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Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett: o resumo do drama de uma família desfeita pelo regresso de D. João de Portugal

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998 palavras

Resumo escrito para o acervo Net Love em 21 de outubro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Almeida Garrett. A obra é dele e está em domínio público. Este resumo conta o enredo com palavras nossas e só repete uma palavra do texto, a resposta do romeiro.

O drama em poucas linhas

Frei Luís de Sousa é um drama em três atos do escritor português Almeida Garrett.

Foi representado pela primeira vez em Lisboa, por uma sociedade particular, no teatro da Quinta do Pinheiro, em 4 de julho de 1843.

A história se passa em 1599, em Almada, mais de duas décadas depois da batalha de Alcácer-Quibir.

Nessa batalha, em 1578, o rei D. Sebastião desapareceu, e muita gente em Portugal passou anos sem aceitar que ele tivesse morrido.

As pessoas da casa

Manuel de Sousa Coutinho é um fidalgo orgulhoso, patriota, casado com D. Madalena de Vilhena.

Madalena foi casada antes com D. João de Portugal, que seguiu para a guerra na África e não voltou.

Ela esperou sete anos por notícias do marido e só então se casou com Manuel.

Desse segundo casamento nasceu Maria, uma menina de treze anos, muito esperta e de saúde frágil.

Telmo Pais é o velho criado que cuidou de D. João desde pequeno.

Ele aceita mal o novo senhor da casa e guarda a esperança de que o antigo amo ainda esteja vivo.

Frei Jorge, irmão de Manuel, é religioso e faz o papel de conselheiro sereno da família.

Ato primeiro: o medo de Madalena e o incêndio

Madalena vive em sobressalto, apesar de feliz.

Ela pensa no primeiro marido e teme o dia em que ele possa reaparecer.

A filha percebe a inquietação da mãe e a repete em perguntas que ninguém sabe responder.

Telmo alimenta esse clima: conta a Maria histórias de D. Sebastião e do tempo antigo e não esconde que não acredita na morte de D. João.

A peste ainda rondava Lisboa, e os governadores do reino, que respondiam ao rei da Espanha, quiseram se instalar numa casa fora da cidade.

Escolheram a casa de Manuel, em Almada.

Manuel não suporta hospedar quem representa o domínio estrangeiro sobre Portugal.

Na mesma noite, diante da família e dos criados, ele pega duas tochas e põe fogo à própria casa.

Madalena grita que salvem o retrato de Manuel, mas o fogo avança rápido e ninguém consegue.

A família foge pela porta, e o pano cai com o toque de sinos.

Ato segundo: o palácio de D. João e o romeiro

A família passa a morar no palácio que pertenceu a D. João de Portugal, também em Almada.

É a casa que Madalena menos queria habitar: nas paredes há retratos de família, entre eles o de D. João, o do rei D. Sebastião e o de Camões.

Manuel tenta tranquilizá-la, mas ela continua a temer o regresso de D. João.

Madalena se assusta quando Manuel lembra que é sexta-feira, e ele responde que é o dia da paixão de Cristo.

Um romeiro, um peregrino que voltou da Terra Santa, bate à porta e pede para falar com Madalena.

Ele diz que traz notícia de alguém que ficou vinte anos prisioneiro em terras distantes.

Madalena sai de cena, perturbada, e quem fica diante do romeiro é Frei Jorge.

O frade pergunta quem ele é, e o romeiro, apontando para o retrato de D. João, responde com uma palavra que gela a cena: ninguém.

Ato terceiro: o desfecho

Telmo reconhece o romeiro: é D. João de Portugal, que escapou da guerra, viveu cerca de vinte anos em cativeiro e volta para casa.

Se D. João vive, o segundo casamento de Madalena não vale aos olhos da Igreja e da sociedade.

Maria passa a ser, para o mundo, a filha de um casamento sem valor.

Manuel e Madalena decidem deixar o mundo e entrar para a vida religiosa.

Ele será dominicano, com o nome de Frei Luís de Sousa, e ela será Soror Madalena.

A cerimônia acontece na igreja de São Paulo, dos dominicanos, em Almada, com os frades cantando.

No meio dela, Maria entra na igreja, doente e em desespero, e pede aos pais que não a deixem.

Ao ver o romeiro ao fundo, ela cai morta.

O que o drama quer dizer

Garrett parte de um fato histórico (o fidalgo que queimou a própria casa e depois se fez frade) e o liga à memória de Alcácer-Quibir.

O regresso de D. João faz o passado interferir no casamento de Madalena e Manuel.

Apesar do nome de drama, a peça tem traços de tragédia: presságios, reconhecimento e catástrofe familiar.

O sebastianismo, a crença de que o rei voltaria, aparece como esperança e como ameaça, na figura de Telmo e na do romeiro.

O resumo é nossa leitura, e quem quiser discutir o sentido da peça deve ler o texto.

A edição

Lemos o drama na edição digital do Projeto Gutenberg (ebook 17591), preparada a partir de imagens da Biblioteca Nacional de Portugal, com a grafia de antes das reformas ortográficas.

A folha de rosto dessa edição diz que o drama foi representado pela primeira vez em 4 de julho de 1843, no teatro da Quinta do Pinheiro, e dá a lista das pessoas e o cenário de Almada.

O enredo deste resumo vem dessa leitura; a leitura crítica e a explicação do contexto são da casa.

Leia o drama inteiro, no Projeto Gutenberg, com a grafia da edição antiga. O acervo da Net Love tem este resumo, não o drama inteiro. A obra está em domínio público no Brasil.

Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são O Cortiço, Os Lusíadas, O Primo Basílio e Os Maias.


Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o drama. A obra é de Almeida Garrett. Não há trechos do texto neste resumo, nem em bloco nem entre aspas.