A Igreja do Diabo, de Machado de Assis: o resumo do conto do Diabo que funda uma igreja novo
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Resumo escrito para o acervo Net Love em 8 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Machado de Assis. A obra é dele e está em domínio público no Brasil. O texto que lemos e citamos é o do livro Histórias sem Data, da casa B. L. Garnier, de 1884, nas páginas 1 a 15, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página impressa. O conto é uma sátira com o Diabo e Deus como personagens; o resumo não toma partido religioso e conta o que o conto diz.
Uma ideia
O narrador diz que a história vem de um velho manuscrito beneditino.
O Diabo, que sempre ganhou muito sem ter organização nenhuma, sente-se humilhado e decide fundar uma igreja, com missa, pregações e credo próprios.
Enquanto as outras religiões se dividem, a dele será uma só, porque há muitos modos de afirmar e "ha só um de negar tudo".
Antes de começar, ele vai ao céu contar a Deus e desafiá-lo.
No céu
Deus está recebendo um velho que acabou de morrer.
O Diabo explica que veio anunciar a igreja nova, uma "hospedaria barata".
Deus pergunta por que só agora, e o Diabo responde com uma imagem: muitas virtudes são como rainhas de manto de veludo com franjas de algodão; ele vai puxá-las pela franja, e depois virão as de seda pura.
"Velho rhetorico", murmura Deus.
Deus conta que o velho que acaba de chegar morreu num naufrágio, depois de dar a tábua que o salvaria a um casal de noivos.
O Diabo não aceita o exemplo e diz "Nego tudo": para ele, até isso pode ser só uma forma de desprezo pelos outros.
Deus o manda embora, e o Diabo cai na terra.
A doutrina nova
Na terra, vestido de monge beneditino, o Diabo começa a pregar e promete aos fiéis todas as delícias do mundo.
Ensina que os vícios são as verdadeiras virtudes.
O orgulho, a luxúria e a preguiça são reabilitados, e a avareza vira a mãe da economia.
A ira e a gula ganham defesa nos livros, e a inveja passa a ser a virtude principal.
Ele chama a fraude de braço esquerdo do homem e a força de braço direito.
Muitos homens são canhotos, eis tudo.
A Igreja do Diabo, em Histórias sem Data, página 9
Defende que cada um pode vender a própria opinião, o voto e a consciência, e que, por causa do preconceito, convém fazer isso escondido.
Condena o perdão das ofensas e todas as formas de respeito.
Por fim, ataca a ideia de amar o próximo, que chama de invenção de parasitas.
As multidões o seguem, e a igreja dele se espalha por todo o mundo.
As franjas de seda
Muitos anos depois, o Diabo descobre que muitos dos seus fiéis praticam, escondidos e aos pedaços, as virtudes antigas.
Gulosos comem pouco três ou quatro vezes por ano, em dias de preceito católico.
Avarentos dão esmola à noite.
Quem desviava dinheiro público devolve pequenas quantias.
No Cairo, um ladrão de camelos cobre o rosto para ir à mesquita.
Um falsificador da Calábria se confessa toda semana sem contar nenhum dos seus crimes, mas se benze duas vezes.
Furioso, o Diabo volta ao céu para saber a causa.
Deus o ouve sem o repreender e responde com a imagem das franjas, ao contrário.
As capas de algodão têm agora franjas de seda, como as de veludo tiveram franjas de algodão.
A Igreja do Diabo, em Histórias sem Data, página 15
E conclui que é a "eterna contradicção humana".
Por que o conto é lido assim
Nesta leitura, a imagem das franjas sugere a mistura de vícios e virtudes nas ações das pessoas.
No começo, o Diabo aponta vício por baixo de muitas virtudes; no fim, encontra virtude por baixo dos vícios.
O desfecho, com a última palavra dada a Deus, destaca a contradição humana, e não a vitória de alguém.
A edição
O conto é o primeiro do livro Histórias sem Data, de Machado de Assis, Rio de Janeiro, B. L. Garnier, Livreiro-Editor, 1884, ano impresso na folha de rosto, com o título impresso A egreja do Diabo.
Lemos o conto nas imagens dessa edição digitalizadas pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (USP) e publicadas no Wikimedia Commons.
Cada trecho citado foi copiado da imagem da página e conferido no texto reconhecido por máquina dessas mesmas imagens.
A transcrição da Wikisource que acompanha essas imagens está marcada como não revisada, por isso não citamos dela.
A nota da Wikisource diz que o conto saiu antes no jornal Gazeta de Notícias, em 1883; não conferimos essa primeira publicação.
Leia o conto inteiro, na Wikisource em português, que mostra a transcrição ao lado das imagens da edição de Histórias sem Data. A transcrição de lá mantém a grafia da época e ainda não foi revista; os trechos citados aqui foram copiados das imagens das páginas, com a grafia da edição. O acervo da Net Love tem este resumo, não o conto inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.
Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Missa do Galo, Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e O Alienista.
Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o conto. A obra é de Machado de Assis. Os trechos citados vêm de Histórias sem Data, B. L. Garnier, 1884: os trechos em bloco saíram das páginas 9 e 15, e as citações curtas entre aspas vêm também das páginas 2, 3, 4 e 6, todos copiados da imagem da página e conferidos no texto reconhecido por máquina. As citações em bloco não trazem travessão de diálogo.
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