Orfeu e Eurídice nas fontes
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A história de Orfeu e Eurídice é contada de jeitos diferentes nas fontes antigas, e este verbete segue cada uma pelo nome. A mais curta é a de Apolodoro, na Biblioteca. Orfeu é filho de Calíope e de Eagro, ou, só de nome, de Apolo. Com a música, move pedras e árvores. Quando Eurídice morre mordida por uma cobra, ele desce ao Hades e convence Plutão a mandá-la de volta. O deus aceita, com uma condição: Orfeu não pode se virar até chegar em casa. Ele desobedece, vê a mulher, e ela volta ao mundo dos mortos.
Ovídio, nas Metamorfoses, conta a mesma perda com mais detalhe. No casamento, Himeneu não traz bom augúrio, e a tocha só solta fumaça. Eurídice passeia com as náiades quando uma serpente a pica no tornozelo. Orfeu desce pela porta do Tênaro até o Estige e canta aos reis dos mortos. Diz que não veio por curiosidade, que o Amor o venceu e que pede a vida dela só por um tempo, porque um dia ela será deles. As sombras choram, e Ovídio diz que, pela primeira vez, as Eumênides choram também.
Plutão e a rainha cedem. Eurídice vem com passos lentos, ainda mancando da ferida. A condição, em Ovídio, é não olhar para trás antes de sair. Perto da superfície, com medo de perdê-la, Orfeu olha. Ela escorrega de volta e diz só adeus. Ovídio nota que ela não tinha de que se queixar, a não ser do amor dele. Orfeu passa sete dias à beira do rio, sem comer, e o barqueiro não o deixa passar de novo.
Virgílio, nas Geórgicas, acrescenta um personagem: Aristeu, que perseguia Eurídice quando ela foi picada pela serpente.
Platão, no Banquete, dá a palavra a Fedro, que conta outra coisa. Os deuses mostraram a Orfeu só uma aparição de Eurídice, porque ele não teve a coragem de morrer por amor, como Alceste, e entrou vivo no Hades. Por isso, diz Fedro, morreu nas mãos de mulheres. Aqui Orfeu é um covarde. As versões divergem, portanto, em quem causa a perda e em quanto vale o cantor.
Veja também: Perséfone, a que volta na primavera; Hades, o senhor invisível; Dionísio, o deus que liberta; Sísifo e a pedra; Alceste e Admeto.
Para conferir
- Apolodoro, Biblioteca, livro I, 3.2, tradução inglesa de J. G. Frazer: Orfeu filho de Calíope e de Eagro ou, nominalmente, de Apolo, as pedras e árvores movidas pela música, a mordida da cobra, a descida ao Hades, a condição de Plutão de não se virar até a casa, a desobediência, a volta de Eurídice e a morte de Orfeu pelas mênades.
- Ovídio, Metamorfoses, livro X, versos 1 a 85, tradução inglesa de Brookes More: Himeneu sem bom augúrio, a tocha que só solta fumaça, a picada no tornozelo, a porta do Tênaro, o canto aos reis dos mortos, as sombras que choram e as Eumênides, a condição de não olhar, Eurídice ainda mancando, o último adeus e os sete dias à beira do rio.
- Verbete Orpheus, Wikipedia, com as passagens sobre Virgílio (Geórgicas IV, Aristeu) e Platão (Banquete, 179d): Aristeu perseguindo Eurídice quando ela foi picada, na versão de Virgílio, e a versão de Fedro no Banquete, com a aparição de Eurídice, a falta de coragem de Orfeu e a morte por mulheres. Resumo moderno, não conferido no texto de Virgílio.







