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Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga: o resumo das liras de 1792 novo

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1.453 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 8 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são do poeta. As liras estão em domínio público. Lemos as liras numa edição impressa em Lisboa em 1792, e cada citação em bloco traz a página e a lira.

Um livro de liras

Marília de Dirceu é um livro de poemas curtos, chamados liras.

O exemplar que lemos traz trinta e três liras, numeradas de I a XXXIII, e termina na palavra FIM, na página 118.

Quem fala é um pastor chamado Dirceu, e ele fala quase sempre com Marília, a pastora que ama.

Não há uma história contínua: cada lira é um momento desse amor.

O resumo junta as liras por tema e não comenta cada uma delas.

O pastor e a pastora

Na lira I, Dirceu se apresenta a Marília.

Diz que não é um vaqueiro que guarda o gado dos outros.

Tem casa própria, vinho, legumes, frutas, azeite e ovelhas, e os outros pastores respeitam o seu cajado.

Mas diz que tudo isso vale menos do que o agrado de Marília.

Imagina os dois passeando na floresta e imagina até a sepultura comum, onde os pastores leriam que eles foram um exemplo de amor feliz.

Cada estrofe da lira termina com o mesmo refrão:

Graças, Marilia bella,
Graças á minha Estrella!

Marília de Dirceu, na edição de Lisboa (Typografia Nunesiana, 1792), página 5, lira I

Retratos de Marília

Muitas liras são retratos de Marília.

Na lira II, Dirceu diz que os poetas pintam o Amor como um menino de olhos vendados, com asas e setas, e promete um retrato mais certo.

O retrato que ele faz é o de Marília, com cabelos da cor da noite e olhos que são dois sóis.

Na lira VII, ele pede ao Amor as tintas do céu para pintar Marília e termina dizendo que nem elas bastam.

Na lira XV, ele conta ao amigo Alceu que o tesouro de Marília não é de ouro: são os dentes, os olhos, as faces e os cabelos dela.

Ciúme e lembrança

Na lira IV, o pastor está triste e repete o pedido para que Marília escute a sua queixa.

Diz que ela mudou, mas a desculpa, porque o destino a obriga a deixá-lo.

Na lira V, Dirceu volta aos lugares onde passou anos felizes.

Procura o rio, o eco e o regato, e no começo tudo lhe parece mudado.

Depois percebe que as fontes ainda existem, os prados ainda dão flores e a cascata ainda corre, e o refrão diz quem mudou de verdade:

São estes os sitios?
São estes; mas eu
O mesmo não sou.

Marília de Dirceu, na edição de Lisboa (Typografia Nunesiana, 1792), página 20, lira V

O amor como lei e como prisão

Na lira VIII, Marília se queixa de que Dirceu lhe roubou o coração.

Ele responde que todos amam, as pombas, as aves, os peixes e até as deusas, e chama isso de lei da natureza.

Na lira IX, Dirceu se diz cativo de Marília.

Mas diz que não foi vencido por armas, e que a sua prisão é outra:

Eu tenho as minhas mãos ao carro atadas
Com duros ferros não, com fios d'ouro,
Que são os teus cabellos.

Marília de Dirceu, na edição de Lisboa (Typografia Nunesiana, 1792), página 32, lira IX

O poder dos versos

Na lira XI, o poeta pede à sua musa que deixe o amor e cante a guerra e os heróis.

Quando tenta, só consegue dizer o nome de Marília, e volta ao canto de amor.

Diz que, quando repete o nome dela, as aves se espantam, o vento para e o gado esquece de comer.

Quanto pódem meus versos! Quanto póde
Só de Marilia o nome!

Marília de Dirceu, na edição de Lisboa (Typografia Nunesiana, 1792), página 43, lira XI

Na lira XXII, outra mulher pode ter carruagem, palácio e cortinas, e Marília não terá nada disso.

Mas terá um poeta que cante os seus louvores, e Dirceu lembra que o tempo derruba palácios e casas pobres.

Só pódem conservar hum nome eterno
Os versos, ou a historia.

Marília de Dirceu, na edição de Lisboa (Typografia Nunesiana, 1792), página 78, lira XXII

O tempo que passa

A lira XIV começa dizendo a Marília que tudo passa e que a sorte do mundo é insegura.

Até os deuses estão sujeitos ao destino.

Dirceu lembra que a beleza é coisa da juventude, e que com os anos o rosto se enruga e o cabelo fica branco.

Por isso pede que os dois vivam o amor agora:

Ah! não, minha Marilia,
Aproveite-se o tempo, antes que faça
O estrago de roubar ao corpo as forças,
E ao semblante a graça.

Marília de Dirceu, na edição de Lisboa (Typografia Nunesiana, 1792), página 57, lira XIV

Na lira XVIII, Dirceu olha um velho que mal consegue andar e diz que ele também vai envelhecer.

Mas imagina uma velhice mais leve, apoiado na mão de Marília, apontando o lugar onde a viu pela primeira vez.

Na lira XIX, Dirceu convida Marília a sentar à sombra de um cedro e olhar os bichos cuidando dos filhotes, e pensa na alegria dos pais com os filhos.

Cupido, heróis e o fim do livro

Várias liras contam pequenas fábulas com Cupido, o deus menino do amor.

Numa delas, a lira XII, Dirceu luta com Cupido e o mata, mas as lágrimas de Marília o fazem ressuscitar.

Na lira XXVII, Dirceu diz que ser herói não é conquistar o mundo pela guerra, é viver de forma justa, e que ele ganhou um trono no peito e nos braços de Marília.

Na lira XXXII, ele encontra versos antigos, feitos para outros amores, e decide queimá-los.

O Amor primeiro protesta e depois manda lançá-los ao fogo.

A última lira, a XXXIII, pede ao amigo Glauceste que pinte Marília com o seu canto, e o livro termina aí.

Uma nota de leitura

Os pastores, as ovelhas e os deuses antigos são um modo de falar de amor que os poetas da época usavam.

Por trás dessa paisagem, as liras tratam de coisas simples: querer bem, ter ciúme, ter medo de envelhecer e querer ser lembrado.

O poeta acredita que o verso guarda o nome de quem ama, e o livro inteiro é essa aposta.

A edição que lemos

Lemos as liras numa edição impressa em Lisboa, na Typografia Nunesiana, no ano de 1792, com a licença que a folha de rosto registra, da Real Meza da Commissão Geral sobre o Exame, e Censura dos Livros.

A folha de rosto traz o título Marilia de Dirceo e só as iniciais T. A. G.; o catálogo da biblioteca dá o nome de Tomás Antônio Gonzaga.

O exemplar é da John Carter Brown Library e foi publicado em imagens no Internet Archive.

Não dizemos que esta seja a primeira edição, porque o livro não diz isso.

O catálogo registra dois estados conhecidos desta impressão, e neste exemplar a página 20 está numerada certo.

A folha de rosto não fala em partes, e o livro traz só estas trinta e três liras.

O catálogo da mesma biblioteca registra uma segunda parte publicada em Lisboa em 1799; este resumo não trata dela nem de liras publicadas mais tarde.

Lemos o texto nas imagens desse exemplar, e cada trecho citado foi copiado da imagem da página.

Por que ler hoje

Porque as liras falam de ciúme, saudade e medo do tempo com palavras que ainda servem.

E porque o livro mostra um poeta que confia no verso para fazer um nome durar.

Leia as liras, nas imagens da edição de Lisboa, Typografia Nunesiana, 1792, publicada no Internet Archive pela John Carter Brown Library. As liras vão das páginas 5 a 118. O acervo da Net Love tem este resumo, não as liras inteiras. As liras estão em domínio público.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são I-Juca-Pirama, O Navio Negreiro, Nebulosas e Viagens na Minha Terra.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui as liras. O livro é de T. A. G., que o catálogo identifica como Tomás Antônio Gonzaga. Os trechos citados vêm da edição de Lisboa, Typografia Nunesiana, 1792: os trechos em bloco saíram das páginas 5, 20, 32, 43, 57 e 78, e a prosa não traz verso entre aspas; todos copiados das imagens das páginas e comparados com o texto reconhecido por máquina do mesmo exemplar. A grafia da edição não foi mexida, salvo o s longo da época, escrito aqui como s. A nota de leitura foi escrita aqui e não cita nenhum crítico.