Dionísio, o deus que liberta novo
Dionísio é o deus do vinho, do teatro e do êxtase, e é o único do Olimpo que nasceu de mãe mortal. Sêmele, grávida dele, pediu a Zeus que se mostrasse em sua forma verdadeira e morreu queimada ao vê-lo. Zeus salvou o filho costurando-o na própria coxa até a hora de nascer: por isso ele é chamado de o nascido duas vezes.
É o oposto de Apolo e os dois dividiam Delfos, cada um com a sua estação. Apolo é a medida; Dionísio é o que rompe a medida. As festas dele soltavam o que a cidade prendia o ano inteiro, e era essa a função: um povo que nunca sai de si mesmo endurece e quebra.
O teatro nasceu dessas festas. As tragédias de Ésquilo, Sófocles e Eurípides foram escritas para o festival dele em Atenas, e a palavra tragédia quer dizer canto do bode, que era o animal do seu cortejo. Tudo o que o Ocidente fez em cima de um palco começou numa procissão de bêbados cantando.
A parreira, o cacho e a taça são dele. E é dele também a ideia, que atravessou os séculos, de que há uma verdade que só aparece quando a pessoa deixa de se controlar.



