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Lucíola, de José de Alencar: o resumo do romance de Paulo e Lúcia no Rio de 1855

Resumo escrito para o acervo Net Love em 30 de setembro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de José de Alencar. A obra é dele, saiu em 1862, e está em domínio público no Brasil desde 1º de janeiro de 1948, setenta anos contados do primeiro dia do ano seguinte à morte do autor, em 12 de dezembro de 1877, como manda o artigo 41 da Lei 9.610 de 1998. O texto que lemos e citamos é a transcrição da Wikisource em português, em vinte páginas que reúnem os 21 capítulos. A Wikisource não diz de que edição a transcrição foi feita, e por isso não dizemos também. Lúcia é uma cortesã, e o livro fala de sexo e de dinheiro; o resumo conta o que acontece sem descrever as cenas íntimas e sem julgar a personagem. O livro conta que Lúcia, aos 14 anos, foi levada por um homem adulto em troca de dinheiro, no meio da doença da família; a página diz isso em poucas frases e sem descrição. Nas casas do livro há pessoas escravizadas; a escravidão foi crime e violência contra pessoas, amparada pelas leis da época. As figuras deste texto foram geradas por inteligência artificial em 2026.

Uma carta a uma senhora

O livro é uma carta.

Paulo escreve a uma senhora de cabelos brancos, que tem uma neta de 16 anos.

Ela tinha estranhado, numa conversa, a indulgência dele com as mulheres que a sociedade condena.

Ele promete explicar por escrito, e manda as páginas:

Escrevi as páginas que lhe envio, as quais a senhora dará um título e o destino que merecerem. É um perfil de mulher apenas esboçado.

Lucíola, capítulo 1

Nesta transcrição, o nome da senhora não aparece.

A carta começa no capítulo 1 e não há nenhuma nota antes dela.

A festa da Glória

A história começa com uma data:

A primeira vez que vim ao Rio de Janeiro foi em 1855.

Lucíola, capítulo 2

Paulo vem de Pernambuco, passou cinco anos em Olinda e tem vinte e cinco anos.

É pobre e quer fazer carreira na corte.

Poucos dias depois de chegar, o amigo de infância, o Dr. Sá, o leva à festa da Glória.

Lá, Paulo vê uma moça bonita, sozinha, e acha que é uma senhora.

Sá corrige: "Não é uma senhora, Paulo! É uma mulher bonita." (capítulo 2).

É Lúcia, uma cortesã.

Paulo lembra então que a tinha visto no dia da chegada, num carro, na Rua das Mangueiras, e que tinha apanhado o leque que ela deixou cair.

Lúcia vista pelos outros

Paulo passa a visitar Lúcia.

Ela conta que perdeu a mãe muito cedo e que ficou só no mundo.

Na segunda visita, ela diz a Paulo que sofre do coração.

Nesse mesmo dia, os dois ficam juntos pela primeira vez.

O livro conta a cena, e o resumo não.

No teatro, um moço que Paulo chama de Cunha, porque não lembra o nome dele, conta que foi amante de Lúcia por quatro meses.

Segundo Cunha, ela deixa os homens sem explicação e não aceita que ninguém mande nela:

A Lúcia não admite que ninguém adquira direitos sobre ela.

Lucíola, capítulo 5

Cunha diz também que ela vende as jóias que ganha, por meio de um certo Jacinto, e guarda o dinheiro.

Ele chama isso de avareza.

O próprio Cunha conta que foi deixado na noite em que Lúcia viu a mulher dele na janela, e Lúcia confirma isso mais tarde, no capítulo 16.

A ceia na chácara de Sá

Sá oferece uma ceia na chácara dele.

Estão lá Lúcia e mais três moças, entre elas Nina e Laura, o Sr. Couto, um capitalista que se faz de jovem, e o Sr. Rochinha, de 17 anos.

Nas paredes há quadros de mulheres.

Sá pede a Lúcia que imite os quadros diante de todos, e ela aceita depois que Paulo ri dela.

Paulo se revolta e sai para o jardim.

Lúcia sai também, e ele a encontra chorando no jardim.

Paulo pede que ela prometa não fazer mais aquilo.

Um mês com Paulo

Paulo faz as contas: tem uma quinzena de contos de réis e decide gastar uma parte com ela.

Compra uma pulseira de brilhantes e, porque achou bonito, um adereço simples de azeviche, uma pedra negra.

Lúcia recebe a pulseira com frieza e fica encantada com o azeviche.

Depois, ela devolve a Sá, numa carta, as notas de banco que ele tinha mandado, com esta frase:

O senhor enganou-se. Sou eu que lhe devo, e tanto, que não lho poderei pagar nunca.

Lucíola, capítulo 10

Lúcia deixa de ir ao teatro e aos passeios.

Pede segredo: ninguém deve saber onde Paulo passa o tempo, nem mesmo Sá.

Paulo lê para ela romances e a Bíblia, o livro favorito dela.

O ciúme e o Couto

Numa festa na casa do Sr. R..., Sá avisa Paulo do que se diz na cidade: como Lúcia não aparece mais, dizem que ele vive à custa dela.

Paulo sai decidido a acabar com aquilo.

Na rua, encontra Lúcia, que passou a noite num quarto alugado em frente, só para vê-lo de longe.

Ele a trata mal.

No dia seguinte, Paulo diz que não pode sustentar o luxo dela.

Lúcia volta a se mostrar na Rua do Ouvidor, ao lado do Couto, e todos pensam que o velho paga as compras.

À noite, há um baile público.

Lúcia se oferece para não ir, mas Paulo, com ciúme e orgulho, manda chamar o Couto e a empurra para ir com ele.

No baile, Paulo corteja Nina para ferir Lúcia.

Depois do baile, Rochinha conta que o Couto persegue Lúcia há muito tempo, sem sucesso.

Nina recebe, mandada por Lúcia com um cartão de Paulo, a pulseira de brilhantes que ele tinha dado a ela.

Paulo corre à casa dela, e os dois se reconciliam.

Lúcia diz que o Couto não a tocou.

O adereço de azeviche vira para ela quase uma relíquia.

Quem é quem em Lucíola. Paulo, o narrador, de Pernambuco, de vinte e cinco anos, que chega ao Rio em 1855 e conta tudo numa carta a uma senhora. Lúcia, a cortesã, que se chama Maria da Glória. Ana, a irmã menor, de doze anos, num colégio. O Dr. Sá, amigo de infância de Paulo, que dá a ceia na chácara. O Sr. Couto, capitalista, o vizinho de 1850. Cunha, nome que Paulo dá a um antigo amante dela. Jacinto, que vende o que ela ganha. A Sr.ª Jesuína, a mulher que a recolheu. Nina, Laura e o Sr. Rochinha, da ceia.
Quem é quem em Lucíola. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

A casa esfria

Vinte dias depois, Paulo encontra Lúcia lendo A Dama das Camélias.

Ela diz: "Esse livro é uma mentira!" (capítulo 15), e rasga o livro.

Aos poucos, Lúcia passa a recusar Paulo como amante, sem deixar de querer a companhia dele.

Fica doente, e uma mulher de cinquenta anos, a Sr.ª Jesuína, aparece como enfermeira e inventa uma ordem do médico.

Cunha manda uma camélia e uma carta, e Lúcia joga o vaso pela janela.

Paulo não entende as recusas e deixa de ir à casa dela.

Mais de quinze dias depois, é Lúcia quem vai à casa nova de Paulo, na Rua da Assembléia.

Arruma tudo, cozinha e passa o dia com ele.

O quarto dela já não é o mesmo: uma cama de ferro e um crucifixo de marfim.

Quando tentam voltar a ser amantes, ela não consegue, e Paulo desiste de vez.

Os dois começam uma amizade quase de irmãos.

O tanque de Icaraí

Lúcia leva Paulo de barco, de madrugada, até a praia de Icaraí, do outro lado da baía.

Ali fica a casa onde ela passou a infância.

Ela mostra onde o pai trabalhava e onde a mãe costurava:

"Faz sete anos que deixei este lugar" (capítulo 18).

Sentada à beira de um pequeno tanque, ela explica o que sente com uma imagem:

A lama deste tanque é meu corpo: enquanto a deixam no fundo e em repouso, a água está pura e límpida!

Lucíola, capítulo 18

Maria da Glória

Um dia, Paulo encontra Jacinto na casa de Lúcia, vê dinheiro passar de mão e pensa o pior.

Chama Lúcia de "Infame!" (capítulo 19) e sai pelas ruas.

Três dias depois, sabe pelo próprio Jacinto que ela vendeu a ele o arrendamento da casa e os móveis, leiloou jóias e roupas e comprou uma casa pequena em Santa Teresa.

Paulo volta, e Lúcia conta a própria história.

O nome dela é Maria da Glória.

Nasceu num 15 de agosto, e a madrinha, diz ela, é Nossa Senhora.

A família veio de São Domingos para a corte, onde o pai tinha um emprego nas obras públicas.

Em 1850 veio a febre amarela, e todos adoeceram, até que só ela ficou de pé:

Fiquei só! Uma menina de 14 anos para tratar de seis doentes graves, e achar recursos onde os não havia.

Lucíola, capítulo 19

Sem dinheiro, ela pedia esmola na porta para os pais.

Um vizinho, o Couto, deu a ela moedas de ouro, em troca do corpo de uma menina.

O livro conta isso sem rodeios, e o resumo não repete.

Com esse dinheiro, o pai se salvou, mas os dois irmãos dela morreram.

Quando soube de onde vinha, expulsou a filha de casa.

Uma mulher, a mesma Jesuína, a recolheu e cobrou pelos serviços.

Quinze dias depois de expulsa, diz ela, era "o que fui" (capítulo 19).

Segundo ela, o dinheiro da venda dos presentes ia para socorrer o pai e fazer um dote para a irmã menor, Ana.

Uma amiga, que se chamava Lúcia, foi morar com ela e morreu de tuberculose.

Maria da Glória trocou os nomes no atestado:

Lúcia morreu tísica; quando veio o médico passar o atestado, troquei os nossos nomes.

Lucíola, capítulo 19

O pai leu no jornal a morte da filha.

Ela passou um ano na Europa.

Quando voltou, da família só restava Ana, num colégio.

Os nomes dela, com os capítulos. Maria da Glória, o nome dela: nasceu num 15 de agosto, e a madrinha, diz ela, é Nossa Senhora, capítulo 19. Lúcia, o nome de uma amiga que morreu de tuberculose: no atestado, ela trocou os nomes, e o pai leu no jornal a morte da filha, capítulo 19. Maria: em Santa Teresa, ela pede a Paulo que a chame assim, capítulo 20. E Lúcia outra vez: Paulo escreve a carta com esse nome, porque foi o primeiro que amou, capítulo 20.
Maria da Glória, Lúcia e Maria, nos capítulos 19 e 20. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

Santa Teresa

Lúcia se muda para a casa de Santa Teresa com Ana, que tem doze anos e não sabe que as duas são irmãs.

Pede a Paulo que a chame de Maria.

Paulo, ao escrever, continua a chamá-la de Lúcia, porque foi o primeiro nome que amou.

Ela destina a Ana mais de cinquenta contos: dez na casa, que já é de Ana, e o resto em dinheiro.

Pede a Paulo que pague com esse dinheiro o imposto da casa, a décima, e compre apólices no nome da irmã com o que sobrar.

Para ela, fica só o dinheiro que Paulo deixava na gaveta.

Lúcia tem então 19 anos.

Uma tarde, o Couto aparece na chácara vizinha, e a moça mais velha da casa chama Lúcia de "uma perdida" na frente de todos.

Lúcia responde só a Paulo, baixinho:

Elas não sabem, como tu, que eu tenho outra virgindade, a virgindade do coração!

Lucíola, capítulo 20

O fim

No começo do ano novo, Lúcia pede a Paulo que se case um dia com Ana.

Ele não aceita.

Nessa conversa, ela passa mal e cai.

Lúcia está grávida e acredita que o filho morreu dentro dela.

O médico diz que há risco de perder a gravidez, e à noite vem a febre.

Na manhã seguinte, Paulo promete servir de pai a Ana.

A febre volta por três dias, cada vez mais grave.

Ela recusa o remédio e depois o toma, a pedido de Paulo, sem efeito.

Lúcia se confessa, recebe os sacramentos e diz à irmã:

Perdes uma irmã, Ana; fica-te um pai. Ama-o por ele, por ti e por mim

Lucíola, capítulo 21

Ela diz a Paulo que o amou desde o primeiro dia, e morre chamando o nome dele.

A carta termina seis anos depois:

Há seis anos que ela me deixou; mas eu recebi a sua alma, que me acompanhará eternamente.

Lucíola, capítulo 21

Ana casou-se há dois anos e vive feliz com o marido.

Paulo diz que cumpriu a promessa e serviu de pai a ela.

Junto com a carta, ele manda à senhora alguns fios dos cabelos de Lúcia.

O tempo do livro, com os capítulos. 1850: a febre amarela, e Maria da Glória tem 14 anos, capítulo 19. 1855: Paulo chega ao Rio e vê Lúcia na festa da Glória, capítulo 2. Um mês juntos, capítulo 11, e depois o ciúme, o baile e a reconciliação; vinte dias mais tarde, A Dama das Camélias, capítulo 15. Mais de quinze dias longe, e o dia na casa de Paulo, capítulo 17. Cerca de um mês em Santa Teresa com Ana, capítulo 20. O ano novo, e a morte de Lúcia, capítulo 21. Seis anos depois, a carta, e Ana casada há dois anos, capítulo 21.
De 1850 à carta, seis anos depois da morte de Lúcia. Infográfico desenhado para este texto e gerado por inteligência artificial em 2026. Não é imagem de acervo nem de domínio público.

Uma nota sobre 1862

O livro é contado só por Paulo, que muda de opinião sobre Lúcia muitas vezes.

Ele mesmo chama de "estupidez" e "brutalidade" o modo como a tratou na noite do baile.

As palavras duras sobre ela, como "infâmia" e "vício", são do narrador e das pessoas do livro.

Registramos isso como está no texto, sem corrigir as palavras.

Maria da Glória tinha 14 anos, e o que o Couto faz com ela é violência contra uma menina.

Há pessoas escravizadas nas casas do livro, como a que abre a porta na casa de Lúcia, e o livro quase não dá voz a elas.

Senhora, de Alencar, de 1875, também está nesta série.

A transcrição

A Wikisource não informa a edição de onde tirou o texto e aponta só um arquivo digitalizado, sem editora nem ano.

Ela divide o livro em vinte páginas, mas a última traz dois capítulos: o 20 e, depois de uma linha que diz só "XXI", o 21.

Neste resumo, contamos 21 capítulos.

A maior parte está na grafia de hoje, com o trema de antes ("tranqüila"), e o fim do capítulo 10 está na grafia antiga, onde se lê "Lucia" e "theatro".

A palavra "Lucíola", do título, não aparece no corpo dos 21 capítulos da transcrição.

Leia o romance inteiro, na transcrição publicada pela Wikisource em português, em vinte páginas, a última com os capítulos 20 e 21. A Wikisource não diz de que edição ela foi feita. É dessa mesma transcrição que saem os trechos citados aqui, com a grafia dela. Lucíola não está no acervo da Net Love. A obra está em domínio público no Brasil desde 1948.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Senhora, Iracema, O Guarani, A Moreninha e Inocência.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o livro. A obra é de José de Alencar. Os trechos citados vêm da transcrição da Wikisource em português, que não declara a edição, e saíram dos capítulos 1, 2, 5, 10, 18, 19, 20 e 21; as citações curtas entre aspas vêm também dos capítulos 13 e 15. A grafia da fonte não foi atualizada. As citações não trazem travessão de diálogo, e nenhuma vem das cenas íntimas. A nota sobre 1862 foi escrita aqui e não cita nenhum crítico.