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Houyi e os dez sóis novo

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Houyi é o arqueiro que, numa das histórias chinesas sobre o sol e a lua, abate os sóis a mais. W. F. Mayers, no Chinese Reader's Manual, de 1874, registra How I (Houyi), o Senhor Arqueiro, como nome ou título dado a um chefe a serviço do imperador K'u e, de novo, a um descendente dele que fez maravilhas de arco a serviço do imperador Yao. Deste último, diz a tradição que Mayers resume, que atirou flechas ao céu para livrar a lua durante um eclipse; outra versão conta que, quando dez sóis apareceram juntos no céu, trazendo confusão e morte à terra, Yao mandou How I atirar nos falsos astros, que logo sumiram. Mayers acrescenta que ele era marido de Ch'ang-ngo, a que fugiu para a lua. Em verbete separado, Mayers registra também um How I posterior, vassalo rebelde da dinastia Hia; não é dele que se trata aqui.

Segundo a versão que Werner registrou em Myths and Legends of China, de 1922, uma narrativa com esses mesmos elementos, o arqueiro de Yao, os dez sóis e a mulher que foi para a lua, tem como herói Shên I, o Arqueiro Divino; nesse relato, Werner não usa o nome Houyi. Em Werner, no décimo segundo ano do reinado de Yao, que a cronologia tradicional põe em 2346 a.C., o imperador encontra nas ruas de Huai-yang um homem com arco e flechas, o arco enrolado num pano vermelho: é Ch'ih-chiang Tzu-yü, que diz atirar bem e voar nas asas do vento. Yao manda que ele acerte um pinheiro no alto de um monte vizinho; a flecha atravessa a árvore, e ele salta numa corrente de ar para ir buscá-la. Por isso o imperador o chama de Shên I, põe-no na sua comitiva e o nomeia chefe dos mecânicos de todas as obras de madeira.

No relato de Werner, vêm então as calamidades: dez sóis aparecem no céu e o calor queima as colheitas; tempestades arrancam árvores e derrubam casas; enchentes cobrem o país; perto do lago Tung-t'ing, uma serpente de mil pés de comprimento devora gente, e javalis enormes fazem estrago no leste. Yao manda Shên I, com trezentos homens, matar os demônios e monstros. Primeiro ele vence Fei Lien, o espírito do vento, que soltava as tempestades de um saco. Depois, nas margens do rio Hsi, em Lin Shan, descobre que em três picos vizinhos nove pássaros extraordinários sopravam fogo e formavam assim nove sóis novos. Shên I atira nove flechas seguidas, fere os pássaros, e os nove falsos sóis se desfazem em nuvens vermelhas; os soldados acham as nove flechas cravadas em nove pedras vermelhas no alto do monte.

Em Kao-liang, Shên I faz recuar uma enchente com uma flecha e acerta no olho esquerdo um cavaleiro vestido de branco; com ele ia Hêng O, irmã mais nova de Ho Po, o espírito das águas. Shên I atira uma flecha no cabelo dela; ela agradece por ter sido poupada e aceita ser mulher dele. Três meses depois, Shên I mata a serpente do Tung-t'ing com uma flecha no olho esquerdo, os javalis são apanhados em armadilhas, e Yao o canoniza com o título de marquês pacificador do país. Werner anota que Hêng O é a mesma Ch'ang O, com o nome trocado por tabu.

Ainda no relato de Werner, a deusa Chin Mu dá a Shên I uma pílula da imortalidade, que só podia ser comida depois de um ano de preparo, e ele a esconde numa viga do telhado. Hêng O acha a pílula, come e voa até a lua, uma esfera enorme, brilhante como vidro e muito fria, onde só há caneleiras.

Shên I recebe o palácio do sol e, montado num raio de sol, vai visitar a mulher na lua, onde constrói o Palácio do Grande Frio; desde então, no décimo quinto dia de cada lua, vai vê-la, e é esse encontro do yang com o yin que, nessa versão, explica o grande brilho da lua nessa época. Werner acrescenta que, nas imagens, o deus segura o sol e a deusa, a lua, e que a história ganha uma continuação em que Hêng O vira um sapo, cujo contorno se vê na face da lua.

Veja também: Yu e o dilúvio; Amaterasu e a caverna; Rá, o sol de muitos nomes.

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