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Bastet, a deusa de Bubástis novo

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Bastet é a deusa egípcia que tinha o seu grande santuário em Bubástis, no leste do delta do Nilo. O nome aparece com várias formas. O egiptólogo E. A. Wallis Budge, em The Gods of the Egyptians, de 1904, escreve Bast e a chama Senhora do Oriente, a deusa por excelência da parte leste do delta, com centro de culto em Per-Bast, ou Pa-Bast, a cidade que os gregos chamaram Bubástis. Os gregos davam à deusa o nome da cidade e a identificavam com a sua Ártemis. Budge cita um texto da pirâmide do rei Pepi I em que o coração do rei é dito o coração de Bestet, e conclui que o culto de Bast já era muito antigo, ao menos no delta. Lembra também que a Bíblia menciona a cidade com o nome de Pibeseth, em Ezequiel 30,17, e que as ruínas, em Tell-Basta, foram escavadas por Naville, que publicou os resultados em 1891 e 1892. As citações deste verbete vêm de traduções e livros em inglês, passados ao português aqui.

Heródoto, no livro II das Histórias, na tradução de G. C. Macaulay (1890), diz que, das assembleias religiosas dos egípcios, a celebrada com mais zelo era a de Bubástis, para Ártemis, o nome grego que ele dá à deusa. Descreve a viagem pelo rio: homens e mulheres juntos, muita gente em cada barco; algumas mulheres tocam matracas, alguns homens tocam flauta, os outros cantam e batem palmas. A cada cidade da margem, encostam o barco, e parte das mulheres continua a música, outras gritam caçoando das mulheres do lugar, outras dançam, outras levantam as roupas. Em Bubástis fazem grandes sacrifícios, e, segundo ele, se bebe nessa festa mais vinho de uva do que em todo o resto do ano. Os moradores lhe disseram que se reuniam ali, ano a ano, setenta miríades de homens e mulheres, setecentas mil pessoas, sem contar as crianças. O número é o que lhe contaram, não uma contagem dele.

Heródoto achou o templo de Bubástis o mais agradável de ver: havia templos maiores e mais caros, mas nenhum dava mais prazer aos olhos. A cidade tinha sido aterrada várias vezes e ficou alta, enquanto o templo continuou no nível em que foi construído, de modo que quem andava em volta o via de cima. Tirando a entrada, ele era cercado de água: dois canais vindos do Nilo, de cem pés de largura cada um e sombreados de árvores, corriam um de cada lado até a porta. O portão tinha dez braças de altura, com figuras de seis côvados; em volta havia um muro de pedra com figuras esculpidas e, dentro, um bosque de árvores enormes em torno do templo onde ficava a imagem da deusa. Uma estrada calçada de pedra, de uns três estádios, levava dali, pela praça do mercado, para o leste, até o templo de Hermes.

Heródoto liga diretamente os sepultamentos dos gatos à cidade de Bubástis: conta que os gatos mortos eram levados para edifícios sagrados em Bubástis, onde eram embalsamados e enterrados, e que, quando um gato morria de morte natural numa casa, os moradores raspavam só as sobrancelhas. Diodoro da Sicília, no livro I da Biblioteca Histórica, na tradução de C. H. Oldfather (1933), conta que no Egito quem matasse um gato, de propósito ou sem querer, era morto pela multidão, às vezes sem julgamento, e diz ter visto com os próprios olhos o caso de um romano que matou um gato por acidente, numa época em que o povo temia Roma, e que nem os enviados do rei conseguiram salvar. Diodoro explica a honra também pela utilidade: o gato serve contra as serpentes de picada mortal. Plutarco, em Sobre Ísis e Osíris, não fala de Bastet pelo nome, mas conta que no alto do sistro, o chocalho de metal do culto egípcio, se punha a figura de uma gata com rosto humano, que ele interpreta como símbolo da lua, avisando que parte da explicação pode parecer fábula.

Nas imagens, segundo Budge, Bastet costuma aparecer como mulher com cabeça de gata, às vezes com cabeça de leoa encimada por uma serpente, com um sistro na mão direita e, na esquerda, uma égide com a cabeça de gata ou de leoa no alto. Ele registra que ela era chamada olho de Rá e olho de Tem, que em Tebas era identificada com Mut e em Mênfis com Mut e Uatchet, e que, em textos egípcios, Bast e Sekhet aparecem como formas muito próximas do calor e da luz do deus Sol; Sekhet é o nome que a deusa enviada contra os homens também recebe na lenda contada no verbete Rá, o sol de muitos nomes. Heródoto, por fim, registra uma genealogia à maneira grega: os egípcios diriam que Apolo e Ártemis eram filhos de Dioniso e de Ísis, que Leto os criou e protegeu, e que, na língua egípcia, Apolo é Hórus, Deméter é Ísis e Ártemis é Bubástis. É a leitura de um grego, que traduz os deuses do Egito pelos seus; a Ártemis grega tem verbete próprio no acervo.

Veja também: Rá, o sol de muitos nomes; Anúbis, o que cuida dos mortos; Osíris e Ísis; Ártemis, a irmã do arco.

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