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Amaterasu e a caverna novo

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800 palavras

O Kojiki, o registro de coisas antigas do Japão que Basil Hall Chamberlain traduziu para o inglês em 1882, faz Amaterasu nascer de um banho. Izanagi, de volta de uma terra que ele chama de horrenda e impura, vai se purificar num rio. Quando lava o olho esquerdo, nasce Amaterasu; quando lava o direito, Tsukiyomi, um deus da lua; quando lava o nariz, Susanoo. No nome completo dela, Ama-terasu-oho-mi-kami, as palavras Ama-terasu querem dizer, segundo a nota de Chamberlain, que brilha no céu. Izanagi se alegra com os três filhos, dá a ela o colar de joias que trazia no pescoço e a manda governar a Planície do Alto Céu. A Tsukiyomi entrega o reino da noite; a Susanoo, a planície do mar.

Susanoo não assume o mar. Chora até a barba chegar à boca do estômago, e o seu choro seca as montanhas verdes, os rios e os mares. Diz que chora porque quer ir à terra da mãe morta, e o pai o expulsa. Antes de partir, ele sobe ao céu para se despedir da irmã, e a subida faz tremer montanhas e rios. Amaterasu acha que ele vem tomar o seu reino e se prepara para a luta: prende o cabelo em tufos, enrola joias nos tufos e nos braços, põe às costas uma aljava de mil flechas e acrescenta outra de quinhentas, ergue o arco e pisa o chão duro até afundar as pernas até as coxas. Susanoo diz que não tem má intenção, e os dois fazem um juramento gerando filhos: do sabre dele, que ela parte em três, mastiga e sopra, nascem três deusas; das joias dela, que ele mastiga e sopra, cinco deuses.

Amaterasu declara que os cinco deuses são seus filhos, porque nasceram de coisas suas, e que as três deusas são dele. Susanoo diz que venceu, porque a sinceridade das suas intenções lhe deu filhas delicadas, e, impetuoso com a vitória, desmancha as divisões dos arrozais da irmã, entope as valas e espalha excremento no palácio onde ela provava o grande alimento. Amaterasu o desculpa: o excremento seria vômito de bêbado, e as valas destruídas, vontade de não desperdiçar terra. Ele piora. Enquanto ela, no salão sagrado de tecer, cuida das vestes dos deuses, ele abre um buraco no teto e joga por ele um cavalo malhado do céu, esfolado ao contrário, o que a nota de Chamberlain entende como começando, provavelmente, pela cauda. As tecelãs se assustam, se ferem nas lançadeiras e morrem. Aqui a tradição varia: Chamberlain anota que, no trecho paralelo das Crônicas, é a própria deusa quem se fere com a lançadeira, e sem morrer.

Aterrorizada, Amaterasu se fecha na Morada Rochosa do Céu e tranca a porta. A Planície do Alto Céu escurece, e escurece também a Terra Central das Planícies de Juncos: a noite não acaba. As vozes dos deuses enxameiam como as moscas do quinto mês, e surgem desgraças de toda espécie. Oitocentas miríades de deuses, no número do Kojiki (as Crônicas falam em oitenta miríades), se reúnem no leito do Rio Tranquilo do Céu e pedem um plano a Omohi-kane, o deus que reúne em si os pensamentos de muitos. Juntam as aves de canto longo da noite eterna, que se costuma entender como galos, e as fazem cantar. Mandam fazer um espelho e um colar de joias curvas, de quinhentas joias na leitura que Chamberlain adota para uma expressão obscura, e consultam a sorte com a omoplata de um cervo. Arrancam com raiz uma árvore sakaki do monte Kagu do céu e penduram nela as joias nos ramos de cima, o espelho nos do meio e oferendas brancas e azuis nos de baixo, enquanto um deles recita liturgias.

Então Ame-no-Uzume, com licopódio do monte Kagu como faixa, enfeite de folhas na cabeça e um ramalhete de folhas de bambu nas mãos, põe diante da porta uma peça de madeira que ressoa (o sentido exato da palavra, anota Chamberlain, é incerto) e bate os pés nela, como se estivesse possuída por um deus. Chamberlain anota que o Kojiki parece descrever uma imitação, enquanto as Crônicas parecem descrever uma possessão verdadeira. Ela descobre os seios e baixa a saia, o Alto Céu treme, e os deuses todos riem. Amaterasu, espantada, entreabre a porta e pergunta como pode haver festa se o mundo deveria estar escuro. Uzume responde que se alegram porque há uma divindade mais ilustre do que ela. Mostram-lhe o espelho. Cada vez mais espantada, ela sai aos poucos para olhar, e Ame-no-tajikara-wo, escondido junto à porta, a puxa pela mão; Futo-tama estende atrás dela uma corda e diz que ela não pode voltar além dali. Com Amaterasu fora, o Alto Céu e a Terra Central voltam a ter luz. Os deuses multam Susanoo, cortam sua barba, arrancam suas unhas e o expulsam.

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