê um homem lendo na janela. Capítulo 12: Camargo mostra a Helena que sabe das visitas dela à casa. Capítulo 15: Helena vai à casa de madrugada, com Vicente, e deixa um bilhete por baixo da porta. Capítulos 20 e 21: Estácio vê Helena sair de lá, fere a mão na cerca de espinhos e entra. Capítulo 22: Estácio aponta a casa no desenho, e Helena empalidece. Capítulos 24 a 26: Estácio e o padre Melchior vão à casa, e Salvador conta a história.
A casa da bandeira azul, do capítulo 6 ao 26. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

A história de Salvador

Estácio e o padre vão à casa da bandeira azul, e Salvador conta a história a eles.

Ele e Ângela, a mãe de Helena, eram do Rio Grande do Sul.

O pai dele era contra o casamento, e ele fugiu com Ângela.

Viveram na pobreza, e nunca se casaram.

Helena nasceu deles.

Quando a menina tinha seis anos, Salvador foi chamado ao Rio Grande, onde o pai estava doente.

Na volta, Ângela tinha ido morar em São Cristóvão com outro homem.

Esse homem era o Conselheiro Vale.

Segundo Salvador, o conselheiro nunca o tinha visto nem sabia o nome dele.

Ângela tinha dito ao conselheiro que estava separada de Salvador, e mais tarde disse que ele tinha morrido.

Uns dois meses depois, Salvador viu pela cerca a filha no colo do conselheiro, que dizia a ela que o pai estava no céu e perguntava: "Queres ser minha filha?"

O conselheiro pôs Helena no colégio de Botafogo, como órfã de um amigo de Minas.

Segundo Salvador, quando ela tinha doze anos, ele a encontrou no Passeio Público, e ela o reconheceu.

Ângela morreu, diz ele, um ano depois.

No capítulo 12, a própria Helena diz que tinha "apenas doze anos" quando perdeu a mãe; a diferença está no livro, e nós a deixamos como está.

Pai e filha passaram a se escrever, e as cartas eram levadas por uma mulher escravizada do colégio, que Salvador pagava.

Quando o conselheiro morreu, Helena quis recusar o reconhecimento.

Salvador insistiu até ela ceder, e ele mesmo diz que ela cedeu "sem convicção nem fervor".

Ela visitava o pai escondido.

No fim, Salvador diz que não tem outras provas além das cartas e das lágrimas dele.

A história de Helena, como Salvador a conta nos capítulos 25 e 26. Salvador e Ângela fogem do Rio Grande do Sul e vivem pobres, sem se casar; Helena nasce deles. Quando Helena tem seis anos, Salvador vai ao Rio Grande ver o pai doente. Na volta, Ângela está em São Cristóvão com o Conselheiro Vale, a quem disse que estava separada de Salvador e, mais tarde, que ele tinha morrido. O conselheiro põe Helena num colégio de Botafogo. Aos doze anos, Helena reencontra o pai no Passeio Público. Ângela morre um ano depois. Em 1859 morre o conselheiro, e o testamento reconhece Helena, que quer recusar e cede à insistência de Salvador. Ela vai morar em Andaraí e visita o pai escondido.
A história de Helena, segundo Salvador. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

O fim

O padre aconselha a família a não mudar nada, para evitar o escândalo, e Estácio comunica a Helena que ela continua na família, como quis o pai.

Helena pede que a deixem ir embora da casa, e Estácio responde que a lei está do lado deles.

De noite, chega uma carta de Salvador, com as cartas de Helena, que diz "Elimino-me."

Ele desaparece, para que Helena conserve o lugar dela na família.

Nessa noite, Estácio entende o que sente:

Agora, sim; roto o vínculo, restituída a verdade, ele conhecia que a voz da natureza, mais sincera e forte que as combinações sociais, os chamava um para o outro, e que a mulher destinada a amá-lo e ser amada era justamente a única que as leis sociais lhe vedavam possuir.

Helena, capítulo 28

Ele escreve a Mendonça para apressar os dois casamentos.

Helena quase não come e foge de todos.

Num dia feio, com temporal chegando, Estácio a encontra no banco perto do tanque.

Os dois se olham, e o narrador diz que é a primeira revelação, sem palavras, do que sentem um pelo outro.

Começa a chover, Helena não quer entrar, e Estácio a leva para casa nos braços.

A febre, que já tinha começado antes, toma conta dela, e o médico diz que o caso é grave.

A doença dura sete dias.

Estácio quer mandar procurar Salvador, achando que a presença do pai poderia salvá-la.

Não dá tempo.

Helena morre.

Quando o enterro sai e a casa se esvazia, sozinho com o padre, Estácio diz: "Perdi tudo, padre-mestre!"

A última frase do livro está na casa do Rio Comprido:

Ao mesmo tempo, na casa do Rio Comprido, a noiva de Estácio, consternada com a morte de Helena, e aturdida com a lúgubre cerimônia, recolhia-se tristemente ao quarto de dormir, e recebia à porta o terceiro beijo do pai.

Helena, capítulo 28

O livro não conta se Estácio casou com Eugênia, nem o que foi feito de Salvador.

Uma nota sobre 1876

O romance gira em torno de um reconhecimento de filha feito em testamento, e das regras de família e de herança da época.

O que as personagens dizem sobre honra, escândalo e dignidade da família é do tempo e das pessoas do livro; o resumo não toma essas opiniões como fato.

Na casa do conselheiro há pessoas escravizadas: mucamas, pajens, os escravos que servem a mesa e acendem as lâmpadas.

Vicente é o único deles que o livro chama pelo nome, e ele tem falas próprias; o narrador diz que a esperança de liberdade dele, "se a podia haver", era "precária e remota".

Estácio lembra, no capítulo 21, que Helena já lhe tinha pedido a liberdade de Vicente, e o livro não diz se ela foi dada.

Ao agradecer a lealdade de Vicente, Helena fala em "corpo vil do escravo"; registramos a expressão como está no texto, sem corrigir.

As cartas de Salvador passavam pelas mãos de uma mulher escravizada do colégio, de quem o livro não diz o nome.

A transcrição

A Wikisource declara a edição de onde tirou o texto: Rio de Janeiro, B. L. Garnier, 1876, com a digitalização da edição.

A maior parte está na grafia de hoje, com o trema de antes ("tranqüiliza").

A transcrição tem alguns erros de digitação, como "sobro" no lugar de "sobre", no capítulo 6, e palavras coladas, como "desceuà", no capítulo 23, e nós não mexemos neles.

Leia o romance inteiro, na transcrição publicada pela Wikisource em português, com os 28 capítulos em páginas separadas, feita da edição de 1876. É dessa mesma transcrição que saem os trechos citados aqui, com a grafia dela. Helena não está no acervo da Net Love. A obra está em domínio público no Brasil desde 1979.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Memorial de Aires e Senhora.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o livro. A obra é de Machado de Assis. Os trechos citados vêm da transcrição da Wikisource em português, feita da edição de 1876: os trechos em bloco saíram dos capítulos 1, 2, 4, 6, 14, 20 e 28, e as citações curtas entre aspas, dos capítulos 1, 4, 6, 12, 23, 24, 25, 26, 27 e 28. A grafia da fonte não foi atualizada. As citações não trazem travessão de diálogo, e nenhuma descreve a morte do fim. A nota sobre 1876 foi escrita aqui e não cita nenhum crítico.