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Orfeu e Eurídice nas fontes

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350 palavras

A história de Orfeu e Eurídice é contada de jeitos diferentes nas fontes antigas, e este verbete segue cada uma pelo nome. A mais curta é a de Apolodoro, na Biblioteca. Orfeu é filho de Calíope e de Eagro, ou, só de nome, de Apolo. Com a música, move pedras e árvores. Quando Eurídice morre mordida por uma cobra, ele desce ao Hades e convence Plutão a mandá-la de volta. O deus aceita, com uma condição: Orfeu não pode se virar até chegar em casa. Ele desobedece, vê a mulher, e ela volta ao mundo dos mortos.

Ovídio, nas Metamorfoses, conta a mesma perda com mais detalhe. No casamento, Himeneu não traz bom augúrio, e a tocha só solta fumaça. Eurídice passeia com as náiades quando uma serpente a pica no tornozelo. Orfeu desce pela porta do Tênaro até o Estige e canta aos reis dos mortos. Diz que não veio por curiosidade, que o Amor o venceu e que pede a vida dela só por um tempo, porque um dia ela será deles. As sombras choram, e Ovídio diz que, pela primeira vez, as Eumênides choram também.

Plutão e a rainha cedem. Eurídice vem com passos lentos, ainda mancando da ferida. A condição, em Ovídio, é não olhar para trás antes de sair. Perto da superfície, com medo de perdê-la, Orfeu olha. Ela escorrega de volta e diz só adeus. Ovídio nota que ela não tinha de que se queixar, a não ser do amor dele. Orfeu passa sete dias à beira do rio, sem comer, e o barqueiro não o deixa passar de novo.

Virgílio, nas Geórgicas, acrescenta um personagem: Aristeu, que perseguia Eurídice quando ela foi picada pela serpente.

Platão, no Banquete, dá a palavra a Fedro, que conta outra coisa. Os deuses mostraram a Orfeu só uma aparição de Eurídice, porque ele não teve a coragem de morrer por amor, como Alceste, e entrou vivo no Hades. Por isso, diz Fedro, morreu nas mãos de mulheres. Aqui Orfeu é um covarde. As versões divergem, portanto, em quem causa a perda e em quanto vale o cantor.

Veja também: Perséfone, a que volta na primavera; Hades, o senhor invisível; Dionísio, o deus que liberta; Sísifo e a pedra; Alceste e Admeto.

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