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Teoria do Medalhão, de Machado de Assis: o resumo do diálogo do pai que ensina o filho a não ter ideias novo

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1.007 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 8 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Machado de Assis. A obra é dele e está em domínio público no Brasil. O texto que lemos e citamos é o do livro Papéis Avulsos, da casa Lombaerts, de 1882, nas páginas 91 a 106, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página impressa.

A conversa depois do jantar

O conto é um diálogo, quase todo falado pelo pai.

São onze horas da noite, o último convidado do jantar acaba de sair, e o filho, Janjão, completa vinte e um anos.

Ele nasceu em 5 de agosto de 1854.

O pai diz que o rapaz pode seguir qualquer carreira, mas que, como "A vida, Janjão, é uma enorme loteria", convém guardar um ofício de reserva.

Nenhum me parece mais util e cabido que o de medalhão.

Teoria do Medalhão, em Papéis Avulsos, página 93

Ser medalhão foi o sonho de juventude do pai, que não chegou lá por falta de quem o ensinasse.

Pelo que o pai explica, medalhão é o homem respeitado pela figura e pela gravidade, sem nada a dizer.

O pai explica que o verdadeiro medalhão costuma aparecer entre os quarenta e cinco e os cinquenta anos.

Sem ideias

A primeira regra é não ter ideias.

"O melhor será não as ter absolutamente", diz o pai, e acha que o filho já mostra boa vocação, pela seriedade com que discute o corte de um colete ou o tamanho de um chapéu.

Para o caso de alguma ideia aparecer, ele recomenda um regime que enfraqueça o espírito: compêndios de retórica, certos discursos, jogos de cartas e dominó, e o bilhar.

Passear sozinho, nunca, porque a solidão faz pensar.

Nas livrarias, o pai recomenda falar de banalidades, como o boato do dia, ou ouvir quem repete as opiniões dos outros.

O vocabulário deve ser simples e cheio de frases feitas.

Segundo o pai, uma frase pronta, como "Antes das leis, reformemos os costumes", dispensa investigar por que uma lei não resolveu o problema.

Os termos da ciência podem ser decorados, mas nunca estudados nos livros dos mestres, porque isso traz o perigo das ideias novas.

A publicidade

O medalhão precisa aparecer.

Em vez de grandes feitos, pequenos gestos: um jantar oferecido aos amigos que vira notícia, comissões, irmandades, até a notícia de uma queda de carruagem sem ferimentos.

Se os amigos quiserem fazer o seu retrato ou o seu busto, ele aceita.

Se os repórteres não puderem comparecer à festa, ele mesmo escreve a notícia.

Se tiver escrúpulo de se elogiar, deixa a tarefa a um amigo ou parente.

Com o tempo, diz o pai, as comissões e irmandades é que vão procurá-lo, e ele será o enfeite obrigatório de todas.

Política, filosofia e riso

O filho pergunta se pode entrar na política.

Pode, desde que não ligue ideia nenhuma ao partido que escolher.

Na tribuna, deve preferir os discursos de metafísica política, cheios de ideias gerais, que atraem a atenção dos partidos e do público sem exigir pensamento.

Imaginação, nenhuma; filosofia, só no papel e na fala, repetindo as conclusões já achadas por outros.

Rir é permitido, mas a ironia não, porque é coisa de céticos.

No lugar dela, o pai recomenda a chalaça, a piada franca e barulhenta.

Usa a chalaça.

Teoria do Medalhão, em Papéis Avulsos, página 106

É meia-noite.

O pai diz que o filho está definitivamente maior, que, guardadas as proporções, a conversa vale o Príncipe de Maquiavel, e manda os dois irem dormir.

Por que o conto é lido assim

Nesta leitura, o pai parece falar sério, e é daí que vem o humor.

Cada conselho descreve, ao contrário, um tipo de homem que o leitor pode reconhecer: o que vive de frases prontas, de jantares e de retratos.

O conto não mostra se o filho seguirá os conselhos.

A lição do pai pode ser lida como uma sátira de quem sobe sem ter nada a dizer.

A edição

O conto está no livro Papéis Avulsos, de Machado de Assis, Rio de Janeiro, Typographia e Lithographia a vapor, Lombaerts & C., 1882, ano impresso na folha de rosto, com o título impresso Theoria do medalhão.

Lemos o conto nas imagens dessa edição digitalizadas pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (USP) e publicadas no Wikimedia Commons.

Nessa digitalização faltam as páginas 104 e 105, uma folha inteira; lemos essas duas páginas nas imagens de outro exemplar da mesma edição, disponível no Wikimedia Commons e vindo da Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes, e não citamos nada delas.

Cada trecho citado foi copiado da imagem da página e conferido no texto reconhecido por máquina das mesmas imagens.

A Wikisource transcreve esse outro exemplar; não citamos dela, porque as citações daqui saem das imagens.

A nota da Wikisource diz que o conto saiu antes no jornal Gazeta de Notícias, em 1881; não conferimos essa primeira publicação.

Leia o conto inteiro, na Wikisource em português, que mostra a transcrição ao lado das imagens de outro exemplar da mesma edição de Papéis Avulsos, com a grafia da época. Os trechos citados aqui foram copiados das imagens do exemplar da Brasiliana, com a grafia da edição. O acervo da Net Love tem este resumo, não o conto inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Missa do Galo, Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e O Alienista.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o conto. A obra é de Machado de Assis. Os trechos citados vêm de Papéis Avulsos, Lombaerts, 1882: os trechos em bloco saíram das páginas 93 e 106, e as citações curtas entre aspas vêm também das páginas 92, 94 e 99, todos copiados da imagem da página e conferidos no texto reconhecido por máquina. As citações em bloco não trazem travessão de diálogo.