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A Cartomante, de Machado de Assis: o resumo do conto da consulta às cartas novo

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1.185 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 8 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Machado de Assis. A obra é dele e está em domínio público no Brasil. O texto que lemos e citamos é o do livro Várias Histórias, da casa Laemmert, de 1896, nas páginas 9 a 29, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página impressa.

Rita e as cartas

O conto abre com a frase de Hamlet a Horácio, de que há "mais cousas no ceu e na terra" do que sonha a nossa filosofia.

Era, diz o narrador, a mesma explicação que Rita dava a Camilo numa sexta-feira de novembro de 1869, com outras palavras.

Na véspera, ela tinha ido consultar uma cartomante, e ele ria dela.

Rita conta que a cartomante adivinhou o motivo da consulta antes que ela dissesse: Rita tinha medo de ser esquecida por ele, e a cartomante disse que não era verdade.

Camilo diz que ela foi imprudente, porque o marido, Vilela, podia saber.

A casa da cartomante fica ali perto, na rua da Guarda Velha.

Camilo não acredita em nada disso.

Em criança, e ainda depois, foi supersticioso, com as crendices que a mãe lhe ensinou, e aos vinte anos deixou tudo de lado, a religião junto.

Camillo não acreditava em nada.

A Cartomante, em Várias Histórias, página 12

Como os três se juntaram

Vilela e Camilo eram amigos de infância.

Vilela seguiu a magistratura.

Camilo entrou para o funcionalismo, contra a vontade do pai, que o queria médico.

No começo de 1869, Vilela volta da província casado com Rita, deixa a magistratura e abre banca de advogado, e Camilo lhe arranja casa para os lados de Botafogo.

Rita tem trinta anos, Vilela vinte e nove e Camilo vinte e seis.

Os três passam a conviver.

Quando a mãe de Camilo morre, Vilela cuida do enterro e do inventário, e Rita cuida do coração dele.

Como dahi chegaram ao amor, não o soube elle nunca.

A Cartomante, em Várias Histórias, página 14

Num aniversário de Camilo, Vilela lhe dá uma bengala, e Rita só um cartão com um cumprimento a lápis.

É com esse cartão que ele entende o que sente.

Camilo ainda quer fugir, e não consegue.

Os dois se tornam amantes, e Vilela continua a confiar nele como antes.

As cartas anônimas

Um dia Camilo recebe uma carta anônima que o chama de imoral e pérfido e diz que todos sabem da aventura.

Com medo, ele vai espaçando as visitas à casa de Vilela, até não ir mais.

É por isso que Rita, desconfiada, corre à cartomante: quer saber por que ele sumiu.

Vêm mais duas ou três cartas anônimas.

Rita acha que são de algum pretendente despeitado.

Algum tempo depois Vilela começa a andar sombrio e calado, e os amantes combinam ficar longe um do outro por algumas semanas.

No dia seguinte, Camilo recebe na repartição um bilhete de Vilela, "Vem já, já, á nossa casa", dizendo que precisa falar com ele sem demora.

Camilo imagina que foram descobertos.

Pensa em ir armado, desiste, e toma um tílburi, um carro de aluguel de duas rodas, no largo da Carioca.

A casa da cartomante

Quase no fim da rua da Guarda Velha, uma carroça caída fecha a rua, e o tílburi para bem ao lado da casa da cartomante.

Todas as janelas da rua estão abertas e cheias de curiosos, menos as dela.

Dir-se-hia a morada do indifferente Destino.

A Cartomante, em Várias Histórias, página 21

Enquanto espera, as velhas crenças voltam, e a frase de Hamlet volta com elas.

Camilo desce do tílburi, sobe a escada e bate.

A cartomante é uma italiana de quarenta anos.

Ela bota as cartas e diz que ele tem um grande susto, e Camilo responde que teme por si e por Rita.

A cartomante declara que nada vai acontecer a nenhum dos dois, que o terceiro não sabe de nada, e pede cautela.

Camilo paga com uma nota de dez mil-réis, quando o preço de costume era dois mil, e sai aliviado.

O caminho até a casa de Vilela

No tílburi, tudo lhe parece melhor.

Relembra o bilhete e o acha íntimo e familiar, sem ameaça nenhuma.

Pensa que, se a cartomante adivinhou o motivo da consulta e a existência de um terceiro, também podia adivinhar o resto.

O presente que se ignora vale o futuro.

A Cartomante, em Várias Histórias, página 27

Ao passar pela Glória, olha o mar e sente o futuro longo, sem fim.

O fim

Chega à casa de Vilela, e é o próprio Vilela quem abre a porta.

Vilela não lhe responde e o leva para uma saleta.

Lá dentro, Camilo vê Rita morta, e Vilela o mata com dois tiros de revólver.

O conto acaba aí.

O que o conto deixa em aberto

O conto não diz quem escreveu as cartas anônimas, nem como Vilela soube.

Também não diz se a cartomante sabia de alguma coisa; mostra que o que ela previu não aconteceu.

Camilo, que não acreditava em nada, volta a acreditar no momento de maior medo, e é com essa fé nova que ele chega à casa do amigo.

A edição

O conto é o primeiro do livro Várias Histórias, de Machado de Assis, Rio de Janeiro e São Paulo, Laemmert & C., Editores, 1896, ano impresso na folha de rosto.

As citações preservam a grafia da edição ("Camillo", "Villela", "mysterio", "philosophia").

Lemos o conto nas imagens dessa edição digitalizadas pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (USP) e publicadas no Wikimedia Commons, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página e conferido no texto reconhecido por máquina dessas mesmas imagens.

A transcrição da Wikisource que acompanha essas imagens tem a grafia atualizada e está marcada como não revisada, por isso não citamos dela.

A nota da Wikisource diz que o conto saiu antes no jornal Gazeta de Notícias, em 1884; não conferimos essa primeira publicação.

Leia o conto inteiro, na Wikisource em português, que mostra a transcrição ao lado das imagens da edição de Várias Histórias. A transcrição de lá tem a grafia atualizada e ainda não foi revista; os trechos citados aqui foram copiados das imagens das páginas, com a grafia da edição. O acervo da Net Love tem este resumo, não o conto inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Missa do Galo, Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e O Alienista.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o conto. A obra é de Machado de Assis. Os trechos citados vêm de Várias Histórias, Laemmert, 1896: os trechos em bloco saíram das páginas 12, 14, 21 e 27, e as citações curtas entre aspas vêm também da página 9 e das páginas 18 e 19, todos copiados da imagem da página e conferidos no texto reconhecido por máquina. As citações em bloco não trazem travessão de diálogo.