O Enfermeiro, de Machado de Assis: o resumo do conto da herança do coronel novo
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Resumo escrito para o acervo Net Love em 8 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Machado de Assis. A obra é dele e está em domínio público no Brasil. O texto que lemos e citamos é o do livro Várias Histórias, da casa Laemmert, de 1896, nas páginas 169 a 189, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página impressa.
Uma confissão antes de morrer
O conto é uma carta.
O narrador, Procópio, está doente e acha que tem poucos dias de vida.
Alguém lhe pediu um "documento humano", e ele aceita contar o que lhe aconteceu em 1860, com uma condição: nada pode ser divulgado antes da morte dele.
Em agosto de 1859, aos quarenta e dois anos, Procópio vivia de copiar estudos de teologia para um padre de Niterói, que lhe dava casa e comida.
O padre recebe a carta de um vigário do interior que procura um enfermeiro para o coronel Felisberto, com bom ordenado, e Procópio aceita na hora.
O coronel
Na vila, todos o avisam: o coronel é insuportável, ninguém o atura, e ele já quebrou a cara de dois enfermeiros.
Tem perto de sessenta anos, sofre de aneurisma e de reumatismo, e desde menino todos lhe faziam a vontade.
Se fosse só rabugento, vá; mas elle era tambem máo, deleitava-se com a dor e a humilhação dos outros.
O Enfermeiro, em Várias Histórias, página 173
Depois de sete dias de calma, começa a vida de cão: noites sem dormir, insultos o dia inteiro.
Um dia o coronel bate em Procópio com a bengala, Procópio arruma a mala, e o coronel pede que fique.
Ele fica, e fica também a pedido do vigário, mais de uma vez.
Vai guardando os ordenados sem gastar nada e perdendo, aos poucos, a pena do doente.
A noite de 24 de agosto
No começo de agosto de 1860, Procópio decide ir embora; o vigário e o médico pedem que fique mais algum tempo, e ele aceita ficar um mês.
Na noite de 24 de agosto, depois de mais um acesso de raiva do coronel, que chega a feri-lo, os dois lutam e Procópio o mata.
O resumo conta essa noite sem descrever a cena.
Logo depois, o próprio narrador diz que o aneurisma tinha arrebentado.
Procópio passa horas na sala ao lado, ouvindo vozes que o chamam de assassino.
A noite ia tranquilla, as estrellas fulguravam, com a indifferença de pessoas que tiram o chapeu a um enterro que passa, e continuam a fallar de outra cousa.
O Enfermeiro, em Várias Histórias, página 179
Antes de amanhecer, ele esconde as marcas, diz que o coronel amanheceu morto e manda chamar o vigário e o médico.
Procópio não percebe sinal de suspeita.
Na hora de fechar o caixão, alguém tem pena dele, achando que está sentido.
Procópio volta para o Rio de Janeiro e vive dias de pesadelo e remorso; manda até dizer uma missa pelo coronel, sozinho, sem contar a ninguém.
A herança
Sete dias depois de chegar ao Rio, recebe uma carta do vigário: o testamento do coronel o deixa herdeiro universal.
Assim, por uma ironia da sorte, os bens do coronel vinham parar ás minhas mãos.
O Enfermeiro, em Várias Histórias, página 184
Pensa em recusar, mas tem medo de que a recusa levante suspeitas.
Decide receber a herança e dá-la toda aos pobres, aos poucos e em segredo.
No caminho de volta à vila, vai se convencendo: foi uma luta, ele foi atacado, o coronel ia morrer de qualquer jeito, talvez a morte tenha vindo só por coincidência.
Ele mesmo resume assim: "uma lucta desgraçada, uma fatalidade".
Na vila, todos o elogiam pela paciência, e cada um conta uma maldade do coronel.
Procópio o defende, e por dentro sente um prazer que não consegue arrancar.
Com o tempo, a ideia de dar tudo aos pobres parece exagero.
Dá só uma parte, trinta e dois contos em esmolas e doações, manda fazer um túmulo de mármore para o coronel e fica com o resto.
O fim
Os anos passam, a lembrança perde a força, e os médicos a quem ele conta a doença do coronel dizem que a morte era certa.
Procópio admite que talvez tenha exagerado a descrição.
No fim da carta, pede que lhe deem também um túmulo de mármore, com um epitáfio que altera, com ironia, o Sermão da Montanha: "Bemaventurados os que possuem, porque elles serão consolados."
Por que o conto é lido assim
O conto é a confissão de um homem que matou e foi recompensado, e que passa o resto da vida arranjando razões para ficar em paz.
Procópio admite que matou o coronel, e depois passa a considerar que a luta e a morte talvez tenham só coincidido, numa tentativa de aliviar a culpa.
O leitor vê como ele chega lá.
O epitáfio sugere que o consolo dele veio da herança.
A edição
O conto está no livro Várias Histórias, de Machado de Assis, Rio de Janeiro e São Paulo, Laemmert & C., Editores, 1896, ano impresso na folha de rosto.
O índice impresso do livro dá a página 159 para este conto, mas ele começa na página 169, como mostram os números das próprias páginas.
As citações preservam a grafia da edição, como em "lucta".
Lemos o conto nas imagens dessa edição digitalizadas pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (USP) e publicadas no Wikimedia Commons, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página e conferido no texto reconhecido por máquina dessas mesmas imagens.
A transcrição da Wikisource que acompanha essas imagens tem a grafia atualizada e está marcada como não revisada, por isso não citamos dela.
Leia o conto inteiro, na Wikisource em português, que mostra a transcrição ao lado das imagens da edição de Várias Histórias. A transcrição de lá tem a grafia atualizada e ainda não foi revista; os trechos citados aqui foram copiados das imagens das páginas, com a grafia da edição. O acervo da Net Love tem este resumo, não o conto inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.
Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Missa do Galo, Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e O Alienista.
Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o conto. A obra é de Machado de Assis. Os trechos citados vêm de Várias Histórias, Laemmert, 1896: os trechos em bloco saíram das páginas 173, 179 e 184, e as citações curtas entre aspas vêm também das páginas 170, 185 e 189, todos copiados da imagem da página e conferidos no texto reconhecido por máquina. As citações em bloco não trazem travessão de diálogo.
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