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Uns Braços, de Machado de Assis: o resumo do conto do rapaz de quinze anos na casa do solicitador novo

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1.029 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 8 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Machado de Assis. A obra é dele e está em domínio público no Brasil. O texto que lemos e citamos é o do livro Várias Histórias, da casa Laemmert, de 1896, nas páginas 51 a 71, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página impressa. Ignácio tem quinze anos e D. Severina é adulta, e o resumo não descreve o corpo dela.

A casa do solicitador

O conto se passa na rua da Lapa, em 1870.

Ignácio tem quinze anos e trabalha para o solicitador Borges, que o leva às audiências e aos cartórios e costuma repreendê-lo com grosseria.

O pai dele é barbeiro na Cidade Nova e o pôs ali na esperança de vê-lo um dia no foro.

Borges vive como casal com D. Severina, que tem vinte e sete anos, há alguns anos.

Ignácio mora na casa há cinco semanas, num quarto dos fundos com janela para o mar.

Só vê D. Severina nas refeições, três vezes por dia, e fica com os olhos presos nos braços dela.

Sente falta da mãe e das irmãs, e pensa em ir embora.

Tinha vontade de ir embora e de ficar.

Uns Braços, em Várias Histórias, página 56

Ele aguenta o trabalho, a solidão e a grosseria do patrão pela única paga de ver, três vezes por dia, "o famoso par de braços".

O que D. Severina percebe

Numa noite, depois de uma descompostura de Borges no jantar, D. Severina desconfia pela primeira vez de que o rapaz gosta dela.

Primeiro rejeita a ideia, porque ele é uma criança.

Mas ha ideias que são da familia das moscas teimosas : por mais que a gente as sacuda, ellas tornam e pousam.

Uns Braços, em Várias Histórias, página 58

Pensa em contar tudo a Borges, mas antes quer ter certeza.

Ela observa Ignácio nos dias seguintes e conclui que é amada.

Decide não dizer nada: não havia perigo de desrespeito da parte dele, e ela pouparia um desgosto a Borges e outro ao menino.

Passa a tratá-lo com secura, e depois, aos poucos, com carinho e cuidados de amiga e de mãe.

Ignácio fica cada vez mais inquieto e já não consegue pensar em outra coisa.

O domingo

Num domingo à tarde, Borges sai, e Ignácio, cansado, adormece na rede lendo um folheto antigo e sonha com D. Severina.

Ela, sozinha na sala, fica inquieta, lembra que ele comeu pouco no almoço e vai até o quarto dele.

Encontra-o dormindo, fica olhando, diz a si mesma que ele é uma criança, e acaba se inclinando e o beijando enquanto ele dorme.

No sonho dele, ela faz o mesmo gesto, e ele não acorda.

D. Severina foge para a sala, envergonhada e com medo de que ele tenha percebido.

O conto diz que ela mesma não acabava de acreditar no que tinha feito.

O conto conta o gesto como vexame dela; dito com todas as letras, um adulto beijou um adolescente que dormia.

O fim

No jantar, Ignácio está alegre e ainda leva consigo o sonho.

Nos dias seguintes, D. Severina aparece com um xale cobrindo os braços e fica calada e severa com ele.

No sábado, Borges manda dizer ao pai que não pode ficar com o rapaz, despede-o sem zanga e diz que D. Severina está com dor de cabeça.

O conto não diz por que Borges o mandou embora, nem se D. Severina contou alguma coisa.

Ignácio sai sem entender nada e imagina que foi ele quem a ofendeu com algum olhar.

E através dos annos, por meio de outros amores, mais effectivos e longos, nenhuma sensação achou nunca egual á d’aquelle domingo, na rua da Lapa, quando elle tinha quinze annos.

Uns Braços, em Várias Histórias, página 71

Anos depois, ele ainda diz que tudo foi "um simples sonho", sem saber que se engana.

Por que o conto é lido assim

O conto mostra a mesma tarde por dois lados: o sonho do rapaz e o que a mulher da casa faz enquanto ele dorme.

Ignácio nunca sabe o que aconteceu, e só o leitor sabe.

Nesta leitura, o tom do narrador parece leve, mas os fatos são estes: Ignácio tem quinze anos, vive longe da família na casa do patrão, e a adulta da casa o beija enquanto ele dorme e depois se fecha para ele.

A edição

O conto é o terceiro do livro Várias Histórias, de Machado de Assis, Rio de Janeiro e São Paulo, Laemmert & C., Editores, 1896, ano impresso na folha de rosto.

As citações preservam a grafia da edição ("Ignacio", "annos").

Lemos o conto nas imagens dessa edição digitalizadas pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (USP) e publicadas no Wikimedia Commons, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página e conferido no texto reconhecido por máquina dessas mesmas imagens.

A transcrição da Wikisource que acompanha essas imagens tem a grafia atualizada e está marcada como não revisada, por isso não citamos dela.

Leia o conto inteiro, na Wikisource em português, que mostra a transcrição ao lado das imagens da edição de Várias Histórias. A transcrição de lá tem a grafia atualizada e ainda não foi revista; os trechos citados aqui foram copiados das imagens das páginas, com a grafia da edição. O acervo da Net Love tem este resumo, não o conto inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Missa do Galo, Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e O Alienista.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o conto. A obra é de Machado de Assis. Os trechos citados vêm de Várias Histórias, Laemmert, 1896: os trechos em bloco saíram das páginas 56, 58 e 71, e as citações curtas entre aspas vêm também da página 57, todos copiados da imagem da página e conferidos no texto reconhecido por máquina. As citações em bloco não trazem travessão de diálogo.