O Uraguai, de Basílio da Gama: o resumo do poema épico em cinco cantos novo
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Resumo escrito para o acervo Net Love em 8 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Basílio da Gama. O poema é dele e está em domínio público. Lemos o poema na edição impressa em Lisboa em 1769, e cada citação em bloco traz a página e o canto. O poema conta mortes na guerra e a morte de uma personagem que escolhe morrer; o resumo conta isso sem detalhe. Se você está sofrendo, o CVV atende pelo telefone 188, de graça, a qualquer hora.
Um poema de guerra em cinco cantos
O Uraguai, que a edição escreve Uraguay, é um poema épico curto, em versos sem rima, dividido em cinco cantos.
A folha de rosto diz que é obra de José Basílio da Gama, chamado na Arcádia de Roma de Termindo Sipílio, e que foi impressa em Lisboa, na Régia Oficina Tipográfica, em 1769.
O livro é dedicado a Francisco Xavier de Mendonça Furtado, secretário de Estado do rei, e traz antes do poema um soneto do autor ao Conde de Oeiras.
O poema conta uma guerra que aconteceu na década de 1750.
As notas impressas com o poema explicam o fundo.
Portugal e Espanha tinham assinado um tratado de limites, e por ele as terras dos Sete Povos, na margem oriental do rio Uruguai, onde viviam indígenas sob a direção de padres jesuítas, passavam para Portugal.
Os indígenas resistiram, e tropas portuguesas e espanholas marcharam contra eles.
Muitas páginas trazem, embaixo dos versos, essas notas.
Elas atacam os jesuítas com dureza e fazem acusações graves contra eles.
São a opinião do livro e do governo do seu tempo, e não fatos conferidos por este resumo.
Canto I: o general e a primeira tentativa
O poema abre com a imagem do campo depois da batalha e com o pedido à Musa para honrar o herói.
O herói é o general português, que o poema chama de Andrade e que as notas dizem ser Gomes Freire de Andrade.
Ele espera o socorro espanhol, trazido por Catâneo, e quando os dois exércitos se juntam faz desfilar as suas tropas.
Catâneo pergunta quem são os oficiais, e Gerardo os apresenta, um a um.
Depois do banquete, Catâneo pede que Andrade conte as causas da guerra.
Andrade conta o tratado entre os dois reis, a resistência dos indígenas e a primeira expedição.
Conta que o seu exército ficou preso por uma grande enchente e teve de armar as tendas nos galhos das árvores durante dois meses.
Como o socorro espanhol ia demorar, ele recuou.
Canto II: Cacambo e Cepé
Na marcha, os exércitos encontram os indígenas formados numa colina.
Andrade solta os indígenas que tinha como prisioneiros, e dois chefes descem para conversar: Cacambo e Cepé, nome que hoje também se escreve Sepé.
Cacambo fala com dignidade.
Diz que veio desarmado, pede que a entrega das terras espere, lembra que a terra só vale pelo trabalho deles e que o rei de Portugal está longe.
Não temos outro Rei mais do que os Padres.
O Uraguai, na edição de Lisboa (Régia Oficina Tipográfica, 1769), página 30, canto II
Andrade responde que os padres os enganam e que o rei quer que eles sejam livres, mas que devem entregar as terras.
Cepé interrompe e diz que a terra foi dada livre aos avós e que as flechas vão decidir a questão.
Julgará entre nós; se defendemos
O Uraguai, na edição de Lisboa (Régia Oficina Tipográfica, 1769), página 35, canto II
Tu a injustiça, e nós o Deos, e a Patria.
Começa a batalha.
Os indígenas lutam com arcos e flechas contra as espingardas.
Cepé luta com coragem e morre pelas mãos do governador espanhol de Montevidéu.
Sem ele, os indígenas recuam, e Cacambo salva os que pode.
Canto III: o sonho de Cacambo
À noite, Cacambo vê em sonho Cepé morto, que lhe pede vingança.
Ele atravessa o rio a nado, põe fogo no capim seco perto do acampamento inimigo e escapa de novo pelo rio.
O general manda abrir caminho contra as chamas e salva o campo.
Cacambo volta à sua aldeia, onde vivia a mulher, Lindóia.
Mas o padre Balda, que manda na aldeia, o põe numa prisão escura e não deixa que Lindóia fale com ele.
O poema diz que Cacambo morre depois de beber uma bebida que o padre lhe deu.
Lindóia, sem vontade de viver, é levada pela velha Tanajura, que dizia ler o futuro, a uma gruta.
Ali ela vê nas águas Lisboa destruída pelo terremoto e reconstruída, e cenas que o poema liga à expulsão dos jesuítas.
O poema usa essa visão para elogiar o governo do Conde de Oeiras.
Canto IV: a morte de Lindóia
As tropas avançam para as aldeias.
Balda quer casar Lindóia com Baldeta, um rapaz protegido por ele, e dar a ele o lugar de Cacambo.
No dia da festa, Lindóia não aparece.
O irmão dela, Caitutu, a encontra num bosque, deitada, com uma serpente enrolada no corpo.
Ele atira uma flecha e acerta a serpente, mas Lindóia já tinha sido picada e está morta.
O poema diz que ela tinha escolhido aquele lugar para morrer, cansada de viver.
Inda conserva o palido semblante
O Uraguai, na edição de Lisboa (Régia Oficina Tipográfica, 1769), página 81, canto IV
Hum não sei que de magoado, e triste,
Que os corações mais duros enternece.
Quando as tropas se aproximam, Balda manda queimar a aldeia e foge.
O general encontra só cinzas e, no grande templo, as imagens derrubadas.
Os soldados admiram a grandeza do templo.
Canto V: o fim
Na abóbada do templo há uma pintura, que o poema descreve como a história do poder dos jesuítas no mundo.
O general surpreende os indígenas em outra aldeia.
Os padres Balda e Tedeu são descobertos quando tentavam fugir, deixando os indígenas para trás.
Andrade protege mulheres, crianças e velhos, e os indígenas entregam as armas.
Cahe a infame Republica por terra.
O Uraguai, na edição de Lisboa (Régia Oficina Tipográfica, 1769), página 101, canto V
O poema termina com o poeta falando ao próprio livro: diz que o Uraguai será lido.
Uma nota de leitura
O Uraguai é um poema feito para defender a política do governo português, então dirigido pelo Conde de Oeiras, contra os jesuítas.
Os padres aparecem sempre como vilões, e as notas repetem acusações que este resumo não confirma.
Ao mesmo tempo, o poema dá aos indígenas falas dignas e mortes que comovem, e são Cacambo, Cepé e Lindóia que ficam na memória de quem lê.
A guerra que ele canta foi uma guerra contra povos indígenas que defendiam a sua terra.
A edição que lemos
Lemos O Uraguay, Lisboa, Régia Oficina Tipográfica, 1769, nas imagens do exemplar da John Carter Brown Library publicado no Internet Archive.
O poema vai das páginas 1 a 102.
O impresso usa o s longo, uma letra parecida com o f, e nas citações nós o escrevemos como s.
Cada trecho citado foi copiado da imagem da página e conferido no texto reconhecido por máquina dessas mesmas imagens; onde a máquina leu errado, a correção está registrada e foi conferida na imagem.
Por que ler hoje
Porque põe no centro de uma história em versos os indígenas das missões do sul, com nome, fala e destino.
E porque mostra como um poema pode servir a um governo e, mesmo assim, deixar escapar a voz de quem perdeu a guerra.
Leia o poema, nas imagens da edição de O Uraguay impressa em Lisboa em 1769, no exemplar da John Carter Brown Library digitalizado no Internet Archive. O poema vai das páginas 1 a 102. O acervo da Net Love tem este resumo, não o poema inteiro. O poema está em domínio público.
Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são I-Juca-Pirama, Os Lusíadas, O Guarani e Iracema.
Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o poema. A obra é de Basílio da Gama. Os trechos citados vêm de O Uraguay, Lisboa, Régia Oficina Tipográfica, 1769: os trechos em bloco saíram das páginas 30, 35, 81 e 101, e a prosa não traz verso entre aspas; todos copiados das imagens das páginas e conferidos no texto reconhecido por máquina. O s longo foi escrito como s. As citações não trazem travessão. A nota de leitura foi escrita aqui e não cita nenhum crítico.
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