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Capítulo dos Chapéus, de Machado de Assis: o resumo do conto da mulher que pede ao marido para trocar de chapéu

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1.486 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 9 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Machado de Assis. A obra é dele e está em domínio público no Brasil. O texto que lemos e citamos é o do livro Histórias sem Data, da casa B. L. Garnier, de 1884, nas páginas 87 a 111, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página impressa. O conto passa por uma sessão da Câmara dos Deputados; o resumo não toma partido político e conta o que o conto diz.

O pedido

O conto abre com uma epígrafe de Molière e com uma invocação em tom de poema épico, aplicada a uma briga doméstica.

Musa, canta o despeito de Marianna, esposa do bacharel Conrado Seabra, naquella manhã de abril de 1879.

Capítulo dos Chapéus, em Histórias sem Data, página 87

A causa de tanto alvoroço é um chapéu baixo, leve, nada deselegante.

Conrado é advogado, tem escritório na rua da Quitanda e usa esse chapéu todos os dias na cidade há cinco ou seis anos, o tempo do casamento.

Só não o leva às recepções, ao teatro lírico, aos enterros e às visitas de cerimônia.

Depois do almoço, Marianna pede a ele um sacrifício: que não vá mais à cidade com aquele chapéu.

Conrado leva na brincadeira, mas ela insiste, primeiro suplicante, depois imperiosa e áspera.

Ele se espanta, porque a mulher costuma ser passiva e meiga e se adapta a tudo.

Uma mulher de hábitos

Marianna gosta da casa e das coisas no lugar de sempre.

Trata os móveis e as cortinas com amor de mãe, e das três janelas da frente só uma vive meio aberta, sempre a mesma.

Lê sempre os mesmos livros: A Moreninha, de Macedo, sete vezes, Ivanhoe e O Pirata, de Walter Scott, dez vezes, e um romance de Madame Craven, onze vezes.

O pedido tem uma origem que Conrado não conhece.

Na noite anterior, enquanto ele estava numa sessão do Instituto da Ordem dos Advogados, o pai de Marianna foi visitá-la.

É um velho ex-funcionário público, apegado aos costumes antigos, que naquele dia tinha visto o genro na rua, de chapéu baixo, conversando com homens públicos de chapéu alto.

Achou o chapéu horrível e pediu à filha que o fizesse desaparecer.

A zombaria

Conrado, que é autoritário e voluntarioso, se irrita com a teimosia, mas prefere zombar.

Fala com tanta ironia e desdém que Marianna se sente humilhada.

Ela tenta se levantar da mesa duas vezes, e ele a faz ficar.

Então ele expõe, sorrindo, uma razão filosófica: a escolha do chapéu não seria livre, porque o chapéu seria parte do homem, "um prolongamento da cabeça".

Ninguém poderia trocá-lo sem se mutilar, e talvez o homem é que fosse o complemento do chapéu.

Marianna não entende a teoria, mas percebe o sarcasmo e chora de vergonha por dentro.

Conrado sobe, se veste, despede-se com cerimônia e sai, de chapéu baixo na cabeça.

O dia na cidade

Sozinha, Marianna olha da janela o marido esperando o bonde e passa a odiar o chapéu.

Pensa que a sua docilidade de tantos anos talvez seja a causa daquilo e resolve sair para espairecer na casa de Sophia, uma antiga colega de colégio.

Sophia tem trinta anos, é alta, forte e muito senhora de si.

Marianna acaba contando tudo, e Sophia diz que ela tem sido mole demais: que não fale com o marido e só faça as pazes se ele trocar de chapéu.

Sophia se gaba de que o próprio marido, Ricardo, faz tudo o que ela quer.

O narrador conta que Sophia é honesta, mas namoradeira, e que distribui olhares a todos como quem dá troco miúdo.

Ela convida Marianna para passear na cidade, e Marianna aceita, com vontade de se vingar.

Na rua do Ouvidor, a multidão, as lojas e o movimento atordoam Marianna, acostumada à calma de casa.

Sophia anda com desenvoltura, troca olhares com os rapazes e vai mostrando chapéus de homem e de senhora por toda parte.

Na sala de espera do dentista, Marianna encontra o seu primeiro namorado, o doutor Viçoso, que ela não via desde 1877.

Ele andou pela roça e pela Europa, foi presidente de uma província do sul e traz na mão um chapéu alto, novo, de ar oficial.

Viçoso conversa com as duas sobre ópera, bailes, corridas de cavalo e Petrópolis, olhando muitas vezes para Marianna.

Quando Sophia diz que ele devia casar, ele responde, de olhos em Marianna, que provavelmente nunca vai casar, e ela fica muito vermelha.

Na Câmara

Viçoso precisa ir à Câmara dos Deputados, e Sophia resolve ir também; Marianna recusa, diz que está cansada, insiste um pouco, mas acaba indo.

Na tribuna, Marianna se cansa, não entende os discursos e pede à amiga que não a arraste mais de um lugar para outro.

Sophia troca olhares com um dos secretários e mostra a ela o ministro da justiça.

Depois de quinze minutos, uma expressão do orador e uma réplica da oposição levantam apartes e um tumulto de quase um quarto de hora, e Marianna, no meio daquela agitação, começa a duvidar de si.

Ela continua achando que tinha razão no pedido, mas já não sabe se valia tanto barulho.

Pensa que errou ao contar tudo a Sophia, que gosta de espalhar histórias, e passa a tratá-la com uma docilidade fingida.

Na volta, pede à amiga que guarde segredo, e Sophia promete.

A volta para casa

Em casa, tudo está no lugar, menos um vaso do jardim, que o jardineiro mudou e que ela manda pôr de volta.

Marianna senta em vários cantos, olha as coisas quietas e arrumadas, e a monotonia nunca lhe pareceu tão boa.

Acha que fez mal, que a culpa maior foi dela e que o pai também exige demais.

Fica à espera do marido na sala da frente, com o Ivanhoe nas mãos, sem conseguir ler.

Santa monotonia, tu a acalentavas no teu regaço eterno.

Capítulo dos Chapéus, em Histórias sem Data, página 110

Enfim para um bonde, e Conrado entra pelo jardim com outro chapéu na cabeça, justamente o que a mulher tinha pedido de manhã.

Marianna sente um choque, como o do vaso fora do lugar.

Era a nota desegual no meio da harmoniosa sonata da vida.

Capítulo dos Chapéus, em Histórias sem Data, página 111

Não podia ser aquele chapéu, pensa ela, e o outro, o de tantos anos, ficava tão bem no marido.

Conrado entra, ela o recebe nos braços, e ele pergunta se a zanga passou.

Marianna responde com um carinho e pede que ele jogue fora o chapéu novo: "antes o outro".

Por que o conto é lido assim

Nesta leitura, o conto é uma comédia sobre o hábito.

Marianna pede a mudança por influência do pai, sai de casa por influência da amiga, e o mundo de fora a deixa tonta.

O que ela quer, no fim, é a ordem de sempre, e o chapéu baixo do marido fazia parte dela.

O narrador trata tudo com ironia, da invocação épica do começo à teoria do chapéu de Conrado.

A edição

O conto está no livro Histórias sem Data, de Machado de Assis, Rio de Janeiro, B. L. Garnier, Livreiro-Editor, 1884, ano impresso na folha de rosto, com o título impresso Capitulo dos chapéos.

Lemos o conto nas imagens dessa edição digitalizadas pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (USP) e publicadas no Wikimedia Commons.

Cada trecho citado foi copiado da imagem da página e conferido no texto reconhecido por máquina dessas mesmas imagens.

A transcrição da Wikisource que acompanha essas imagens está marcada como não revisada, por isso não citamos dela.

A nota da Wikisource diz que o conto saiu antes na revista A Estação, em 1883; não conferimos essa primeira publicação.

Leia o conto inteiro, na Wikisource em português, que mostra a transcrição ao lado das imagens da edição de Histórias sem Data. A transcrição de lá mantém a grafia da época e ainda não foi revista; os trechos citados aqui foram copiados das imagens das páginas, com a grafia da edição. O acervo da Net Love tem este resumo, não o conto inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são A Igreja do Diabo, Noite de Almirante, Uns Braços, A Chinela Turca e Missa do Galo.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o conto. A obra é de Machado de Assis. Os trechos citados vêm de Histórias sem Data, B. L. Garnier, 1884: os trechos em bloco saíram das páginas 87, 110 e 111, e as citações curtas entre aspas vêm das páginas 91 e 111, todos copiados da imagem da página e conferidos no texto reconhecido por máquina. As citações em bloco não trazem travessão de diálogo.