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A Chinela Turca, de Machado de Assis: o resumo do conto do bacharel e do drama que não acabava

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1.182 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 9 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Machado de Assis. A obra é dele e está em domínio público no Brasil. O texto que lemos e citamos é o do livro Papéis Avulsos, da casa Lombaerts, de 1882, nas páginas 107 a 125 e na nota do autor da página 294, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página impressa.

Uma visita fora de hora

Em 1850, o bacharel Duarte acaba de dar o laço da gravata para ir a um baile, onde quer ver os cabelos louros e os olhos azuis de Cecília.

O namoro começou uma semana antes, entre duas valsas, e a primeira carta já seguiu.

Passa das nove da noite quando chega o major Lopo Alves, um dos homens mais enfadonhos do seu tempo.

Duarte não pode despedi-lo: o major é velho amigo da família, foi companheiro do falecido pai dele no exército e ainda é parente de Cecília.

Lopo Alves traz um rolo debaixo do braço e anuncia a novidade.

Saiba que fiz... fiz um drama.

A Chinela Turca, em Papéis Avulsos, página 109

A leitura

Semanas antes, o major tinha assistido a uma peça ultrarromântica que lhe agradou muito, e daí veio a vontade de escrever para o teatro.

O drama tem sete quadros e cento e oitenta folhas, e o major pede a Duarte uma opinião franca.

Os dois se fecham no gabinete, e a leitura começa.

O texto junta os lances mais batidos do romantismo: criança roubada, embuçados, punhal, rapto de uma moça e um testamento roubado.

Duarte, desesperado, pensa no baile perdido e em Cecília, enquanto a voz do major desfia os quadros.

Passa da meia-noite quando, de repente, o major enrola o manuscrito, lança a Duarte um olhar de ódio e sai sem dizer nada.

A chinela

Logo depois, um homem baixo e gordo entra dizendo-se empregado da polícia.

Ele acusa Duarte de ter furtado uma chinela turca enfeitada de diamantes, comprada no Egito, e explica que "ha chinela e chinela".

Cinco homens armados levam Duarte à força para um carro, onde está também um homem alto e magro.

No caminho, o magro diz que não são da polícia e fala por enigmas.

Um casal é o ideal.

A Chinela Turca, em Papéis Avulsos, página 116

De olhos vendados, Duarte é levado a uma sala luxuosa.

Lá, passa a achar que a chinela é uma metáfora do coração de Cecília, que ele teria tirado de algum rival.

Um padre atravessa a sala e o abençoa ao passar.

O casamento à força

Em outra sala, um velho de aparência atlética diz que o furto foi só um pretexto e manda buscar a chinela, pequeníssima, com duas letras bordadas a ouro.

A dona da chinela, anuncia ele, vai ser a noiva de Duarte.

Entra uma moça loura, de olhos azuis como os de Cecília, de uma beleza que parece de santa.

O velho manda Duarte casar com ela, fazer o testamento em favor da moça e morrer em seguida, e o ameaça de morte quando ele recusa.

O padre se aproxima, cochicha que não é padre, mas tenente do exército, e mostra uma janela que dá para um jardim.

A fuga e o fim

Duarte salta pela janela e encontra embaixo o homem gordo.

Duarte o golpeia e foge, mas o homem não cai e corre atrás dele.

Duarte atravessa cercas, muros e jardins até cair, ferido e exausto, nos degraus de uma casa.

Entra numa sala pequena e encontra, lendo o Jornal do Commercio, o major Lopo Alves.

O major exclama a última fala do seu drama e completa: "Fim do ultimo quadro".

Duarte olha para o major, para a mesa e para as paredes e esfrega os olhos.

O major pergunta o que ele achou, e Duarte responde que achou excelente e quer saber as horas: acabaram de dar duas.

Depois que o major sai, Duarte agradece à fantasia, que o livrou de uma peça ruim com um sonho original e trocou o tédio por um pesadelo.

muitas vezes o melhor drama está no espectador e não no palco.

A Chinela Turca, em Papéis Avulsos, página 125

Por que o conto é lido assim

Nesta leitura, o conto brinca com o drama ultrarromântico que o major imita.

O pesadelo de Duarte tem os mesmos ingredientes, com rapto, ameaça, noiva de olhos azuis e fuga pela janela, mas prende muito mais do que a peça.

A surpresa do fim muda o sentido de tudo o que veio antes, e a frase final de Duarte vira a moral da história, dita com ironia.

A edição

O conto está no livro Papéis Avulsos, de Machado de Assis, Rio de Janeiro, Typographia e Lithographia a vapor, Lombaerts & C., 1882, ano impresso na folha de rosto, que também lista A Chinela Turca entre os contos do volume.

O título vem impresso com um L só no começo do conto e na folha de rosto, e como Chinella, com dois, no índice e na nota do autor.

As citações preservam a grafia da edição, como em "ultimo".

Numa nota no fim do livro, na página 294, o próprio Machado diz que o conto saiu pela primeira vez na folha Epocha, número 1, de 14 de novembro de 1875, assinado com o pseudônimo Manassés, e que o redator principal da folha era Joaquim Nabuco.

A nota da Wikisource dá outra origem, a Gazeta de Notícias, em 1881; seguimos a nota do livro e não conferimos nenhuma das duas publicações em jornal.

Lemos o conto e a nota nas imagens dessa edição digitalizadas pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (USP) e publicadas no Wikimedia Commons.

Cada trecho citado foi copiado da imagem da página e conferido no texto reconhecido por máquina dessas mesmas imagens.

A transcrição da Wikisource que acompanha essas imagens tem a grafia atualizada e está marcada como não revisada, por isso não citamos dela.

Leia o conto inteiro, na Wikisource em português, que mostra a transcrição ao lado das imagens da edição de Papéis Avulsos. A transcrição de lá tem a grafia atualizada e ainda não foi revista; os trechos citados aqui foram copiados das imagens das páginas, com a grafia da edição. O acervo da Net Love tem este resumo, não o conto inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são O Espelho, Teoria do Medalhão, O Alienista, A Igreja do Diabo e Missa do Galo.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o conto. A obra é de Machado de Assis. Os trechos citados vêm de Papéis Avulsos, Lombaerts, 1882: os trechos em bloco saíram das páginas 109, 116 e 125, e as citações curtas entre aspas vêm também das páginas 114 e 124, todos copiados da imagem da página e conferidos no texto reconhecido por máquina. As citações em bloco não trazem travessão de diálogo.