Os Horácios e os Curiácios
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Os Horácios e os Curiácios são, como Tito Lívio registrou no livro I de Ab Urbe Condita, os dois grupos de irmãos trigêmeos que lutaram para decidir uma guerra entre Roma e Alba Longa; o romano que sobreviveu, na volta, matou a própria irmã.
Lívio avisa, no prefácio, que o que se conta do tempo de antes da fundação de Roma, ou de quando ela estava para ser fundada, vem mais enfeitado de fábulas de poetas do que apoiado em registros dos fatos; o combate é posterior, do tempo do terceiro rei, Tulo Hostílio, mas, ao abrir o livro VI, ele diz que tudo o que narrou até ali é obscuro, porque os escritos eram raros e a maior parte dos registros se perdeu quando a cidade foi incendiada.
Tulo, mais belicoso que o próprio Rômulo, segundo Lívio, achou pretexto em saques mútuos entre camponeses romanos e albanos. Era uma guerra, escreve o historiador, quase de pais contra filhos, porque os romanos descendiam dos reis de Alba. O rei albano Cluílio morreu no acampamento, e o ditador Métio Fufécio propôs a Tulo decidir quem mandaria sem grande matança, porque os etruscos esperavam ver os dois exércitos cansados. Havia, por acaso, trigêmeos em cada exército, e Lívio admite a dúvida: “Que foram Horácios e Curiácios é bem sabido, e quase não há fato antigo mais célebre; mas, num caso tão conhecido, ainda há confusão de nomes, sobre de que povo eram os Horácios e de que povo os Curiácios”. Os autores puxam para os dois lados; ele segue os que, mais numerosos, fazem romanos os Horácios.
Antes da luta firmou-se um tratado: o povo cujos cidadãos vencessem mandaria no outro, em paz. Lívio descreve o rito, que chama de o mais antigo tratado de que há memória: o fecial Marco Valério, sacerdote que conduz o rito, pede ao rei as ervas sagradas e faz de Espúrio Fúsio o pater patratus, encarregado do juramento; este lê as condições e pede a Júpiter que fira o povo romano, se ele faltar primeiro ao pacto, como ele fere ali um porco com uma pedra.
Os trigêmeos avançaram entre os dois exércitos. Na luta, dois romanos caíram mortos e os três albanos ficaram feridos. O Horácio que restou, ileso, fugiu para separar os perseguidores, que corriam cada um como o ferimento deixava; voltou-se, matou o primeiro, depois o segundo, e enfrentou o último, exausto. Antes de matá-lo, disse que dois tinha entregado às sombras dos irmãos e que o terceiro daria à causa da guerra, para que o romano mandasse no albano. Lívio anota que os túmulos ainda se viam onde cada um caiu: os dois romanos juntos, mais perto de Alba, os três albanos separados, na direção de Roma.
Na volta, Horácio vinha à frente com os despojos dos três. Diante da porta Capena, a irmã dele, noiva de um dos Curiácios, reconheceu nos ombros do irmão o manto do noivo, que ela mesma tinha feito, soltou os cabelos e chamou o morto pelo nome, chorando. Horácio a matou com a espada, dizendo que assim fosse com toda romana que chorasse um inimigo. Lívio registra que o crime pareceu atroz aos senadores e ao povo, mas que o feito recente pesava a favor do assassino.
Levado ao rei, Horácio foi julgado por dois juízes, os duúnviros, pela lei de traição, que mandava cobrir a cabeça do condenado, suspendê-lo por uma corda numa árvore funesta e açoitá-lo. Condenado, apelou ao povo, por sugestão do próprio Tulo. O pai declarou que a filha tinha sido morta com justiça e pediu que não o deixassem sem filhos. O povo, escreve Lívio, absolveu-o mais por admiração da coragem do que pelo direito da causa, e mandou que o pai purificasse o filho com sacrifícios pagos pelo tesouro público: o jovem passou, de cabeça coberta, por baixo de uma viga posta sobre a rua, que no tempo de Lívio ainda era refeita e se chamava a viga da irmã. O túmulo de Horácia foi erguido com blocos de pedra quadrados no lugar onde ela caiu.
Os trechos entre aspas são de Tito Lívio, e o restante do texto é síntese do Net Love. Tradução dos trechos feita por inteligência artificial (Claude, da Anthropic) para o Net Love, a partir do latim da edição de Robert Seymour Conway e Charles Flamstead Walters (Titi Livi Ab Urbe Condita, tomo I, Oxford, Clarendon Press, 1914, reimpressão de 1936).
Veja também: Rômulo e Remo; O rapto das Sabinas; Numa Pompílio e a ninfa Egéria; A luta de Cú Chulainn e Ferdiad.
Para conferir
- Tito Lívio, Ab Urbe Condita, prefácio, 6, na edição de R. S. Conway e C. F. Walters (Titi Livi Ab Urbe Condita, tomo I, Oxford, Clarendon Press, 1914), exemplar da reimpressão de 1936 no Internet Archive, folha n45: o aviso de que o que se conta de antes da fundação, ou de quando ela estava para ser fundada, vem mais enfeitado de fábulas de poetas que de registros dos fatos.
- Tito Lívio, Ab Urbe Condita, livro VI, capítulo 1, 1 e 2, na mesma edição, tomo II (Oxford, Clarendon Press, 1919), exemplar da reimpressão de 1965 no Internet Archive, p. 1, folha n32: o que Lívio narrou nos cinco primeiros livros é obscuro pela antiguidade, os escritos eram raros e a maior parte dos registros se perdeu no incêndio da cidade.
- Tito Lívio, Ab Urbe Condita, livro I, capítulos 22 e 23, tomo I da mesma edição, folhas n76 a n78: Tulo Hostílio mais feroz que Rômulo, os roubos de gado, a guerra quase entre pais e filhos, a morte de Cluílio, o ditador Métio Fufécio, os etruscos e a proposta de decidir sem grande matança.
- Tito Lívio, Ab Urbe Condita, livro I, capítulos 24 a 26, tomo I da mesma edição, folhas n79 a n84: a dúvida sobre de que povo eram Horácios e Curiácios (trecho traduzido, lido na imagem da folha n79), o tratado e o rito do fecial, o combate, a fuga e as três mortes, as palavras do vencedor, os túmulos, a irmã na porta Capena e o manto do noivo, a morte dela, o juízo de Lívio sobre o crime, os duúnviros, a apelação ao povo, o pai, a absolvição, a viga da irmã e o túmulo de Horácia.



