Natal novo
- Tamanho
- 28 versos
Jesus nasceu! Na abobada infinita
Soam canticos vivos de alegria;
E toda a vida universal palpita
Dentro d'aquella pobre estrebaria...
Não houve sedas, nem setins, nem rendas
No berço humilde em que nasceu Jesus...
Mas os pobres trouxeram offerendas
Para quem tinha de morrer na Cruz.
Sobre a palha, risonho, e illuminado
Pelo luar dos olhos de Maria,
Vede o Menino-Deus, que está cercado
Dos animaes da pobre estrebaria.
Não nasceu entre pompas reluzentes;
Na humildade e na paz d'este logar,
Assim que abriu os olhos innocentes,
Foi para os pobres seu primeiro olhar.
No emtanto, os reis da terra, peccadores,
Seguindo a estrella que ao presepe os guia,
Veem cobrir de perfumes e de flores
O chão d'aquella pobre estrebaria.
Sobem hymnos de amor ao céo profundo;
Homens, Jesus nasceu! Natal! Natal!
Sobre esta palha está quem salva o mundo,
Quem ama os fracos, quem perdoa o Mal!
Natal! Natal! Em toda a Natureza
Ha sorrisos e cantos, n'este dia...
Salve, Deus da Humildade e da Pobreza,
Nascido n'uma pobre estrebaria!
Para conferir
- Olavo Bilac, Poesias infantis (Rio de Janeiro, Livraria Classica de Francisco Alves & C., 1904), Natal, p. 20: o texto do poema na página impressa digitalizada (página 22 do arquivo), com a grafia da edição preservada.
- Olavo Bilac, Poesias infantis (Rio de Janeiro, Livraria Classica de Francisco Alves & C., 1904), Natal, p. 21: o texto do poema na página impressa digitalizada (página 23 do arquivo), com a grafia da edição preservada.
Na coleção Natal e Ano Novo, leitura 3 de 12
Anterior: Oração para a ceia de Natal · Próxima: Missa do Galo, de Machado de Assis: o resumo do conto da conversa na noite de Natal
Continue em Mestres da poesia
- AdormecidaCastro Alves · 28 versos
- Vou Me Embora Pra Pasárgada41 versos
- A catedralAlphonsus de Guimaraens · 32 versos



