Cú Chulainn e o cão de Culann novo
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O Táin Bó Cúailnge, o roubo do gado de Cualnge, saiu em inglês em 1914 na tradução de Joseph Dunn, que na introdução o chama de a mais antiga narrativa épica da Europa ocidental. A rainha Medb e o rei Ailill, de Connacht, invadem o Ulster atrás de um touro, o Touro Pardo de Cualnge. Dunn resume na introdução o que deixa o caminho aberto: os homens do Ulster estão prostrados pelas suas Dores, uma fraqueza que vem de uma maldição antiga, e só Cú Chulainn, que Dunn escreve Cuchulain, e o pai dele, Sualtaim, escapam dela. Quando o exército encontra os primeiros sinais de quem o enfrenta, Ailill pergunta quem seria, e Fergus, um exilado do Ulster que guia a tropa, responde que não sabe, a menos que seja o menino criado por ele e pelo rei Conchobar, que agora está no décimo sétimo ano. Os exilados passam então a contar os feitos da infância dele.
O episódio do cão é contado por Cormac Conlongas, filho de Conchobar, também exilado, como um segundo feito do menino, no ano seguinte ao primeiro. Culann, um ferreiro do Ulster, prepara um banquete para Conchobar e pede que ele leve pouca gente, porque não tem terras nem domínios: tem o fruto das duas mãos, as marretas e as bigornas, os punhos e as tenazes. Antes de partir com cinquenta chefes de carro, o rei passa pelo campo de jogos de Emain para se despedir dos meninos e vê uma coisa que o espanta: um menino sozinho vence cento e cinquenta no jogo de bola, no jogo do buraco, na luta e na brincadeira de arrancar a roupa uns dos outros. Conchobar o chama para o banquete. O menino responde que os outros ainda não se fartaram de brincar e que irá depois, seguindo o rastro da comitiva, dos cavalos e dos carros.
Na casa de Culann, já à mesa, o ferreiro pergunta se mais alguém vem atrás do rei naquela noite. Conchobar, que tinha esquecido o menino, diz que não. Culann conta então que tem um cão de guarda trazido da Espanha, preso por três correntes com três homens em cada uma (um dos manuscritos, anota Dunn, diz quatro), um cão que não conhece ninguém além do dono, e Conchobar manda soltá-lo. O menino vem pelo caminho brincando: joga a bola, joga o taco atrás dela e a acerta, depois joga o bastão, que alcança os dois antes que caiam. O cão o vê e uiva de um jeito que se ouve na região inteira, pronto para engoli-lo de uma vez. Sem arma nenhuma, o menino lança a bola pela goela do animal com tanta força que ela o atravessa, e depois o agarra pelas patas e o bate contra uma pedra fincada no chão até despedaçá-lo. Aqui a tradição varia: Dunn registra em nota que, na versão do Livro da Vaca Parda e do Livro Amarelo de Lecan, o menino agarra o cão com uma mão pelo pomo da garganta e com a outra pelo dorso.
Conchobar ouve o ganido e diz que vieram ao banquete com má sorte: o menino que vinha encontrá-lo, Setanta, filho de Sualtaim e filho da sua irmã, está perdido. Os homens do Ulster saltam por cima da paliçada, mas Fergus chega antes de todos, ergue o menino no ombro e o leva a Conchobar. Culann sai, vê o cão em pedaços e sente o coração bater no peito. Diz ao menino que ele é bem-vindo por causa do pai e da mãe, não por si mesmo: o cão guardava os seus rebanhos e o seu gado, e com ele se foi o seu sustento. O menino responde que vai dar uma sentença justa. Se houver na Irlanda um filhote da mesma raça, ele o criará até que possa fazer o trabalho do pai; até lá, ele mesmo será o cão que protege os rebanhos, o gado, a terra e o próprio Culann, e vai guardar a planície de Murthemne inteira.
Conchobar aprova a sentença, e Cathba, que uma nota de Dunn identifica como o druida de Conchobar, diz que nem eles dariam uma melhor e propõe que dali venha o nome do menino: Cuchulain, que Dunn traduz nesse trecho por Wolfhound of Culann, o cão-lobo de Culann. O menino prefere o próprio nome, Setanta, filho de Sualtaim. Cathba insiste que os homens de Erin e de Alba (Dunn conserva as formas antigas em vez de Irlanda e Escócia) vão ouvir esse nome e ter a boca cheia dele, e o menino aceita: qualquer nome que lhe derem, diz, lhe agrada. Dunn pôs essa frase de Cathba, no irlandês do Livro de Leinster, na abertura do seu livro. Cormac fecha o relato lembrando que o menino tinha seis anos quando matou o cão de que nem exércitos ousavam se aproximar, e que não há por que se espantar com o que ele faz agora, com os dezessete anos completos, como diz Cormac. Nem o nome Dunn traduz de um jeito só: na introdução escreve the Hound of Culann, e na fala de Fergus, the Wolf-dog of Culann the Smith.
Para conferir
- Táin Bó Cúalnge, tradução de Joseph Dunn, 1914, folha de rosto e introdução, no Projeto Gutenberg: a frase de Cathba no irlandês do Livro de Leinster, a mais antiga narrativa épica da Europa ocidental, os manuscritos (Livro da Vaca Parda, Livro Amarelo de Lecan, Livro de Leinster), Erin e Alba, Medb e Ailill, o touro, as Dores do Ulster e os exilados que contam a infância de Cuchulain.
- Táin Bó Cúalnge, tradução de Dunn, capítulo VI: Fergus sugere que seja o menino criado por ele e por Conchobar, the Wolf-dog of Culann the Smith, no décimo sétimo ano.
- Táin Bó Cúalnge, tradução de Dunn, capítulo VIIa e notas: Cormac Conlongas conta o banquete de Culann, os jogos em Emain, o cão trazido da Espanha e as três ou quatro correntes, a bola pela goela, a versão do Livro da Vaca Parda e do Livro Amarelo, a sentença do menino, Cathba e o nome, e os seis anos.



