Numa Pompílio e a ninfa Egéria
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Numa Pompílio é, no relato que Tito Lívio registrou no livro I de Ab Urbe Condita, o segundo rei de Roma, o que sucedeu a Rômulo; Egéria é a deusa com quem ele dizia se encontrar à noite. Lívio não a chama de ninfa: no texto dele, ela é deusa (dea) e, mais adiante, esposa de Numa.
No prefácio, o historiador avisa que o que se conta do tempo de antes da fundação de Roma, ou de quando ela estava para ser fundada, vem mais enfeitado de fábulas de poetas do que apoiado em registros dos fatos; o reinado de Numa já é posterior, e, ao abrir o livro VI, Lívio diz que tudo o que narrou até ali é obscuro, porque os escritos eram raros e a maior parte dos registros se perdeu quando a cidade foi incendiada.
Depois da morte de Rômulo e de um interregno, o povo deixou ao senado a escolha do rei. Era famosa, então, a justiça e a religiosidade de Numa, sabino de Cures, o homem mais versado no direito divino e humano que se podia ser naquele tempo, diz Lívio. Ele recusa a versão de que Numa teria sido discípulo de Pitágoras: o filósofo reunia discípulos no sul da Itália mais de cem anos depois, no reinado de Sérvio Túlio; como a fama dele chegaria aos sabinos, em que língua e com que proteção? Para Lívio, Numa devia o espírito equilibrado ao próprio temperamento e à disciplina severa dos antigos sabinos, mais que a ensinamentos estrangeiros.
Chamado a Roma, Numa quis que os deuses fossem consultados sobre ele, como Rômulo fizera ao fundar a cidade. Um áugure o levou à cidadela e o fez sentar numa pedra voltada para o sul; com a cabeça coberta e o bastão curvo na mão, o lítuo, marcou as regiões do céu, pôs a mão direita na cabeça de Numa e pediu a Júpiter sinais certos. Os sinais vieram, e Numa foi declarado rei.
Numa quis fundar de novo, pelo direito, pelas leis e pelos costumes, a cidade fundada pela força. Fez o templo de Jano junto ao Argileto, aberto na guerra e fechado na paz; Lívio anota que, depois de Numa, ele só se fechou duas vezes, a segunda pelas mãos de Augusto, depois da batalha de Ácio, no tempo do próprio historiador. Em paz com os vizinhos, Numa achou que o povo, sem o medo do inimigo, precisava do temor aos deuses, e é aqui que entra Egéria. Lívio escreve: “Como esse temor não podia descer aos ânimos sem alguma invenção de milagre, ele finge ter encontros noturnos com a deusa Egéria: era por conselho dela, dizia, que instituía os ritos mais aceitos pelos deuses e designava a cada deus os seus sacerdotes próprios”.
Na sequência, Lívio atribui a Numa a divisão do ano em doze meses pelo curso da lua, com meses intercalados para que, a cada vinte anos, os dias voltassem a coincidir com o sol, e a separação dos dias em que se podia e em que não se podia tratar de assuntos com o povo.
Depois vieram os sacerdotes. O flâmine de Júpiter, sacerdote permanente desse deus, recebeu veste própria e a cadeira curul dos reis; outros dois flâmines foram dados a Marte e a Quirino. As virgens de Vesta, sacerdócio vindo de Alba, passaram a ter sustento pago pelo tesouro público. Os doze sálios de Marte Gradivo percorriam a cidade com os escudos sagrados, os ancis, cantando e dançando. E o pontífice, Numa Márcio, recebeu os ritos por escrito.
Havia um bosque regado por uma fonte perene que saía de uma gruta escura. Como Numa ia muitas vezes ali sem testemunhas, como se fosse encontrar a deusa, consagrou o bosque às Camenas, divindades que, conta Lívio, se reuniam ali com Egéria, a esposa dele. O resultado, segundo o historiador, foi uma cidade tão voltada para o culto que a palavra dada e o juramento passaram a governá-la, e os vizinhos passaram a julgar sacrilégio atacá-la. Rômulo reinou trinta e sete anos e Numa quarenta e três; um engrandeceu a cidade pela guerra, o outro pela paz.
Os trechos entre aspas são de Tito Lívio, e o restante do texto é síntese do Net Love. Tradução dos trechos feita por inteligência artificial (Claude, da Anthropic) para o Net Love, a partir do latim da edição de Robert Seymour Conway e Charles Flamstead Walters (Titi Livi Ab Urbe Condita, tomo I, Oxford, Clarendon Press, 1914, reimpressão de 1936).
Veja também: Rômulo e Remo; O rapto das Sabinas; Os Horácios e os Curiácios; Ares, o furor da batalha.
Para conferir
- Tito Lívio, Ab Urbe Condita, prefácio, 6, na edição de R. S. Conway e C. F. Walters (Titi Livi Ab Urbe Condita, tomo I, Oxford, Clarendon Press, 1914), exemplar da reimpressão de 1936 no Internet Archive, folha n45: o aviso de que o que se conta de antes da fundação, ou de quando ela estava para ser fundada, vem mais enfeitado de fábulas de poetas que de registros dos fatos.
- Tito Lívio, Ab Urbe Condita, livro VI, capítulo 1, 1 e 2, na mesma edição, tomo II (Oxford, Clarendon Press, 1919), exemplar da reimpressão de 1965 no Internet Archive, p. 1, folha n32: o que Lívio narrou nos cinco primeiros livros é obscuro pela antiguidade, os escritos eram raros e a maior parte dos registros se perdeu no incêndio da cidade.
- Tito Lívio, Ab Urbe Condita, livro I, capítulos 17 (10 e 11) e 18 a 21, tomo I da mesma edição, folhas n71 a n76: a escolha deixada ao senado, a fama de Numa e Cures, a recusa de Pitágoras, a inauguração com o áugure e o lítuo, o templo de Jano e os dois fechamentos, Augusto e Ácio, o temor aos deuses e os encontros com a deusa Egéria (trecho traduzido, lido na imagem da folha n73), o ano de doze meses e os intercalares, os dias, os flâmines, as vestais, os sálios e os ancis, o pontífice Numa Márcio, o bosque das Camenas e Egéria esposa, a palavra dada e os anos de reinado.



