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A luta de Cú Chulainn e Ferdiad novo

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O episódio é o capítulo XX do Táin Bó Cúalnge, o roubo do gado de Cualnge, na tradução inglesa de Joseph Dunn, de 1914, a mesma do verbete Cú Chulainn e o cão de Culann, que conta como o menino ganhou o nome. Dunn traduz do irlandês do Livro de Leinster e intercala trechos de outros manuscritos, cada um apontado em nota (o Livro Amarelo de Lecan, o manuscrito Stowe, os Egerton do Museu Britânico); quando uma cena maior daqui vem só de um desses trechos, o verbete diz. Na introdução, Dunn resume a situação: Cú Chulainn, que ele escreve Cuchulain, deixa o exército de Connacht avançar desde que lhe mandem todo dia um campeão para lutar sozinho com ele, e a mais dura dessas lutas foi contra Ferdiad, seu antigo amigo e irmão de criação, uma batalha de quatro dias no fim da qual Ferdiad caiu. Na abertura, que Dunn tira de um dos manuscritos Egerton, o capítulo mostra os homens do Ulster ainda prostrados pelas suas Dores e com Cú Chulainn sozinho contra as quatro províncias, da segunda-feira antes do Samain até a quarta-feira depois do começo da primavera.

Os homens de Erin escolhem Ferdiad, filho de Daman, filho de Dare, dos homens de Domnann, de pele de chifre que nenhuma arma atravessa. Os dois tinham aprendido as artes das armas com as mesmas mestras, Scathach, Uathach e Aife, e nenhum superava o outro, a não ser no golpe do Gae Bulga, a lança farpada, que só Cú Chulainn tinha. Ferdiad despacha os mensageiros da rainha Medb e do rei Ailill, porque sabe para que o querem. Medb manda então os druidas, os poetas e os satiristas, para fazer contra ele três sátiras que levantassem no seu rosto três bolhas, Censura, Mancha e Desonra. Ferdiad vai, porque prefere cair pelas armas a cair pelas sátiras. Na tenda, bebe até ficar alegre; é do Livro Amarelo a cena em que Finnabair, filha de Ailill e Medb, sentada ao lado dele, lhe dá três beijos a cada taça. Medb então lhe oferece um carro do valor de quatro vezes sete escravas (três vezes sete, dizem outros manuscritos, anota Dunn), terras, liberdade de tributo para os descendentes, o seu broche de ouro e a filha, Finnabair, como esposa. Segue-se um longo trecho que Dunn incorpora do Stowe, do Add. 18748 e do Egerton 209: Ferdiad recusa lutar com o irmão de criação e, num poema, diz que Cú Chulainn é metade do seu coração e ele, metade do coração do outro; Medb então, à sua maneira de semear discórdia, diz o texto, conta que Cú Chulainn teria dito que não acharia demais derrubá-lo, e Ferdiad jura que será o primeiro a enfrentá-lo no dia seguinte. No texto do Livro de Leinster, Medb obtém dele o compromisso de lutar com Cú Chulainn ou com seis campeões.

Fergus, o exilado do Ulster, vai avisar Cú Chulainn de quem vem. Cú Chulainn responde que não queria o amigo naquele encontro; os trechos de outros manuscritos acrescentam que não é por medo, mas por amor, e que quase preferiria cair pela mão dele a vê-lo cair pela sua. Ferdiad passa o fim da noite sem dormir, aflito, e de manhã o seu cocheiro tenta dissuadi-lo; ele não volta atrás, e num acréscimo do Egerton 106 explica que o acusariam de medo. No vau, Ferdiad fica do lado sul e Cú Chulainn do lado norte. Ferdiad lembra que, nos tempos de Scathach, o outro era o seu ajudante, que lhe armava a lança e lhe fazia a cama; Cú Chulainn responde que fazia isso por ser pequeno e moço, mas que naquele dia não há guerreiro no mundo que ele não enfrente.

No primeiro dia, Ferdiad escolhe as armas, porque chegou primeiro ao vau. Da madrugada ao meio-dia trocam arremessos e se defendem com escudos de destreza, e ninguém sangra; do meio-dia ao pôr do sol, lanças de arremesso, e os dois saem feridos. Ao parar, cada um põe a mão no pescoço do outro e lhe dá três beijos. Os cavalos ficam no mesmo cercado, os cocheiros no mesmo fogo. De cada erva e de cada encantamento de cura trazidos a Cú Chulainn, ele manda a mesma porção, por cima do vau, a Ferdiad, para que os homens de Erin não digam, se Ferdiad cair, que ele teve mais cuidado; e de cada comida e bebida trazidas a Ferdiad, este manda a mesma porção a Cú Chulainn, porque todos os homens de Erin alimentavam Ferdiad e só o povo da planície de Breg alimentava Cú Chulainn. No segundo dia, Cú Chulainn escolhe as grandes lanças, de cima dos carros, e o texto diz que, se as aves costumassem voar através do corpo dos homens, teriam passado através dos deles; à noite, de novo os beijos e a troca. No terceiro dia, Cú Chulainn acha o amigo sombrio; num diálogo que Dunn incorpora do Egerton 106, lhe diz que é uma pena enfrentar o irmão de criação a conselho de mulher nenhuma no mundo; Ferdiad responde que, se recuar, terá má fama para sempre diante de Medb. Lutam de espada até a noite, e desta vez, num trecho que Dunn tira do manuscrito H. 2. 12, se separam sem beijo e sem ervas; os cavalos não ficam no mesmo cercado.

No quarto dia, Ferdiad vai sozinho ao vau, sabendo que é o dia da decisão, e veste, por medo do Gae Bulga, um avental de ferro sobre uma pedra do tamanho de uma mó (a pedra trazida da África vem de um dos manuscritos Egerton, anota Dunn). Cú Chulainn pede ao seu cocheiro, Laeg, que o provoque se ele estiver perdendo, para a raiva subir, e que o elogie se estiver vencendo. Escolhe o Feito do Vau. Duas vezes salta sobre a bossa do escudo de Ferdiad para atingi-lo por cima, e duas vezes Ferdiad o arremessa longe. Laeg o insulta como combinado. Cú Chulainn salta pela terceira vez, é lançado no meio do vau e então incha e se curva como um arco. Ferdiad lhe crava a espada no peito. Aqui entra um trecho que Dunn tira de outros manuscritos e não do Livro de Leinster: dois amigos de Cú Chulainn vindos do povo das fadas, Dolb e Indolb, lutam ao lado dele, Ferdiad reclama que a irmandade dos dois não é igual, e mata os dois. O Gae Bulga era preparado na correnteza e lançado com o pé; entrava como uma lança só e se abria em trinta farpas, número que outros manuscritos dão como vinte e quatro ou cinco. Num trecho do Stowe e dos Egerton 106 e 209, Laeg e Id, cocheiro de Ferdiad e irmão de Laeg, brigam pela represa onde a arma tinha de ser preparada. Quando Ferdiad baixa o escudo, Cú Chulainn lhe atravessa o coração com uma lança curta por cima da borda; quando ele o ergue, lança por baixo o Gae Bulga, que rompe o avental de ferro e parte a pedra em três. Ferdiad diz que basta, que caiu, e que não foi justo da parte dele derrubá-lo assim.

Cú Chulainn o carrega com as armas para o lado norte do vau, para que a vitória fique do lado do Ulster e não do lado dos homens de Erin, e desmaia junto à cabeça do amigo. Laeg o chama, porque o exército vai atacar, e ele pergunta de que adianta levantar-se, agora que aquele caiu pela sua mão. Lamenta que Ferdiad não tenha ouvido o aviso de Fergus, diz que os homens de Erin o enganaram e o abandonaram, e, num trecho de outros manuscritos, que nenhuma luta lhe pesou tanto, a não ser a que travou com o próprio filho. Manda Laeg tirar as roupas de Ferdiad para ver o broche pelo qual ele entrou na luta, e recupera o Gae Bulga, porque não pode ficar sem as suas armas. Ao deixar o vau, diz que todas as batalhas que travou lhe parecem brincadeira perto daquela, e canta o lamento que Dunn verte com o refrão: tudo era jogo, tudo era brinquedo, até Ferdiad chegar ao vau. Num dos versos de antes, os dois são os filhos de criação da querida Scathach.

Para conferir