Rômulo e Remo
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Rômulo e Remo são os gêmeos da fundação de Roma na história que Tito Lívio registrou no livro I de Ab Urbe Condita (Desde a fundação da cidade): filhos de uma sacerdotisa, salvos do rio e criados entre pastores, eles devolvem o reino ao avô, e a disputa pela cidade nova termina com a morte de Remo.
O próprio Lívio avisa, no prefácio, como ler esse começo. Segundo ele, o que se conta do tempo de antes da fundação da cidade, ou de quando ela estava para ser fundada, chegou “mais enfeitado de fábulas de poetas do que apoiado em registros íntegros dos fatos”, e ele não pretende nem afirmar nem refutar. Acrescenta que se concede à Antiguidade misturar o humano com o divino para tornar mais solene o começo das cidades.
Na linhagem dos reis de Alba Longa que Lívio enumera, Procas deixou o reino ao filho mais velho, Numitor. O irmão mais novo, Amúlio, expulsou-o, matou os filhos homens dele e, com a aparência de uma honra, fez da sobrinha, Reia Sílvia, uma vestal, sacerdotisa obrigada à virgindade: assim tirava dela a esperança de ter filhos. Lívio comenta que, a seu ver, a origem de cidade tão grande era devida aos fados.
Reia Sílvia foi violentada e deu à luz gêmeos. Segundo Lívio, declarou Marte pai das crianças, ou porque acreditava nisso, ou porque um deus como autor da culpa era mais honroso. O rei mandou prendê-la e jogar os meninos no rio. O Tibre, porém, tinha transbordado em águas paradas, e quem os levava os deixou na margem alagada, onde depois ficou a figueira Ruminal. Conta-se, diz Lívio, que uma loba sedenta desceu dos montes ao ouvir o choro, deu de mamar aos meninos e os lambia quando o chefe dos pastores do rei, Fáustulo, os encontrou e os levou à mulher, Larência, para criar. Lívio registra também a explicação de alguns: os pastores chamariam Larência de loba porque ela se prostituía, e daí teria nascido a fábula.
Crescidos entre os pastores, os gêmeos caçavam nos bosques e atacavam ladrões carregados de saque, repartindo com os pastores o que tomavam. Num dia da festa do Lupercal, no Palatino, ladrões ressentidos armaram uma emboscada: Rômulo se defendeu, Remo foi preso, entregue ao rei Amúlio sob a acusação de saquear as terras de Numitor e passado a Numitor para o castigo. Fáustulo, que desde o começo esperava estar criando sangue de rei, contou tudo a Rômulo; Numitor, ao saber que o preso tinha um irmão gêmeo, e pela idade e pelo caráter nada servil dele, chegou perto de reconhecer o neto.
Rômulo atacou o rei com pastores chegados por caminhos diferentes, e Remo o ajudou com outro grupo vindo da casa de Numitor; assim mataram Amúlio. Diante da assembleia, Numitor contou os crimes do irmão e a origem dos netos, e voltou a reinar em Alba.
Os gêmeos quiseram então fundar uma cidade onde tinham sido expostos e criados, e aí, escreve Lívio, veio o mal ancestral, a cobiça de reinar. Como eram gêmeos e a idade não decidia, deixaram a escolha aos deuses do lugar, pelos augúrios: Rômulo tomou o Palatino, Remo o Aventino. Remo viu primeiro seis abutres; Rômulo, logo depois, o dobro, e cada um foi aclamado rei pelos seus, um pela precedência, o outro pelo número de aves. Da discussão passaram à briga, e Remo caiu morto, atingido na confusão. A versão mais divulgada, diz Lívio, é outra: Remo, para zombar do irmão, saltou as muralhas novas, e Rômulo, irado, o matou, dizendo: “Assim, daqui em diante, com qualquer outro que saltar as minhas muralhas”. Rômulo ficou sozinho no poder, e a cidade levou o nome do fundador.
Lívio fecha o episódio com as primeiras obras do rei: fortificou o Palatino, onde tinha sido criado, e ofereceu sacrifícios aos deuses pelo rito de Alba e a Hércules pelo rito grego, instituído por Evandro. É aí que ele conta a história de Hércules e do pastor Caco, que roubou os bois do herói e morreu com um golpe de clava, e diz que, de todos os cultos estrangeiros, esse foi o único que Rômulo adotou.
Os trechos entre aspas são de Tito Lívio, e o restante do texto é síntese do Net Love. Tradução dos trechos feita por inteligência artificial (Claude, da Anthropic) para o Net Love, a partir do latim da edição de Robert Seymour Conway e Charles Flamstead Walters (Titi Livi Ab Urbe Condita, tomo I, Oxford, Clarendon Press, 1914, reimpressão de 1936).
Veja também: O rapto das Sabinas; Numa Pompílio e a ninfa Egéria; Os Horácios e os Curiácios; Ares, o furor da batalha.
Para conferir
- Tito Lívio, Ab Urbe Condita, prefácio, 6 e 7, na edição de R. S. Conway e C. F. Walters (Titi Livi Ab Urbe Condita, tomo I, Oxford, Clarendon Press, 1914), exemplar da reimpressão de 1936 no Internet Archive, folha n45: o aviso de que o que se conta de antes da fundação, ou de quando ela estava para ser fundada, vem mais enfeitado de fábulas de poetas que de registros dos fatos, e que Lívio não pretende afirmar nem refutar (trecho traduzido, lido na imagem), e a licença dada à Antiguidade de misturar o humano com o divino.
- Tito Lívio, Ab Urbe Condita, livro I, capítulos 3 a 7, mesma edição e exemplar, folhas n50 a n57: Procas, Numitor e Amúlio, Reia Sílvia feita vestal, a violência, os gêmeos e Marte, o rio transbordado e a figueira Ruminal, a loba, Fáustulo e Larência, a explicação da loba como apelido, o Lupercal, a prisão de Remo, o reconhecimento, a morte de Amúlio, os augúrios do Palatino e do Aventino, os seis e os doze abutres, as duas versões da morte de Remo e a frase de Rômulo (trecho traduzido, lido na imagem da folha n55), o nome da cidade, Hércules e Caco.



