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O Judas em Sábado de Aleluia, de Martins Pena: o resumo da comédia em um ato novo

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1.469 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 8 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Martins Pena. A peça é dele e está em domínio público. Lemos a peça nas Comedias de Martins Penna publicadas pelo Jornal do Brasil em 1927, e cada citação em bloco traz a página e quem fala.

Um sábado de Aleluia no Rio

O Judas em Sábado de Aleluia é uma comédia em um ato, em prosa.

A lista de personagens da edição diz que a cena se passa no Rio de Janeiro, no ano de 1844, numa sala da casa de José Pimenta.

A edição escreve os nomes como no tempo dela; no nosso texto usamos a grafia de hoje.

No Sábado de Aleluia havia o costume de fazer um boneco de Judas, malhar o boneco e arrastá-lo pelas ruas.

Quando a peça começa, os meninos da casa acabam de aprontar um Judas vestido de casaca, colete, botas de montar, chapéu com penacho e bigodes compridos, encostado na parede.

As personagens são José Pimenta, cabo de esquadra da guarda nacional, as duas filhas dele, Chiquinha e Maricota, o menino Lulu, Faustino, que é funcionário público, Ambrósio, capitão da guarda nacional, e Antônio Domingos, um negociante velho.

As duas irmãs

Chiquinha costura, e Maricota passa o tempo na janela.

Maricota se gaba de quantos rapazes passam pela rua só para vê-la e lê em voz alta as cartas de amor que recebe, uma delas começando com "Minha adorada e crepitante estrela!".

Ela namora muitos ao mesmo tempo e explica por quê: quem compra muitos bilhetes de loteria tem mais chance de tirar a sorte grande.

Chiquinha discorda.

Que outro futuro esperam as filhas familias, senão o casamento ?

O Judas em Sábado de Aleluia, nas Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, 1927), página 31, fala de Chiquinha

Mas diz que a moça que namora todo mundo fica conhecida, e ninguém a quer por mulher.

E avisa que Maricota ainda vai acabar casando com um velho.

O cabo José Pimenta

Pimenta entra de farda, contente.

Conta que largou o ofício de sapateiro para ser cabo da guarda nacional, e que agora ganha muito mais com as guardas, as rondas e as ordens de prisão.

Sai para cobrar o dinheiro das guardas da véspera.

Faustino vira Judas

Chega Faustino, um dos namorados de Maricota.

Ele conta que falta ao trabalho mandando dizer que está doente, e que o capitão Ambrósio o persegue com serviço na guarda nacional porque sabe que ele namora Maricota.

Faustino declara seu amor de joelhos, e Maricota ri dele pelas costas.

Batem à porta: é o capitão.

Maricota foge para dentro, e Faustino, sem ter onde se esconder, tira a roupa do boneco, veste a casaca, o colete, as botas, o chapéu e os bigodes, esconde o boneco numa gaveta da cômoda e toma o lugar do Judas na parede.

Daí em diante ele vê e ouve tudo.

O que o Judas ouve

O capitão quase se engana com o Judas, achando que é um homem.

Com Maricota, ele fala de uma carta em que pediu que ela fugisse para a casa dele.

Ela inventa que o gato da casa pegou a carta, e o capitão procura o gato de espada na mão; Faustino mia.

Maricota diz ao capitão que Faustino é um tolo e que só o usa para esconder o amor que sente por outro.

Quando Pimenta chega, diz que nunca teve gato.

Em seguida, o capitão manda Pimenta prender Faustino por faltar ao serviço da guarda.

Ele dá ordens duras.

A impunidade desorganiza a guarda nacional.

O Judas em Sábado de Aleluia, nas Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, 1927), página 41, fala do Capitão

Depois os dois falam dos guardas que pagam para não servir, e o capitão fica com medo de ser demitido se isso se souber.

Chiquinha

Sozinha, Chiquinha volta à costura e, pensando que ninguém ouve, confessa que ama Faustino e que nunca teria coragem de dizer.

Faustino sai da parede e se ajoelha diante dela.

Ele conta que viu de perto a falsidade de Maricota.

As tuas palavras accenderam no meu peito uma paixão volcanico-pyramidal e delirante.
Ha um momento que nasceu, mas já está grande como o universo!

O Judas em Sábado de Aleluia, nas Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, 1927), página 44, fala de Faustino

Promete pedir a mão dela ao pai no dia seguinte e volta para o lugar do Judas.

O dinheiro falso

Pimenta recebe Antônio Domingos e fecha a porta.

Antônio traz dois contos de réis, uma quantia grande, em notas falsas, que vieram do Porto escondidas num barril de paios, que são linguiças, e Pimenta guarda os maços na cômoda.

Pimenta diz que está arrependido e que será a última vez.

Batem à porta, e uma voz disfarçada, que é Faustino, diz: "Da parte da policia!".

Pimenta cai de joelhos, mas quem entra é o capitão, que não entende o susto dos dois.

A Aleluia

Então os meninos entram correndo, porque chegou a hora da Aleluia, e vão buscar o Judas.

Faustino sai da parede e corre pela sala, e o pânico é geral: o capitão sobe na cômoda, Pimenta e Antônio rolam pelo chão, e Maricota desmaia.

Faustino foge para a rua e volta correndo para dentro da casa, perseguido pelos garotos que querem malhar o Judas.

Tira o chapéu e os bigodes, e todos o reconhecem.

Faustino dá as cartas

Faustino sabe o segredo de cada um e usa o que sabe.

Ameaça contar a história do barril de paios, e Antônio Domingos aceita casar com Maricota.

Ameaça contar a todos que Maricota namora qualquer um, e ela aceita casar com o velho.

Faustino junta os dois e se vira para a plateia.

Queira Deus que aproveite o exemplo!

O Judas em Sábado de Aleluia, nas Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, 1927), página 53, fala de Faustino

Depois ameaça contar o que sabe sobre os guardas que pagam, e o capitão promete dispensá-lo de todo o serviço da guarda nacional.

Por fim pede a Pimenta a mão de Chiquinha, e Pimenta consente.

Uma nota de leitura

A peça ri de quase todos: da moça que namora muitos para casar com algum, do cabo que vive do dinheiro que tira dos guardas, do capitão que usa o cargo para afastar um rival e do negociante que passa dinheiro falso.

O herói também não é santo: Faustino falta ao trabalho e resolve tudo com chantagem.

Numa fala, o capitão pergunta se as pessoas escravizadas da casa têm gato.

A escravidão foi um crime, e a página registra isso sem repetir os termos da época.

A edição que lemos

Lemos a peça nas Comedias de Martins Penna, o número 8 do Supplemento Romantico do Jornal do Brasil, impresso nas oficinas gráficas do jornal, no Rio de Janeiro, em 1927.

A peça vai das páginas 27 a 53.

A edição de 1927 não dá a data da peça: o ano de 1844 é o da ação, dito na lista de personagens.

Lemos o texto nas imagens do exemplar da Universidade da Carolina do Norte digitalizado no Internet Archive.

O texto reconhecido por máquina dessa edição tem muitos erros, e por isso cada trecho citado foi copiado da imagem da página e só entrou quando a imagem e esse texto coincidiam.

Por que ler hoje

Porque o disfarce transforma Faustino em testemunha dos segredos da casa.

E porque a peça mostra, rindo, pequenos abusos de poder que não ficaram no século XIX.

Leia a peça, nas imagens das Comedias de Martins Penna (Rio de Janeiro, Jornal do Brasil, 1927), no exemplar da University of North Carolina digitalizado no Internet Archive. A peça vai das páginas 27 a 53. O acervo da Net Love tem este resumo, não a peça inteira. A peça está em domínio público.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são O Juiz de Paz da Roça, O Noviço, Memórias de um Sargento de Milícias e A Moreninha.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui a peça. A obra é de Martins Pena. Os trechos citados vêm das Comedias de Martins Penna, Rio de Janeiro, Jornal do Brasil, 1927: os trechos em bloco saíram das páginas 31, 41, 44 e 53, e as frases curtas entre aspas na prosa vêm também da página 29 e, uma que aparece duas vezes, das páginas 47 e 50, todas copiadas da imagem da página e conferidas no texto reconhecido por máquina. A grafia da edição não foi mexida. As citações não trazem fala com travessão. A nota de leitura foi escrita aqui e não cita nenhum crítico.