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Missa do Galo, de Machado de Assis: o resumo do conto da conversa na noite de Natal novo

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1.057 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 7 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Machado de Assis. A obra é dele e está em domínio público no Brasil. O texto que lemos e citamos é o do livro Páginas Recolhidas, da casa H. Garnier, nas páginas 77 a 88, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página impressa.

Uma noite que ele não entendeu

O conto é narrado por um homem que olha para trás, muitos anos depois, e começa confessando que não entendeu o que viveu:

Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, ha muitos annos, contava eu desesete, ella trinta.

Missa do Galo, em Páginas Recolhidas, página 77

O rapaz se chama Nogueira, nome que só aparece numa fala da mãe da dona da casa.

Veio de Mangaratiba para o Rio de Janeiro estudar preparatórios e mora na casa do escrivão Meneses, na rua do Senado, um sobrado onde às dez e meia da noite todo mundo já dorme.

Moram ali o escrivão, a mulher dele, Conceição, a mãe dela, e duas mulheres escravizadas, de quem o conto não diz o nome.

Uma vez por semana, Meneses diz que vai ao teatro.

O rapaz só mais tarde entende que o teatro é desculpa: o escrivão tem uma amante e passa essas noites fora de casa.

Conceição sofreu com isso no começo e acabou se acostumando.

Chamam-na de "a santa", e o narrador a descreve como uma mulher sem extremos:

Tudo nella era attenuado e passivo.

Missa do Galo, em Páginas Recolhidas, página 78

A conversa na sala

Na noite de Natal de 1861 ou 1862, o narrador não sabe dizer qual, Meneses vai ao teatro.

O rapaz combinou com um vizinho de ir à missa do galo e prefere não dormir: fica na sala da frente lendo Os Três Mosqueteiros, à espera da meia-noite, para ir acordar o companheiro.

Enquanto ele espera a hora da missa, Conceição aparece na porta da sala, de roupão, e diz que acordou por acordar.

Ele desconfia que ela não tinha dormido, e não pensa mais nisso.

Os dois conversam sobre romances, sobre as festas da roça e da cidade, sobre sonhos, sobre os dois quadros de mulheres na parede, que ela acha impróprios para uma casa de família, e sobre a imagem de Nossa Senhora da Conceição que guarda no oratório.

Ela muda de lugar várias vezes, pede que ele fale mais baixo para não acordar a mãe, fecha os olhos e torna a abri-los.

Num momento, quando ele vai se levantar por respeito, ela põe a mão no ombro dele para que fique sentado, e logo se afasta.

O narrador conta tudo pelo que viu e sentiu, e admite que algumas impressões daquela noite lhe chegam confusas.

O conto não diz o que Conceição queria.

O narrador não sabe dizer, e o conto não decide por ele.

O vizinho na janela

No fim, ele mesmo conta que queria e não queria acabar a conversa, e os dois ficam um tempo calados.

A conversa ia morrendo. Na rua, o silencio era completo.

Missa do Galo, em Páginas Recolhidas, página 87

Então se ouve uma batida na janela e a voz do vizinho chamando para a missa.

Conceição se despede depressa, diz que a culpa foi dela, e entra pelo corredor.

Na igreja, o rapaz confessa que a figura dela se pôs mais de uma vez entre ele e o padre.

No almoço do dia seguinte, ele fala da missa e Conceição não mostra curiosidade nenhuma; está como sempre, sem nada que lembre a conversa da véspera.

No Ano-Bom ele vai para Mangaratiba.

Quando volta, em março, o escrivão morreu, Conceição mora no Engenho Novo, e ele não a visita nem a encontra.

Ouvi mais tarde que casára com o escrevente juramentado do marido.

Missa do Galo, em Páginas Recolhidas, página 88

Por que o conto é lido assim

Quase tudo em Missa do Galo é conversa sobre assuntos sem importância, contada por quem, mesmo anos depois, não consegue entender aquela conversa.

A tensão do conto está no que fica sem nome: o narrador repara em Conceição de um jeito novo, ela age diferente do costume, e nenhum dos dois diz nada.

O narrador tinha dezessete anos, e é com essa idade que ele mesmo explica a distração na missa.

A edição

O conto está no livro Páginas Recolhidas, de Machado de Assis, da casa H. Garnier, Livreiro-Editor, com endereço no Rio de Janeiro e em Paris.

A folha de rosto não traz data; o Wikimedia Commons registra 1899 entre colchetes, como data atribuída, e a Wikisource registra 1899.

O título impresso é "Missa do gallo", e a grafia é a da época ("desesete", "Menezes", "ella").

Lemos o conto nas imagens dessa edição digitalizadas pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (USP) e publicadas no Wikimedia Commons, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página e conferido no texto reconhecido por máquina dessas mesmas imagens.

A transcrição da Wikisource que acompanha essas imagens não segue a grafia da edição de 1899 e está marcada como não revista, por isso não citamos dela.

A nota da Wikisource diz que o conto saiu antes no jornal A Semana, em 1894; não conferimos essa primeira publicação.

Leia o conto inteiro, na Wikisource em português, que mostra a transcrição ao lado das imagens da edição de Páginas Recolhidas. A transcrição de lá tem a grafia atualizada e ainda não foi revista; os trechos citados aqui foram copiados das imagens das páginas, com a grafia da edição. O acervo da Net Love tem este resumo, não o conto inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, O Alienista e Memorial de Aires.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o conto. A obra é de Machado de Assis. Os trechos citados vêm de Páginas Recolhidas, H. Garnier: os trechos em bloco saíram das páginas 77, 78, 87 e 88, todos copiados da imagem da página e conferidos no texto reconhecido por máquina. As citações em bloco não trazem travessão de diálogo.