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A Causa Secreta, de Machado de Assis: o resumo do conto do médico e do homem de Catumbi novo

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1.366 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 8 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Machado de Assis. A obra é dele e está em domínio público no Brasil. O texto que lemos e citamos é o do livro Várias Histórias, da casa Laemmert, de 1896, nas páginas 117 a 138, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página impressa. O conto tem uma cena de crueldade com um animal, contada em detalhe, e o resumo não a descreve: diz só o que acontece.

Uma sala em silêncio

O conto começa no meio de uma cena.

Garcia está de pé, Fortunato na cadeira de balanço, e Maria Luísa, mulher de Fortunato, perto da janela, terminando um trabalho de agulha.

Há cinco minutos ninguém fala.

Tinham conversado sobre o dia, sobre Catumbi, onde mora o casal, e sobre uma casa de saúde, e também sobre outra coisa, "tão feia e grave" que tirou o gosto da conversa.

O narrador avisa que os três já estão mortos e enterrados, e volta ao começo.

Em verdade, o que se passou foi de tal natureza, que para fazel-o entender, é preciso remontar á origem da situação.

A Causa Secreta, em Várias Histórias, página 118

Os primeiros encontros

Garcia se formou em medicina em 1861.

Em 1860, ainda estudante, viu Fortunato pela primeira vez, à porta da Santa Casa.

Dias depois o encontra no teatro de São Januário, num drama cheio de facadas, e repara que Fortunato acompanha com atenção redobrada os lances de dor.

Na saída, Garcia vai atrás dele por um trecho e o vê dar bengaladas em cães que dormiam na rua.

Semanas depois, um vizinho de Garcia, Gouveia, empregado do arsenal de guerra, é trazido para casa ferido a punhal.

Quem o traz é Fortunato, que não o conhecia e conta que o golpe veio de um bando de capoeiras.

Fortunato toma conta de tudo, paga os carregadores, ajuda no curativo e fica olhando o ferido com frieza.

Diz chamar-se Fortunato Gomes da Silveira, capitalista, solteiro, morador em Catumbi.

Garcia sente repulsa e curiosidade ao mesmo tempo: se aquilo era dedicação desinteressada, o coração humano era "um poço de mysterios".

Curado, Gouveia vai a Catumbi agradecer.

Fortunato o recebe com enfado e, na porta, se despede rindo: "Cuidado com os capoeiras".

Gouveia sai humilhado, e o narrador diz que foi o próprio benfeitor quem ensinou a ingratidão àquele homem.

A casa de saúde

Tempos depois, já formado e morando na rua de Mata-Cavalos, Garcia reencontra Fortunato, que se casou há quatro meses e o convida para jantar.

Maria Luísa tem vinte e cinco anos e parece ter dezenove.

Garcia percebe que há pouca afinidade entre os dois, e que ela trata o marido com modos que passam do respeito e chegam perto da resignação e do medo.

Garcia conta a Maria Luísa como conheceu o marido, e ela aperta o pulso do marido, agradecida.

Fortunato, por sua vez, conta rindo a visita de Gouveia.

Garcia diz, brincando, que se um dia fundar uma casa de saúde vai chamar Fortunato para enfermeiro.

Fortunato leva a sério; Garcia recusa, depois aceita, e os dois abrem a casa de saúde, para desgosto de Maria Luísa.

Fortunato vira administrador e chefe dos enfermeiros, e não recua diante de doença nenhuma.

Garcia passa a jantar quase todo dia na casa e se apaixona por Maria Luísa.

Não diz nada; guarda o amor calado.

Ela percebe o sentimento e o silêncio, e não deixa ver que percebeu.

O segredo de Fortunato

No começo de outubro, um episódio mostra a Garcia mais da situação de Maria Luísa.

Fortunato tinha se posto a estudar anatomia e fisiologia e fazia experiências com gatos e cães, primeiro na casa de saúde e depois em casa.

Maria Luísa não suporta e pede a Garcia que, como médico, consiga que o marido pare.

Garcia consegue.

Ela anda tossindo e não deixa Garcia tomar o pulso dela.

Dois dias depois, que é o dia em que o conto começou, Garcia chega para jantar e encontra Maria Luísa saindo aflita do gabinete do marido.

Lá dentro, Fortunato está torturando devagar um rato que lhe tinha levado um papel, com uma satisfação tranquila no rosto.

Garcia pede que ele mate o animal de uma vez e não consegue impedir o resto.

Olhando o rosto de Fortunato, Garcia não vê raiva nem ódio, só prazer.

Ele pensa que Fortunato castiga sem raiva, pela necessidade de uma sensação de prazer que só a dor dos outros lhe dá, e que esse é "o segredo d’este homem".

Quando Maria Luísa volta, Fortunato a chama de "Fracalhona", rindo, e conta a Garcia que ela quase desmaiou.

Ela vai sentar-se à janela com os dedos ainda trêmulos, e é aí que o conto alcança a sala do começo.

O fim

Pouco tempo depois se descobre que Maria Luísa está tuberculosa.

Fortunato sente o golpe, porque a amava a seu modo, e não poupa médicos nem remédios.

Mas foi tudo vão. A doença era mortal.

A Causa Secreta, em Várias Histórias, página 136

Nos últimos dias, diz o narrador, o feitio de Fortunato falou mais alto que qualquer afeto: ele não sai de perto dela e acompanha cada sofrimento sem derramar uma lágrima.

Só quando ela morre ele fica aturdido.

Na noite do velório, Fortunato vai descansar na saleta ao lado, e Garcia fica com a morta.

Ao voltar, Fortunato para à porta e vê Garcia beijar a testa dela e depois romper em soluços.

O narrador diz que Fortunato não tinha ciúmes, mas tinha vaidade.

E ele fica à porta, saboreando a dor de Garcia, que foi longa, "deliciosamente longa".

Por que o conto é lido assim

O título nomeia o que Garcia descobre: o prazer de Fortunato está na dor dos outros.

Depois da cena do gabinete, Garcia acha a mesma explicação para todos os atos dele, os graves e os leves.

O conto mostra isso pelo olhar de Garcia, um moço que gostava de decifrar as pessoas.

O conto não explica de onde vem esse traço de Fortunato e não o castiga.

Começar logo depois da cena do gabinete, com os três calados na sala, faz o leitor chegar a ela já sabendo que ali aconteceu alguma coisa grave.

A edição

O conto é o sexto do livro Várias Histórias, de Machado de Assis, Rio de Janeiro e São Paulo, Laemmert & C., Editores, 1896, ano impresso na folha de rosto.

As citações preservam a grafia da edição ("Maria Luiza", "Catumby", "Gouvêa", "mysterios").

Lemos o conto nas imagens dessa edição digitalizadas pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (USP) e publicadas no Wikimedia Commons, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página e conferido no texto reconhecido por máquina dessas mesmas imagens.

A transcrição da Wikisource que acompanha essas imagens tem a grafia atualizada e está marcada como não revisada, por isso não citamos dela.

A nota da Wikisource diz que o conto saiu antes no jornal Gazeta de Notícias, em 1885; não conferimos essa primeira publicação.

Leia o conto inteiro, na Wikisource em português, que mostra a transcrição ao lado das imagens da edição de Várias Histórias. A transcrição de lá tem a grafia atualizada e ainda não foi revista; os trechos citados aqui foram copiados das imagens das páginas, com a grafia da edição. O acervo da Net Love tem este resumo, não o conto inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Missa do Galo, Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e O Alienista.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o conto. A obra é de Machado de Assis. Os trechos citados vêm de Várias Histórias, Laemmert, 1896: os trechos em bloco saíram das páginas 118 e 136, e as citações curtas entre aspas vêm também das páginas 117, 123, 124, 134, 135 e 138, todos copiados da imagem da página e conferidos no texto reconhecido por máquina. As citações em bloco não trazem travessão de diálogo.