Hades, o senhor invisível novo
Hades é o irmão que ficou com a parte de baixo, e o nome dele quer dizer o invisível. Os gregos evitavam pronunciá-lo: chamavam-no de Plutão, o rico, porque é do subsolo que vem o metal e é para o subsolo que vai a semente antes de virar planta. Chamar a morte pelo nome parecia convidá-la.
Ao contrário do diabo cristão, com quem sempre o confundem, Hades não tenta ninguém nem castiga por maldade. Ele administra. O reino dele é um lugar cinzento onde as sombras ficam, e o que assusta ali não é o tormento: é a falta de sabor de tudo.
A história que o define é a de Perséfone, filha de Deméter, que ele levou para ser rainha. Deméter parou de fazer a terra dar fruto até tê-la de volta, e o acordo a que chegaram é a razão das estações: a moça passa parte do ano embaixo e parte em cima, e enquanto está embaixo a mãe deixa o mundo em inverno.
O elmo que o torna invisível foi presente dos ciclopes na mesma forja em que nasceram os raios de Zeus. Perseu o usou para escapar depois de matar a Medusa, e é um dos poucos objetos do Olimpo que passam de mão em mão.
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