O Espelho, de Machado de Assis: o resumo do conto do alferes e da alma exterior novo
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Resumo escrito para o acervo Net Love em 8 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Machado de Assis. A obra é dele e está em domínio público no Brasil. O texto que lemos e citamos é o do livro Papéis Avulsos, da casa Lombaerts, de 1882, nas páginas 241 a 257, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página impressa.
A conversa em Santa Teresa
Numa noite, quatro ou cinco homens discutem questões de metafísica numa sala pequena de uma casa no morro de Santa Teresa.
Quatro falam.
O quinto, Jacobina, entre quarenta e cinquenta anos, provinciano e capitalista, nunca discute: diz que a discussão é uma herança do instinto de briga.
Naquela noite, quando a conversa chega à natureza da alma, ele aceita falar, com uma condição: que o ouçam calados.
Nada menos de duas almas.
O Espelho, em Papéis Avulsos, página 243
Para Jacobina, cada pessoa tem duas almas, "uma que olha de dentro para fóra, outra que olha de fóra para dentro".
A alma exterior pode ser uma pessoa, um objeto, um cargo, o dinheiro, e pode mudar ao longo da vida.
Quem perde a alma exterior perde metade da existência, e às vezes a existência inteira.
Para provar, ele conta um caso dos seus vinte e cinco anos.
O alferes
Aos vinte e cinco anos, pobre, Jacobina é nomeado alferes da Guarda Nacional, e a família se enche de orgulho.
Uma tia, D. Marcolina, viúva do capitão Peçanha, que mora num sítio isolado, longe da vila, pede que ele vá visitá-la e leve a farda.
Lá todos passam a chamá-lo de "senhor alferes".
A tia manda pôr no quarto dele a melhor peça da casa, um grande espelho antigo.
Segundo a tradição da família, o espelho tinha sido comprado a uma das fidalgas que vieram com a corte de D. João VI em 1808.
Com tanta atenção, o rapaz vai mudando.
O alferes eliminou o homem.
O Espelho, em Papéis Avulsos, página 248
Em três semanas, ele diz, era só alferes.
Sozinho no sítio
Um dia a tia recebe a notícia de que uma filha, casada com um lavrador a cinco léguas dali, está à morte, e parte com o cunhado, deixando Jacobina no comando do sítio.
Ficam com ele as poucas pessoas escravizadas da casa, que naquela noite o cobrem de elogios.
Na manhã seguinte, elas tinham fugido.
Jacobina conta a fuga como uma traição contra ele e as chama de nomes que não repetimos aqui.
Eram pessoas escravizadas que fugiam do cativeiro.
O cunhado da tia não volta naquele dia nem durante a semana inteira.
Jacobina fica completamente sozinho, e o silêncio da casa, marcado pelo tique-taque do relógio da sala, torna-se insuportável.
O sono lhe dá alívio, porque nos sonhos ele aparece de farda e todos o chamam de alferes.
O espelho
Desde que ficou sozinho, Jacobina não tinha olhado para o espelho.
Ao fim de oito dias, olha para ele e se assusta: a imagem não aparece nítida, mas vaga e esfumada, como uma sombra.
Com medo de enlouquecer, decide ir embora e começa a se vestir.
De repente tem uma ideia: vestir a farda de alferes.
Diante do espelho, a imagem volta inteira.
era eu mesmo, o alferes, que achava, emfim, a alma exterior.
O Espelho, em Papéis Avulsos, página 256
A partir daí, todo dia, numa certa hora, ele veste a farda e passa duas ou três horas diante do espelho.
Assim aguenta mais seis dias de solidão.
O conto termina sem que ele explique mais nada.
Quando os outros voltaram a si, o narrador tinha descido as escadas.
O Espelho, em Papéis Avulsos, página 257
Por que o conto é lido assim
O subtítulo impresso chama o conto de esboço de uma nova teoria da alma humana.
A teoria é de Jacobina.
Uma leitura possível é que ele depende do reconhecimento dos outros para sustentar a imagem que tem de si.
Sozinho, ele passa a ver a própria imagem vaga e difusa; ao vestir a farda, volta a vê-la inteira.
O homem que nunca discute fala trinta ou quarenta minutos, e, quando os ouvintes voltam a si, ele já desceu as escadas.
A edição
O conto está no livro Papéis Avulsos, de Machado de Assis, Rio de Janeiro, Typographia e Lithographia a vapor, Lombaerts & C., 1882, ano impresso na folha de rosto, que também lista O Espelho entre os contos do volume.
As citações preservam a grafia da edição, como em "fóra" e "emfim".
Lemos o conto nas imagens dessa edição digitalizadas pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (USP) e publicadas no Wikimedia Commons, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página e conferido no texto reconhecido por máquina dessas mesmas imagens.
A transcrição da Wikisource que acompanha essas imagens tem a grafia atualizada e está marcada como não revisada, por isso não citamos dela.
Leia o conto inteiro, na Wikisource em português, que mostra a transcrição ao lado das imagens da edição de Papéis Avulsos. A transcrição de lá tem a grafia atualizada e ainda não foi revista; os trechos citados aqui foram copiados das imagens das páginas, com a grafia da edição. O acervo da Net Love tem este resumo, não o conto inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.
Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Missa do Galo, Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e O Alienista.
Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o conto. A obra é de Machado de Assis. Os trechos citados vêm de Papéis Avulsos, Lombaerts, 1882: os trechos em bloco saíram das páginas 243, 248, 256 e 257, e as citações curtas entre aspas vêm também das páginas 247 e 248, todos copiados da imagem da página e conferidos no texto reconhecido por máquina. As citações em bloco não trazem travessão de diálogo.
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