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Pai contra Mãe, de Machado de Assis: o resumo do conto do caçador de pessoas escravizadas novo

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1.161 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 8 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Machado de Assis. A obra é dele e está em domínio público no Brasil. O texto que lemos e citamos é o do livro Relíquias de Casa Velha, da casa H. Garnier, de 1906, nas páginas 3 a 17, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página impressa. O conto é sobre a escravidão, e o resumo diz pessoas escravizadas onde o livro usa as palavras da época. A captura de Arminda e o aborto que ela sofre vão contados numa frase, sem a cena.

Um ofício da escravidão

O conto abre lembrando que a escravidão tinha seus instrumentos de castigo, como o ferro no pescoço, o ferro no pé e uma máscara de folha de flandres, e seus ofícios.

Pessoas escravizadas fugiam com frequência.

Quem se dizia dono delas punha anúncios nos jornais, com os sinais da pessoa e uma gratificação para quem a trouxesse de volta.

Capturar quem fugia era um ofício da época, feito por homens pobres, a serviço da lei e da propriedade.

O narrador descreve esse mundo sem levantar a voz, e é nessa calma que a violência do sistema aparece.

Cândido Neves

Cândido Neves, que a família chama de Candinho, não para em emprego nenhum: tenta a tipografia, o comércio, um cartório, uma repartição, o correio, e aprende mal o ofício de entalhador.

Aos trinta anos, casa-se com Clara, de vinte e dois, órfã que mora e costura com a tia, Mônica.

Os dois se conheceram num baile e se casaram onze meses depois.

O amor traz sobrescriptos.

Pai contra Mãe, em Relíquias de Casa Velha, página 6

Sobrescrito era o endereço escrito no envelope.

Eles querem um filho, e a tia avisa que vão passar fome.

Clara engravida.

Candinho passa a ganhar a vida capturando pessoas escravizadas que fugiram: lê os anúncios, guarda os sinais de cada uma e sai à procura.

No começo ganha bem; depois aparecem outros homens no mesmo ofício, o dinheiro some e as dívidas crescem.

Numa dessas, ele prende por engano um homem negro livre e apanha dos parentes dele.

A Roda

Na última semana da gravidez, a tia Mônica aconselha o casal a deixar a criança na Roda dos enjeitados, onde se deixavam os bebês que a família não podia criar.

Candinho recusa com raiva, e a tia insiste, perguntando:

Pois então a Roda é alguma praia ou monturo?

Pai contra Mãe, em Relíquias de Casa Velha, página 11

O dono da casa cobra três meses de aluguel atrasado e dá cinco dias para o pagamento.

Nesses lances não chegava nunca ao desespero, contava com algum emprestimo, não sabia como nem onde, mas contava.

Pai contra Mãe, em Relíquias de Casa Velha, página 12

O empréstimo não vem, e a família tem de deixar a casa.

A tia já tinha conseguido, em segredo, uns quartos de favor na casa de uma senhora rica, e só conta quando eles são postos na rua.

Dois dias depois nasce um menino.

Candinho promete levar o filho à Roda, e, como chove naquela noite, deixa para a noite seguinte.

A gratificação

Naquela noite, relendo suas notas, ele volta a um anúncio que oferece cem mil réis por uma mulher escravizada que fugiu, Arminda.

Já tinha procurado por ela antes, sem sucesso, e desistido.

Na manhã seguinte procura de novo; só um farmacêutico da rua da Ajuda se lembra de ter atendido alguém com os sinais dela.

À noite, Candinho sai com o filho no colo em direção à Roda, na rua dos Barbonos, andando cada vez mais devagar.

Ao chegar ao fim de um beco, vê Arminda do outro lado da rua.

Deixa o menino com o farmacêutico e vai atrás dela.

Durante a captura, ela diz que está grávida e pede que ele a solte, pelo amor de algum filho que ele tenha.

Candinho a captura e a entrega ao homem que a escravizava, na rua da Alfândega, recebe ali os cem mil réis, e logo depois, na mesma casa, Arminda sofre um aborto.

O fim

Ele corre de volta à farmácia, pega o filho e vai para casa com o menino e o dinheiro, não para a Roda.

O narrador diz que ele recebe o filho com a mesma fúria com que tinha pegado a mulher, mas outra fúria, uma "furia de amor".

A tia Mônica perdoa a volta do menino por causa do dinheiro.

Candinho, beijando o filho e chorando de verdade, abençoa a fuga e não se importa com a criança que Arminda perdeu.

Por que o conto é lido assim

O título põe frente a frente um pai e uma mãe: a captura de Arminda permite que Candinho fique com o filho, enquanto ela perde o dela.

O pai é um homem livre e pobre; a mãe é uma mulher escravizada; a lei protegia esse sistema, e quem a escravizava pagava pela captura.

Nesta leitura, o conto mostra um homem comum fazendo, por dinheiro e por amor ao filho, o que o sistema permitia e pagava, e mostra quem pagou o preço.

A edição

O conto está no livro Relíquias de Casa Velha, de Machado de Assis, Rio de Janeiro e Paris, H. Garnier, Livreiro-Editor, 1906, ano impresso na folha de rosto.

O título impresso é Pae contra Mãe, e as citações preservam a grafia da edição, como em "creança" e "engeitados".

Lemos o conto nas imagens dessa edição digitalizadas pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (USP) e publicadas no Wikimedia Commons, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página e conferido no texto reconhecido por máquina dessas mesmas imagens.

A transcrição da Wikisource que acompanha essas imagens tem a grafia atualizada e está marcada como não revisada, por isso não citamos dela.

Leia o conto inteiro, na Wikisource em português, que mostra a transcrição ao lado das imagens da edição de Relíquias de Casa Velha. A transcrição de lá tem a grafia atualizada e ainda não foi revista; os trechos citados aqui foram copiados das imagens das páginas, com a grafia da edição. O acervo da Net Love tem este resumo, não o conto inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são Missa do Galo, Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e O Alienista.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o conto. A obra é de Machado de Assis. Os trechos citados vêm de Relíquias de Casa Velha, H. Garnier, 1906: os trechos em bloco saíram das páginas 6, 11 e 12, e as citações curtas entre aspas vêm também da página 17, todos copiados da imagem da página e conferidos no texto reconhecido por máquina. As citações em bloco não trazem travessão de diálogo.