O Primo Basílio, de Eça de Queirós: o resumo do romance das cartas roubadas
Resumo escrito para o acervo Net Love em 30 de setembro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Eça de Queirós. A obra é dele, saiu em 1878, e está em domínio público no Brasil desde 1º de janeiro de 1971, setenta anos contados do primeiro dia do ano seguinte à morte do autor, em 1900, como manda o artigo 41 da Lei 9.610 de 1998. O texto que lemos e citamos é a transcrição do Projeto Gutenberg (livro número 42942), feita da segunda edição, revista, publicada no Porto pela Livraria Internacional de Ernesto Chardron em 1878. A grafia é a portuguesa de 1878, com formas como "Luiza", "Bazilio" e "Accacio", e nós não a atualizamos. As citações desta página aparecem exatamente como estão na fonte, cada uma com o seu capítulo. O vídeo é narrado com a voz de Rodrigo Soares, sintetizada por inteligência artificial com a autorização dele. As figuras deste texto e as imagens do vídeo foram geradas por inteligência artificial em 2026.
Um casal de Lisboa
O livro começa num domingo de julho, em Lisboa, depois do almoço.
Jorge é engenheiro de minas e vai partir no dia seguinte para uma viagem de trabalho no Alentejo.
Luísa , a mulher dele, lê o jornal e dá com uma notícia: o primo Basílio está chegando a Lisboa, depois de anos no Brasil e de uma temporada pela Europa.
Luísa sorri e lembra.
Fôra o seu primeiro namoro, o primo Bazilio! Tinha ella então 18 annos! Ninguem o sabia, nem Jorge, nem Sebastião...
O Primo Basílio, capítulo 1
É o que Luísa pensa naquele domingo, e Jorge de fato não sabe.
Sebastião, porém, já sabia havia alguns meses: "Eu soube-o ha pouco, ha mezes" (capítulo 4), conta ele a outro amigo da casa.
E conta o resto: os dois estiveram para casar, o pai de Basílio faliu, ele foi para o Brasil e de lá escreveu desmanchando o casamento.
Na casa de Jorge e Luísa aparece sempre o mesmo grupo.
Sebastião, o amigo de infância de Jorge, rico e bom.
O Conselheiro Acácio, grave em cada frase.
D. Felicidade, amiga da casa.
Julião, parente distante de Jorge, formado em cirurgia.
E Leopoldina, amiga de colégio de Luísa, que Jorge não quer ver ali e chama de "Pão e queijo" (capítulo 2).
O primo que volta
Com Jorge longe, Basílio começa a visitar a prima.
Ele é elegante, viajado, fala de Paris, e Luísa se deixa levar.
Os vizinhos reparam nas visitas, e Sebastião se preocupa.
Logo Basílio aluga uma casa discreta para os encontros, e escreve a Luísa dizendo o nome que deu a ela.
Baptisei a casa com o nome de Paraiso: para mim, minha adorada, é com effeito o paraiso.
O Primo Basílio, capítulo 6
O livro não esconde o que acontece ali, e também não esconde o que Basílio pensa.
Para ele, aquilo é uma aventura, e passageira.
A criada
Quem repara em tudo é a criada, Juliana.
Devia ter quarenta annos, era muitissimo magra. As feições, miudas, espremidas, tinham a amarellidão de tons baços das doenças de coração.
O Primo Basílio, capítulo 1
O livro conta a vida dela antes daquela casa.
Serviu a vida inteira, de patrão em patrão, e passou um ano cuidando de uma tia de Jorge, doente, na esperança de ganhar alguma coisa no testamento.
A velha morreu e não deixou nada: "Nem a mencionava no testamento!" (capítulo 3)
Juliana nunca se acostumou a servir, e passa a detestar Luísa, a patroa jovem, bonita e sem preocupação.

As cartas
Aqui o resumo volta um pouco no tempo, para antes do primeiro encontro no Paraíso.
Um dia, Luísa está escrevendo ao primo quando ouve uma voz na sala e pensa que é Jorge voltando.
E desvairada, sem reflexão, arremessou-a para o sarcophago.
O Primo Basílio, capítulo 6
O "sarcophago" (capítulo 6) é o apelido da caixa de madeira onde Jorge joga os papéis velhos.
A voz era de D. Felicidade.
Quando Luísa volta para buscar a carta, a caixa está vazia.
Só depois disso chega o bilhete de Basílio sobre o Paraíso, e começam os encontros.
Juliana tinha achado a carta, e depois, com chaves falsas, tira da gaveta as cartas de Basílio também.
Um dia, numa discussão, ela diz à patroa que as cartas estão com ela.
Luísa desmaia.
Basílio vai embora
Luísa pensa numa saída só: fugir.
Arruma uma sacola, vai ao Paraíso e pede a Basílio que a leve para Paris.
Ele recusa.
Diz que aquilo é uma questão de dinheiro e que a criada quer é ser paga.
Sozinho, ele pensa assim:
Não lhe faltava mais nada senão partir para Paris, com aquelle trambolhosinho!
O Primo Basílio, capítulo 8
No dia seguinte, Basílio oferece a Luísa algum dinheiro, e ela recusa, ofendida.
Ele deixa Lisboa com um amigo, o visconde Reinaldo, e com um telegrama de pretexto.
Só então Juliana diz o preço: "seiscentos mil reis" (capítulo 8).
E diz também a frase que resume o que vem depois: "Quem manda agora, sou eu!" (capítulo 8)
Luísa escreve a Basílio, na França, pedindo o dinheiro, e a resposta não vem.
Com medo, ela começa a ceder antes mesmo de Jorge voltar: dá a Juliana um vestido de seda, e pensa em dar mais, roupa branca, um roupão, uma pulseira.
A casa às avessas
Jorge volta do Alentejo, e Luísa continua sem o dinheiro.
As exigências crescem.
Juliana quer sair do sótão para o quarto dos baús, e Luísa convence Jorge a deixar.
Vêm móveis novos, camisas, lençóis, vestidos.
Na rua, de resto, tinha-se notado o luxo de Juliana. Sabia-se do «quarto novo», dizia-se baixo que tinha alcatifa!
O Primo Basílio, capítulo 10
Juliana passa a ficar na cama até tarde, e é Luísa quem varre, arruma e limpa.
Jorge vê as mudanças e não entende o motivo.

A partir daqui o resumo conta o desfecho. Se você prefere chegar lá sem saber, pare neste parágrafo.
Sebastião
Leopoldina tem uma ideia: o Castro, um banqueiro que, segundo ela, é apaixonado por Luísa e daria o dinheiro.
O encontro acontece na casa de Leopoldina e termina mal.
Luísa bate no Castro com o chicote que ele trazia, e Leopoldina ri: "Com o seu proprio chicote!" (capítulo 11)
Luísa sai de lá sem dinheiro e sem saída.
Então ela faz o que evitou o livro inteiro.
Procura Sebastião, o melhor amigo do marido, e conta tudo.
Sebastião escuta, chora junto com ela, e responde com uma frase curta: "Ha-de-se arranjar" (capítulo 12).
O plano é simples.
Luísa, D. Felicidade e Jorge vão ao teatro de São Carlos ver o Fausto, e Juliana fica sozinha em casa.
A noite do Fausto
Sebastião entra na casa com um policial e exige as cartas.
Juliana grita, entrega a carteira com três cartas, xinga a patroa e cospe no rosto dele.
Mas de repente a bocca abriu-se-lhe desmedidamente, arqueou-se para traz, levou com ancia as mãos ambas ao coração, e cahiu para o lado, com um som molle, como um fardo de roupa.
O Primo Basílio, capítulo 13
Julião, que é médico, diz que foi o aneurisma de que ela sofria.
Luísa está salva, e o capítulo fecha com uma frase seca sobre a criada: "ninguem velou a morta" (capítulo 13).
A carta que chega tarde
Logo depois, Luísa cai de febre.
Numa manhã, o carteiro entrega a Jorge uma carta para ela, vinda de França.
É a resposta de Basílio, que chegou tarde.
Sem querer achou-se com a carta desdobrada na mão.
O Primo Basílio, capítulo 14
Jorge lê, e à noite mostra a carta a Sebastião e pergunta se ele sabe de alguma coisa.
Sebastião desconversa: "Está doente, Jorge" (capítulo 14).
A Luísa, doente, Jorge não diz nada, e mais tarde confessa que viveu "n'um inferno" (capítulo 15) por duas semanas.
Quando Luísa melhora, ele mostra a carta.
Ela desmaia.
Jorge diz que não quer saber de mais nada: "Não se falla mais em tal. Acabou-se." (capítulo 15)
Elle deu-lhe um beijo inteiro, sincero, cheio de perdão.
O Primo Basílio, capítulo 15
Mas a febre volta, mais forte.
Julião manda cortar o cabelo de Luísa, e ela morre.
Enquanto D. Felicidade fecha os olhos de Luísa, o Conselheiro Acácio diz a Sebastião: "Que profundo desgosto de familia!" (capítulo 15)
Basílio, no último capítulo
Basílio chega a Lisboa na noite do enterro, com o visconde Reinaldo.
Dois dias depois vai à casa da prima, encontra as janelas fechadas e fica sabendo, por um vizinho, que ela morreu.
Passeando com o amigo, ele se queixa, e a última fala do livro é dele: "Podia ter trazido a Alphonsine!" (capítulo 16)

Uma nota sobre os capítulos
A segunda edição, a que citamos, pula dois números na impressão.
Os capítulos vão de I a X, e depois aparecem XII, XIII, XV, XVI, XVII e XVIII.
Não falta texto: os revisores do Projeto Gutenberg conferiram a paginação e registraram que os números XI e XIV simplesmente não existem nessa edição.
São dezesseis capítulos, como nas edições de hoje, e por isso contamos na ordem.
Quando esta página cita o capítulo 11, é o que a edição de 1878 imprime como XII, e assim por diante até o 16, impresso como XVIII.
Uma nota sobre 1878
O romance é duro com quase todo mundo.
Basílio é mostrado por dentro, e o que se vê é cálculo.
O Conselheiro é pomposo até diante da morte.
Os amigos da casa falam muito, e quem de fato resolve é Sebastião.
Luísa aparece como alguém que imagina a vida como nos romances que lê: o Paraíso, para ela, é um segredo "como n'um romance" (capítulo 6).
Na nossa leitura, o castigo que o livro dá a ela é muito maior que o de Basílio, que segue a vida.
Juliana recebe as palavras mais pesadas do narrador, que fala da "alma perversa" (capítulo 8) dela.
Ao mesmo tempo, o livro conta a vida de trabalho que ela teve, e deixa que ela mesma diga, na hora da chantagem, que se levantava às seis da manhã para servir.
Registramos isso sem corrigir Eça e sem absolvê-lo.
Por que ler hoje
Porque o livro mostra como um segredo pesa numa casa inteira, e quem paga por ele.
E porque, por trás do escândalo, Eça observa uma rua de Lisboa onde todo mundo vigia a janela do vizinho, e onde a gentileza de um só amigo vale mais que a conversa de todos os outros.
Leia o romance inteiro, na transcrição publicada pelo Projeto Gutenberg, feita da segunda edição, de 1878, com os 16 capítulos. É dessa mesma transcrição que saem os trechos citados aqui, na grafia portuguesa da época. O Primo Basílio não está no acervo da Net Love. A obra está em domínio público no Brasil desde 1971.
Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são A Cidade e as Serras, Dom Casmurro, Senhora, O Cortiço e Memórias Póstumas de Brás Cubas.
Transcrição do vídeo
Eu sou o Rodrigo Soares, e em três minutos eu te conto O Primo Basílio, o romance de Eça de Queirós de mil oitocentos e setenta e oito, sobre um casamento, umas cartas e uma chantagem, aviso que no fim eu conto o desfecho.
Tudo começa num domingo de julho, em Lisboa, Jorge, engenheiro de minas, vai partir no dia seguinte para o Alentejo, e Luísa lê no jornal que o primo Basílio está chegando, na casa aparecem o amigo Sebastião, o solene Conselheiro Acácio e Leopoldina, que Jorge não queria ver ali.
Basílio tinha sido o primeiro namoro de Luísa, Jorge não sabia, e Sebastião soube só meses antes, o pai dele faliu, ele foi para o Brasil, e de lá desmanchou o casamento, agora volta rico, e com Jorge longe, visita a prima e aluga uma casa discreta, que batiza de Paraíso.
Quem repara em tudo é a criada, Juliana, uns quarenta anos, doente do coração, cansada de servir a vida inteira, ela detesta a patroa, espia, e espera a sua vez.
Luísa escreve ao primo, ouve alguém chegar, e joga a carta amassada numa caixa de papéis velhos, que a casa chama de sarcófago, Juliana acha a carta, depois tira com chaves falsas as cartas de Basílio, e diz na cara da patroa, as cartas estão comigo.
Luísa corre ao Paraíso com uma sacola pronta e pede a Basílio que a leve para Paris, ele recusa, diz que é questão de dinheiro, oferece algum, ela recusa ofendida, e ele vai embora, então Juliana dá o preço, seiscentos mil réis, ou o marido lê as cartas.
Ameaçada, Luísa dá a Juliana um vestido de seda e pensa em outros presentes, e quando Jorge volta, vêm novas exigências, um quarto novo, e Luísa passa ela mesma a varrer e limpar, enquanto a criada fica na cama até tarde.
Leopoldina aponta um banqueiro apaixonado por Luísa, o Castro, e o encontro acaba com ela batendo nele com o próprio chicote dele, sem saída, Luísa conta tudo a Sebastião, e ele responde, há de se arranjar.
Sebastião arma um plano, o casal vai ao teatro ver o Fausto, e ele entra na casa com um policial, Juliana entrega as cartas, xinga, cospe no rosto dele, leva as mãos ao coração e cai morta, naquela noite, ninguém velou a morta.
Luísa se acha salva, mas cai de febre, e chega uma carta de Basílio, Jorge abre, lê, e à noite mostra a Sebastião, mas esconde de Luísa por duas semanas, quando ela melhora, ele mostra a carta, ela desmaia, e ele não quer saber de nada e a beija, cheio de perdão, mas a febre volta, e Luísa morre.
Dois dias depois do enterro, Basílio vai à casa da prima e descobre que ela morreu, passeando com um amigo, ele tem a última fala do livro, uma queixa, podia ter trazido a Alphonsine.
O Primo Basílio está em domínio público, e você pode ler o romance inteiro de graça, o resumo escrito, com os trechos citados e o endereço da obra, está no Net Love.
Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o livro. A obra é de Eça de Queirós. Os trechos citados vêm da transcrição do Projeto Gutenberg, feita da segunda edição, de 1878, e saíram dos capítulos 1, 2, 3, 4, 6, 8, 10, 11, 12, 13, 14, 15 e 16, contados na ordem. A grafia da fonte é a de 1878 e não foi atualizada. As citações não trazem travessão de diálogo. A nota sobre 1878 foi escrita aqui e não cita nenhum crítico.
Continue em Resumos de Livros
- Vidas Secas, de Graciliano Ramos: o resumo do livro que começa andando e termina andando2.536 palavras
- Senhora, de José de Alencar: o resumo do romance em que o casamento tem preço, recibo e prazo de resgate2.506 palavras
- Macunaíma, de Mário de Andrade: o resumo do herói sem nenhum caráter2.503 palavras



