Dionísio, o deus que liberta
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Dionísio é o deus do vinho, do teatro e do êxtase, e é o único do Olimpo que nasceu de mãe mortal. Sêmele, grávida dele, pediu a Zeus que se mostrasse em sua forma verdadeira e morreu queimada ao vê-lo. Zeus salvou o filho costurando-o na própria coxa até a hora de nascer: por isso ele é chamado de o nascido duas vezes.
Ele e Apolo dividiam Delfos, cada um com a sua estação: Plutarco conta que, no começo do inverno, os cantos a Apolo davam lugar aos de Dionísio. Nietzsche fez deles duas forças opostas da arte grega: Apolo é a medida; Dionísio é o que rompe a medida. Nas Bacantes, de Eurípides, o adivinho Tirésias diz que o vinho, presente do deus, livra os homens da tristeza e traz o sono que faz esquecer os males de cada dia.
Aristóteles, na Poética, diz que a tragédia começou com os que puxavam o ditirambo, o canto em honra do deus. A palavra tragédia quer dizer, ao pé da letra, canto do bode.
A parreira, o cacho e a taça são dele. E nas Bacantes Tirésias diz também que o deus é profeta, porque o delírio que vem dele tem muito de profecia.
Veja também: Teseu e o Minotauro; Orfeu e Eurídice nas fontes; Baucis e Filêmon.
Para conferir
- Plutarco, Sobre o E de Delfos, 9: Dionísio tem em Delfos parte igual à de Apolo; no começo do inverno o ditirambo toma o lugar do peã.
- Eurípides, As Bacantes, tradução inglesa de Gilbert Murray: Tirésias diz que o vinho livra da tristeza e traz o sono que faz esquecer, e que o deus é também profeta, porque o delírio tem muito de profecia.
- Friedrich Nietzsche, O Nascimento da Tragédia, seção 1 (tradução inglesa de William A. Haussmann): o apolíneo e o dionisíaco como as duas forças da arte grega.
- Aristóteles, Poética, 4: a tragédia começou com os que puxavam o ditirambo.
- Online Etymology Dictionary, tragedy: tragoidía, ao pé da letra canto do bode; a ligação com o bode tem várias explicações.
Na coleção Os deuses gregos, leitura 12 de 12
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